Capítulo 30 - Muito Prazer, eu te detesto!

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Tamara destravou a arma carregada. O alvo estava a apenas dez metros. Apenas um tiro! Apenas um já descarregaria toda dor e frustração que estava sentindo. Suspendeu a respiração um tanto irregular. Totalmente imóvel, seus olhos estreitaram levemente, as mãos firmaram na arma e seu indicador fez uma leve pressão contra o gatilho.

Só mais um movimento. O indicador pressionou com precisão o gatilho sem exitar, e outros tiros mais, rapidamente em sequência, até que a arma estivesse descarregada.

Tirou os fones, e enquanto recarregava a arma apertou o botão que moveria o alvo eletrônico até ela para que conferisse os tiros. Todos haviam sido extremamente precisos.

Era assim que costumava aplacar suas maiores tensões, praticando tiro na Ligue Régionale de Tir Lyonnais. E naquele dia tinha todos os motivos do mundo para estar tensa.

Ficou radiante quando viu o nome de Nanda no visor de seu celular que tocava.

--Oi sumida... Estou com saudade! – Nanda parecia apressada e eufórica no outro lado da linha.

--Oi Tamara, tá ocupada hoje? – Não estava, e para ver Nanda mesmo que estivesse não estaria.

--Não, tô de bobeira.

--Ótimo. Se apronta. Passo aí em meia hora! – Desligou. Tamara era só alegria! A saudade de Nanda já não cabia nela.

Essa felicidade durou muito pouco. Bastou ver a morena linda de cabelos bagunçados, black jeans, regata branca e um sueter YMCMB estilo colegial aberto, toda à vontade a lhe esperar enquanto segurava Nanda pela mão para saber mesmo de longe quem era. Nanda havia trazido a Cosmo!

Dali em diante o que se seguiu era uma espécie de pesadelo. Sentada ao lado do primo dela que parecia lhe analisar, assistia Nanda trocar carícias delicadas com a namorada enquanto dirigia. Carícias nas mãos, afagos no cabelo, tudo uma tortura!

Cosmo não se encaixava em nada no mundo de Nanda! Não gostava das mesmas coisas, não entendia os gostos de Nanda como ela, e mesmo assim, era para ela que Nanda sorria, era Cosmo quem estava ali a receber os beijos que queria tanto! Sua vontade era gritar para ela, que estava bem ali, que eram o amor da vida uma da outra, mas Nanda nem mesmo entenderia!

Houve um momento em que Tamara se escondeu entre suas flores. Já não suportava ver todas aquelas demontrações de carinho! Olhou para elas deitadas na grama a trocar beijos e carícias. Uma lágrima fugiu de um dos seus olhos.

Depois daquilo a tortura só aumentou. Tamara era toda atenção com Nanda, e ela nem a notava. Podia ver que ela estava um pouco aborrecida, mas mesmo assim, a cada gesto, cada sorriso, cada mínimo movimento de Cosmo, Nanda a olhava cada vez mais deslumbrada. Toda a atenção de Nanda era para Carla. Era bem natural isso, era a sua namorada! Mas isso machucava o coração de Tamara da mesma maneira.

Outra coisa que pôde perceber é que Cosmo não era nada boba! Ela percebeu. Olhava Tamara intrigada, e com certeza notou sua atenção e carinho especiais para Nanda. Até tentou se controlar, mas perto dela Tamara ficava mais sensível, muito mais exposta. Nanda era o amor da sua vida, o grande amor que sempre esperou, e todo seu carinho era para ela. Não havia como não ser.

Apesar de Carla ter notado isto, Tamara não recuaria. Nunca desistiria de Nanda, e dentro de seu coração podia sentir, ela logo sentiria o peso de não poder dividir as coisas que tanto amava, seus sonhos, as coisas romanticas que esperava de um grande amor. E quando ela entendesse o quanto necessitava de afinidade em um relacionamento, Tamara estaria lá, para oferecer tudo isto a ela.

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