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Pov Sana




Último dia da semana e das aulas. As férias começarão amanhã e eu não poderia estar mais feliz. O relógio marca cinco da tarde, o tempo lá fora é agradável, com ventos leves e um pôr do sol digno de filme. Observo tudo isso sentada no gramado em frente aos dormitórios e posso notar alunos saindo do campus com um sorriso largo no rosto pelo fim do semestre.

— Momoring? – Falei ao ver a mulher passando tão rapidamente por mim e entrando no dormitório. – O que foi? – Perguntei já dentro do recinto.

— Nada... – Disse sentando-se na cama.

— Tem a ver com a apresentação mais tarde? – Me sentei ao lado dela.

— 'Tá tão na cara assim?

— Um pouquinho. – Fiz sinal com os dedos e sorri. – Está nervosa, não é?

— Muito, Sana... – Suspirou. – Eu nunca me apresentei para tanta gente assim. E se eu errar o passo? Se eu não dançar tão bem quanto vocês dizem?

— Para com isso. – Coloquei seu cabelo atrás da orelha para olhar melhor seu rosto. – Você é quase uma máquina de dança, sabe disso. Sua cabeça só quer brincar com você... Não deixe, hm?

— Queria ter um botão para desligar essa aflição. – Me olhou. – Sabe, desligar esse coração acelerado.

— 'Tá louca, porra? – Arregalei os olhos e ri. – Se seu coração desligar, já era.

— Ah, verdade. – Riu. – Só queria desligar o nervosismo, então.

— Não tenho como fazer isso por você, mas se ajuda, saiba que vou estar na plateia, na primeira fila e olhando atentamente para você, ok? – Sorri fraco e ela balançou a cabeça positivamente. – Vou torcer por você e vibrar sempre que você fizer um passo muito incrível.

— Como sabe que vai ter um passo incrível? – Levantou a sobrancelha.

— E não vai?

— É, vai. – Sorriu.

— Se sentir muita agonia, imagina que todos da plateia estão nus! – Bati leves palmas, animada. – Você vai relaxar, garanto.

— A Dahyun vai estar na plateia... – Me olhou sorrindo largo e forçando uma expressão maliciosa.

— ELA NÃO! – Berrei rindo. – Imagine apenas alguns.

— Certo, certo, nada de imaginar a Dahyun pelada. – Fez um risco imaginário no ar. – Confere!

— Sério, se precisar de algum conforto na hora da apresentação, olha pra mim, pode me caçar no meio da multidão, você sabe meu assento. Eu vou estar te olhando com muito carinho. – Peguei sua mão e dei um beijo leve. – Além do mais, você vai ser fodona naquele palco, nem preciso estar te dizendo isso.

— Besta! – Deu risada. – Obrigada, Sannie. – Sorriu fino. – Você é minha outra metade, sabe disso, né?

— Claro que sei. – Mandei beijinhos por cima do ombro. – Eu corri para te ver porque imaginei seu nervosismo, mas até agora não entendi o que você veio fazer aqui no dormitório. – Franzi o cenho ao lembrar. – Não era para você estar no auditório?

— Porra! – Levantou rápido da cama assim que eu fechei a boca. – Esqueci desse detalhe da apresentação.

— Qual?

— Arrumar tudo para a apresentação! – Bateu a mão na testa. – Vim aqui justamente para pegar uns materiais, mas me distraí. – Se abaixou até uma mesinha que ficava perto de sua cama. – Pode virar o rosto? – Pediu sorrindo e suplicando com o olhar.

Velha Roupa Colorida | SaiDaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora