Capítulo 56 - Sem Alma

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Nanda estava deitada no peito de Carla, e que saudade de estar assim, amolecida de prazer nos braços de seu amor. Estava sem forças, tudo que sentiu foi muito intenso, exigiu muito dela.

Desde aquela manhã se preparou psicologicamente para Carla. Se produziu para estar linda para ela. Sabia que não seria fácil seduzi-la, pois seu coração traiçoeiro queria falar de amor, e ela precisava falar daquele tesão maluco que sentia por Carla. Era uma jogada muito, muito arriscada, saber que no fim podia se entregar e Carla a rejeitar. Era também difícil entregar seu corpo a ela sem falar do amor imenso que lhe comprimia o peito.

Quase falhou no momento que Carla lhe disse a palavra "acabou". Mas ela conseguiu. Se entregou a ela e agora estava ali, deitada junto àquele corpo, o corpo da mulher que amava tanto.

Sentiu Carla se desvencilhar dela docemente, ela sentou no sofá. Nanda não queria, mas sem planejamento suas palavras a traíram.

--O que foi Amor? – Carla riu.

--Amor? Não me chama de amor! Pode me chamar do que quiser, menos disso. – Nanda sentou um pouco magoada. Abraçou-a pelas costas.

--Carla, a gente precisa conversar. – Carla negou com a cabeça.

--Não, não quero conversar. – Ela levantou e passou a vestir-se. Jogou o vestido para Nanda, que se sentiu muito machucada por um momento. Nanda vestiu-se, mas não ia deixa-la escapar assim. Não viu outra alternativa, puxou-a de volta para o sofá e deslizou para o colo dela enlaçando-a com as pernas. Olharam-se nos olhos.

--Vai continuar negando? Não vê que te quero e você me quer? – Carla sorriu, era um sorriso frio.

--Não vou negar nada Nanda! Inclusive podemos transar agora se quiser, e amanhã, e quando quiser. Você vai me tentar e não vou resistir! É gostosa! Mas isso é tesão! Então não me venha falar de amor ou sobre o que rolou entre a gente um dia! – Nanda fechou os olhos magoada. Passou os braços no pescoço de Carla e procurou a boca para um beijo. Soltou-se daquele beijo aos poucos e escondeu o rosto no pescoço dela. Estava sentida.

--Por favor... Não nega o que sente por mim... Sei que não é só desejo! Eu sei... Sei que toco seus sentimentos, seu coração. – Carla riu.

--Não Nanda! Não se iluda! Você tocou um dia. Dei meu coração pra você! Você fez a merda do meu coração em mil pedacinhos! Não tenho mais coração! Não vou amar! O que sente, é minha atração, meu desejo. Você é uma mulher deliciosa e não resisto, é um tesão! Nada além disso! Você fodeu meu coração e não vou mais amar ninguém! Nunca seria capaz. – Nanda olhou-a nos olhos.

--Carla, olha no meu olho!.. Eu nunca te traí! – Carla riu. – Sei que não vai acreditar, mas nunca, nunca te traí! Jamais faria isso, não porque sou certinha ou nada parecido, mas porque só tem você em mim! Só sinto desejo por você, só amo você! Eu nunca senti nada nem parecido com o que sinto por você, por ninguém! Eu te amo! – Os olhos de Carla vacilaram por um momento.

--Você é boa nisso! Tenho que admitir! Se não tivesse visto com meus olhos eu acreditaria mesmo! Mas nunca vou me enganar com você outra vez! Nunca ouviu bem?! – Ela tentou se desvencilhar, mas Nanda a segurou. Beijou-lhe os lábios mais uma vez, com carinho, com doçura, com entrega. Separou-se do beijo e segurou o rosto de Carla com as duas mãos. Fitaram-se. Nanda respirava acelerado, prendia o choro.

--Carla, esquece só por um momento. Olha pra mim! Diz olhando no meu olho... Diz que este coração que estou sentindo bater acelerado quando te beijo, diz que ele não é meu, que não está aí, e que não vai ser pra sempre meu! Diz isso pra mim! Olha no meu olho, e diz que não me ama! – Carla fitava seus olhos, uma lágrima lhe escapou, foi aproximando lentamente os lábios para um beijo, e antes que ele se concretizasse, a porta se abriu. O rosto de Carla se enfureceu e ela arrancou Nanda de seu colo.

--Preciso falar com você! – Tamara disse entrando pela porta.

O que aconteceria naquela sala com certeza não seria nada agradável!

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