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Pov Sana



— Oi, como você está? – Falei encontrando Mina nos fundos da casa. – Vim o mais rápido que pude.

— Eu não sei. – Disse rapidamente. – Te chamei porque não consigo enfrentar ele sozinha.

— Não tem problema. Eu causei isso, você não merece aturar tudo sem apoio. E nem a mamãe. – Respirei fundo e me coloquei na frente da mais nova para finalmente abrir a porta dos fundos.

Entrei em casa rapidamente, mas tudo parecia em câmera lenta. Mina havia me ligado pouco depois que cheguei no dormitório. Sua voz era calma como sempre, mas um tanto cansada.

Ela conseguiu escapar do meu pai mais cedo para ir até a casa de Nayeon mesmo sabendo que, provavelmente, quando chegasse tudo seria pior, e realmente foi.

Assim que coloquei os pés na cozinha ouvi os berros do meu pai ao telefone. Não sei com quem conversava de fato, mas chuto ser alguns advogados ou amigos próximos. Jornalistas estão radicalmente proibidos por aqui, mesmo em ligação.

Não tinha visto a cara do Minatozaki ainda, mas já podia imaginar como iria encontrá-lo. Somente pelos gritos já era compreensível o chamado da minha irmã por mim. Ninguém merece escutar isso o dia inteiro, é demais para qualquer um tamanho descontrole e agitação negativa.

— Onde ele está? – Perguntei para Mina.

— No escritório. Eu sei, mesmo tão longe da gente os gritos parecem bem nos nossos ouvidos. – Assentiu para si mesma. – Ele está fora de si.

— E a mamãe? – Perguntei preocupada, mas nem deu tempo da mais nova responder.

— Sana? – Era a voz da minha mãe. Virei imediatamente para ela e notei seu semblante pálido, cansado, preocupado e desnorteado. Com certeza foi impacto demais para ela e em tão pouco tempo. – Por que demorou tanto a vir?

— Para ser sincera, só vim porque Mina me ligou. Eu viria amanhã, acho injusto deixar vocês duas aturando tudo sozinhas. – Cheguei perto da mais velha. – Mas não ligo para o que ele está sentindo.

— Não diga isso, filha...

— Não vamos discutir por ele e nem num momento como esse, hm? – Ela assentiu silenciosamente e me abraçou em seguida. Eu instantaneamente devolvi o gesto. – Como você está? – Perguntei depois de soltá-la.

— Indo. – Respondeu com os lábios comprimidos. Eu sabia que minha mãe estava tudo, menos bem. – Não quer ir falar com ele?

— De jeito nenhum! – Disse mais rápido que o planejado e até eu me surpreendi com o tom de repreensão. – Podemos ficar juntas em algum lugar dessa casa e ignorar esse caos todo por um tempinho?

— Eu topo! – Mina disse com um sorriso casto nos lábios. – Que tal a sala de cinema? Eu faço a pipoca e a gente vê algum besteirol para dar risada e deixar o clima mais leve.

— Eu adoraria, mas... – Minha mãe relutou.

— Mas nada! – Repreendi a mulher. – Só um pouquinho, sim? Ver um filme com suas filhas não é melhor que ficar aqui ouvindo esses gritos irritantes do papai?

— É, sim, claro. – Riu fraco e aquilo acalentou meu coração um pouco. – Mas se ele precisar de mim, precisarei deixar o filme para depois, ok?

— Tudo bem. – Falei. – Será um filme de comédia, certo? – As duas assentiram.

— Sana, vá escolhendo o que vamos assistir, eu vou ajudar a Mina com os aperitivos.

Velha Roupa Colorida | SaiDaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora