Pov Sana
É o dia de levar o computador até a casa de Han Dong, encontrar com Zitao e descobrir tudo que meu pai esconde. Se ele de fato esconde algo.
Han Dong me passou o endereço por mensagem e fui até sua casa com um taxi. É pouco mais de meio-dia, saí sem avisar ninguém. Eu queria ir sossegada, sem medo e sem ninguém no meu encalço. Está tudo fluindo até agora.
Chego, toco a campainha e a chinesa rapidamente atende. Me recebe com um sorriso largo e energia tranquila. Queria estar como ela, mas retribuí o gesto com um riso fraco que logo se desfez. Eu não podia negar que estava extremamente apreensiva com tudo isso.
Caminhei ao lado da minha amiga o tempo inteiro, ela disse que me levaria até onde seu pai estava. A casa deles não era enorme, mas grande, não demoraria para chegar no cômodo que Zitao estava, mas devido ao meu nervosismo, senti que passaram horas.
— Pai, ela está aqui. – Han Dong disse ao abrir a porta depois de duas leves batidas na mesma. – Entra, Sana. – Completou depois de adentrar.
— Oi. – Falei um pouco baixo e o homem não respondeu. Julgo não ter ouvido ou pelo meu tom ou pela concentração que parecia ter em alguns papéis.
— Pai? – A chinesa tossiu para que conseguisse, finalmente, chamar a atenção de Zitao. – Ela já está aqui.
— Oh, desculpe. – Finalmente o homem levantou a cabeça e nos olhou. – Estava lendo uns processos que caíram em minhas mãos, nem notei a chegada de vocês. – Sorriu.
— Senta, Sana. – Minha amiga prontamente apontou uma poltrona e trouxe para mais perto de mim, quase me forçando a sentar. Talvez ela também esteja um pouco nervosa.
— Obrigada. – Respondi curtamente.
— Sana? – O homem levantou. – Minatozaki Sana, certo? – Assenti. – Trouxe o computador?
— Aqui. – Entreguei o aparelho.
— Vamos ver o que tem nele? – Perguntou retoricamente após retornar ao seu acento e abrir o laptop rapidamente. – Antes, gostaria de te alertar sobre algumas coisas. – Levantou a vista e me encarou. – Eu não a conheço, mas a estrada que tenho ao lado de seu pai é mais longa que a sua vida... – Riu fraco. – Acredito que saiba que eu e o Ichiro não nos damos nada bem, certo?
— 'Tô sabendo...
— Pois bem, o alerta que tenho a fazer é simples: caso você esteja bem intencionada, pode se deparar com coisas nada agradáveis sobre seu pai e pode ficar mal com o que verá. Está ciente disso, não é? – Assenti. – E caso sua intenção seja um contra-ataque, não vai conseguir arrancar nada de mim. Limitemos nossas conversas até que surja algo verdadeiramente importante, ok?
— Pai! – Han Dong disse num tom que julgo ser algo como "não precisa ser tão radical, não me mate de vergonha".
— Eu sei disso. – Respondi de imediato. – Pode me falar qualquer coisa, não sou uma espiã para o meu pai, isso não é um filme. – Revirei os olhos pela preocupação boba do homem sobre mim.
Ele não me respondeu. Estava falando sério quando disse que iria limitar nossa troca de palavras e seguiu em silêncio.
Han Dong estava ao lado dele e em pé, já Zitao estava sentado e com o notebook na mesa. Seu olhar era neutro, não conseguia ler suas emoções, nem ter palpites sobre seus pensamentos. Tentei, mas era impossível decifrá-lo.
Eu estava distante, não quis me aproximar do PC e ver as coisas sem um aviso prévio. Antes eu não queria admitir, mas agora vejo com clareza que tenho medo de que meu pai seja culpado de qualquer crime ou deslize.
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Velha Roupa Colorida | SaiDa
FanfictionDizem que amor e ódio andam de mãos dadas; Dahyun, uma menina com sonhos e muita sede de justiça, cruza o caminho de Sana, filha do homem que ela mais odeia. Será possível deixar de lado o rancor e a raiva afim de não estragar o único fio de esperan...
