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Pov Sana



Desliguei o celular imediatamente à despedida de Mina e saí de casa enfurecida. Não avisei ninguém, nem pedi permissão para pegar o carro, somente catei a chave que estava mais perto e rumei até o veículo.

Minha cabeça estava a mil. Muitos pensamentos, angústias, arrependimentos. Eu só queria voltar no tempo e ter tido o controle da situação, mas era impossível, infelizmente. Eu não chorava mais, mas ainda doía como nunca. Pensar em Dahyun fazia meu coração suprimir e imaginar como tive culpa em toda essa situação só piora tudo.

A tristeza pela Kim e pelo fim do namoro ainda é presente em mim, mas depois do que Mina me disse, um novo sentimento surgiu em meu peito: raiva. Eu já senti ódio de Eunha outra vez, mas agora parece triplicar. É tudo muito novo e muito antigo ao mesmo tempo. Minha mente está uma confusão, mas a única certeza que eu tenho é que preciso resolver isso imediatamente.

— Sana? – A senhora Jung disse assim que abriu a porta. – O que faz aqui?

— Desculpe aparecer do nada depois de sumir daquele jeito. – Entrei mesmo que ela não tivesse me convidado. – Onde está sua filha?

— Lá em cima. – Fechou a porta. – Espere aqui, vou chamá-la.

— Não. – Se espantou pelo meu tom eufórico. – Sei o caminho, eu mesma vou até lá.

— Sana, acho melhor esperar aqui. – Disse firme de um jeito que eu nunca tinha visto. – Vocês não se deram muito bem da última vez, não quero que se repita.

— Eu adoro a senhora. – Falei entre suspiros e notei seu cenho franzido. – Adoro mesmo. Sou grata por tudo que já fez por mim, mas nenhum desses sentimentos bons se aplicam a sua filha, infelizmente.

— Onde quer chegar?

— Eu sinto muito, mas se não quer discussão aqui é melhor forçar sua filha a ir lá fora, eu não largo do pé dela até resolver uma questão muito séria.

— O que aconteceu, Sana? – Arregalou os olhos, aflita.

— Logo saberá. – Falei me distanciando da mulher. – Vou subir. – Fui até as escadas.

— QUE PORRA É ESSA? – Eunha gritou pela brutalidade que eu abri a porta. – Sana? O que faz aqui?

— Você nem imagina? – Sorri cínica.

— Deu saudade? – Devolveu o sorriso e eu quis bater nela ali mesmo.

— Achei que depois da nossa conversa essa sua pose ridícula tinha acabado. – Disse firme e vi seu rosto ficar sério. – Você enlouqueceu de vez, foi?

— Não sei do que está falando.

— Vai se foder, Eunha! – Me aproximei dela. – Você bateu na Dahyun, não bateu?

— Veio defender seu brinquedinho? – Gargalhou. – Se nem ela conseguiu fazer isso sozinha, por que você conseguiria?

— Responde a minha pergunta.

— Bati, Sana. – Falou alto. – Bati, chutei, cuspi. – Sorriu. – E quer saber? Eu não me arrependo nem um pouco. Deverei ter feito mais e muito antes!

— Caralho... – Falei baixinho ao ouvir aquilo. Eu ainda estava assimilando tudo.

— O que foi? – Me olhou séria. – Olha, sai da minha casa, pensa no que vai fazer e depois volta. – Passou por mim, indo até a porta. – Não tenho tempo para te assistir pensar, isso é uma tarefa difícil pra você. – Riu.

— Vai se foder, caralho! – Gritei ainda de costas para ela.

— Certo, certo... – Disse mansamente. – Agora sai daqui.

Velha Roupa Colorida | SaiDaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora