Capítulo XXX

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William

O toque do celular me acordou, e o barulho do mesmo fazia parecer que minha cabeça ia explodir.
Assim que o peguei em mãos vi que tinha milhares de mensagens e centenas de ligações perdidas.

- Alô... - Falei ainda meio grogue.

- Que porra você fez?

- Como assim, Fábio?

- A conta do banco com o dinheiro da Máfia foi zerada, e consta que quem tirou a grana de lá foi você. Parece que foram feitas algumas doações, e agora estão te acusando de roubo.

- O que? - Perguntei em pânico. Ainda na linha abri o aplicativo do banco, e era verdade. Transações haviam sido feitas em meu nome, só podia ser coisa dela. - Puta merda... - Murmurei em choque.

- Vai William, pega suas coisas e some daí. Estão indo aí te matar.

- Obrigado. - Respondi apenas já desligando o telefone e correndo para vestir uma roupa. - MAITE! MAITE! - A gritei enquanto abria o cofre para pegar todo o dinheiro que tivesse ali.

- Diga, querido. - Falou sorrindo cínica aparecendo no quarto.

- Pega uma bolsa e coloque somente o necessário. - Eu queria matar ela, mas teria que ficar para depois, senão morreriamos os dois literalmente.

- O que? Pra que? - Perguntou confusa.

- Achou que ia sumir com o dinheiro da Máfia e ficaria por isso mesmo? Estão vindo nos matar. Pega logo as coisas, PORRA!

Ela rapidamente correu para o guarda roupa e pegava algumas peças.
Eles haviam chegado, o primeiro tiro havia sido dado.

Eu tomei as malas de suas mãos e a joguei em qualquer canto, não teríamos tempo. Peguei somente a bolsa com o dinheiro e segurei em sua mão e sai a arrastando. Espiei pela janela e muitos homens já estavam caídos pelo quintal.

- Não sei o que fazer... Não tem mais saída. Acabou.

Era isso, não tinha mais o que ser feito. Morreria, eu, ela e nosso bebê que nem se quer teve a chance de vir ao mundo.

- Está tudo bem, Maite? E o bebê? - Perguntou Josué surgindo do nada, todo preocupado. E naquele momento eu entendi quem era o outro.

- É você então, seu desgraçado! - Falei partindo para cima dele e lhe desferi um soco. Não tardou para eu receber outro. E logo já estava com uma arma em punho mirada em sua cabeça.

- William, pelo amor de Deus. - Falou Maite e entrou na frente. Ela estava protegendo o filho da puta.

- Eu sei de uma saída escondida.

- Leve-a, eu vou ficar.

- O que? Ficou maluco? - Perguntou Maite nervosa.

- Só minha cabeça bastará, vai embora, poderá finalmente viver sua vida em paz.

- Se você ficar eu também fico, afinal eu quem te coloquei nessa.

- Maite, me obedeça pelo menos uma vez e desaparece daqui. Não era isso que você queria?

- Não, porra! Eu queria a Máfia morta, não você.

Ficamos nos encarando por alguns segundos, mas o barulho na porta da frente era o sinal que em poucos segundos ela seria arrombada.

- Nos leve até a saída. - Falei por fim para Josué.

Ele foi correndo na frente sendo seguido logo atrás por mim e por Maite.

- CADÊ VOCÊ, LEVY?

Pude ouvir enquanto corríamos, descemos o porão quando já estava no último degrau uma risada chamou nossa atenção.

- Cheque mate.

Era aquele maldito Bruno, eu nem tive tempo de me virar já que senti um forte impacto nas costas. Ele havia atirado em mim. Eu grunhi de dor e cai, mas não fui o único, no mesmo momento o homem despencou escada abaixo com uma bala na cabeça. Arregalei os olhos quando vi que tinha sido Perroni a atirar nele.

- Misericórdia mulher, onde aprendeu a  atirar?

- Depois falamos sobre isso, agora vamos dar logo o fora daqui.

- Não sei se reparou, mas tem uma bala enfiada nas minhas costas.

- Porra de homem fraco, anda Josué, ajuda ele.

O homem revirou os olhos, mas finalmente me ajudou a levantar. Mais alguns passos e estávamos diante a uma porta que ele rapidamente abriu, e então estávamos livres.
Seguimos até um carro que estava estacionado, Josué foi dirigindo e Maite foi atrás comigo pressionando minha ferida para tentar diminuir a perca de sangue, mas eu sabia que não estava funcionando ao ver como tudo estava vermelho.

- Precisamos levar ele para um hospital. - Disse ela apreensiva.

- Impossível, nos encontrariam.

- Então vamos deixá-lo morrer assim? - Perguntou alterando o tom de voz.

- Deveria, pois é exatamente isso que ele merece, morrer a míngua, mas eu não sou tão cretino quanto ele, e vou dirigir até uma cidadezinha próxima, bem pequena parece até uma vila. Assim não correremos tanto risco.

- Aguenta firme, Levy. Se morrer por minha causa desgraçado, eu não te deixarei partir em paz.

Eu nem consegui responder, minha visão ficou turva e a última coisa que vi antes da escuridão tomar posse foi Maite derramar uma lágrima que caiu sob minha bochecha.

O Tutor Mafioso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora