Maite
Sinceramente não sei porque fui abrir minha boca e contar das minhas intimidades para William, eu devia saber que ele arrumaria uma forma de me chatear.
A única coisa que eu queria nesse momento era poder sair um pouco, como qualquer pessoa normal, ir ao shopping, sair um pouco dessa casa tóxica mesmo que por míseros minutos.
- Josué, venha cá.
O garoto que ia passando parou e se voltou para mim.
- Pois não, senhora?
- Sozinha não me deixarão sair, então faça o favor de me acompanhar.
- Para onde?
- Para o shopping.
- Já pediu permissão para o senhor Levy?
- Já sim, senão por que estaria lhe pedindo para ir comigo? Ele deixou, mas óbvio que com uma sombra atrás.
- Ok então.
- Vou subir para pegar minha bolsa e já volto.
Me segurei para não ir saltitando até o quarto, eu tinha que ser rápida antes que William se encontrasse com Josué e tudo estaria perdido, então só passei um batomzinho vermelho claro, coloquei uma sandália e peguei minha bolsa.
Quando desci o rapaz ainda estava no mesmo lugar, eu peguei em seu braço e fui praticamente o arrastando.
Respirei aliviada quando já estávamos portão a fora.
Durante o percurso nenhum de nós falou nada, e quando o shopping surgiu em minha frente eu sorri animada.
- Nem me lembro quando foi a última vez que fiz compras... - Falei empolgada quando ele estacionou o carro.
Graças ao meu site eu ganhava muito dinheiro, e assim não dependia de ninguém, podia gastar o quanto e com o que eu quisesse.
E naquela tarde foi exatamente isso que eu fiz, mesmo com Josué na minha cola 24 horas.
Eu estava vendo um vestido quando vi que o celular dele começou a tocar, provavelmente William já tinha sentido minha falta e o segurança do portão deve ter contado que eu sai com Josué de carro.
- Aí, me ajuda Josué. - Falei fingindo que havia torcido o pé, ele rapidamente guardou o celular no bolso e veio ao meu encontro. - Me ajude a sentar, por favor.
E enquanto ele me ajudava eu peguei o celular de seu bolso e discretamente o joguei dentro de minha bolsa.
- A senhora quer ir ao médico?
- Não, chame uma vendedora para me acompanhar até o banheiro.
- Eu não posso deixá-la sozinha.
- E vai me deixar fazer xixi nas calças?
Ele pareceu pensar por alguns segundos, mas então fez o que lhe pedi. Logo uma moça chegou e eu precisei continuar com o drama, ela foi me apoiando até o banheiro.
Chegando lá entrei em uma cabine e joguei o celular no lixo.
Depois saí como se nada tivesse acontecido.
- Obrigada pela ajuda, querida. - Falei para a mulher que sorriu e saiu em seguida.
- Melhorou?
- Sim, passei um papel molhado, melhorou bastante.
- Que bom, agora deixa eu ver quem estava me ligando e já vamos para a próxima loja que a senhora quiser. - Ele começou a revirar os bolsos e nada. - Acho que deixei o celular cair.
- Eu te ajudo a procurar.
E foi na maior cara de pau que fiquei cerca de 10 minutos procurando um telefone que eu sabia muito bem onde estava.
- Acho que me roubaram, vou falar com o segurança.
Eu então segurei seu braço.
- Dinheiro é o que não falta, depois William te dá outro. Hoje o dia é meu, e eu não ficarei atrás de você enquanto fica procurando um celularzinho mixuruca, o ladrão te fez foi um favor. - Falei dando de ombros e sai andando.
- Mas senhora...
- Você que sabe Josué, agora mesmo estou indo ao cinema. Vai lá procurar seu telefone, sabe onde eu estarei.
Ele ficou indeciso, mas tomou a decisão que eu sabia que tomaria, e então me acompanhou. O filme que estava passando era uma comédia romântica qualquer, o gênero de filme que eu mais odiava na vida, porque de certa forma aquilo te induzia a ficar pensando que um dia poderia viver um romance tão fofo como aquele, mas a realidade era muito diferente de adolescentes que se odiavam no colégio, começam um namoro de faixada, acabam se apaixonando e anos depois estão casados, felizes, com três filhos e um Golden.
Talvez existissem alguns poucos sortudos no mundo que teriam o privilégio de viver um amor de cinema, e como eu daria tudo para ser uma dessas pessoas...
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O Tutor Mafioso
RomanceUma das regras mais importantes da Máfia é sem dúvidas: A lealdade. E é por esse motivo que fui obrigado pela minha consciência e ética a me tornar tutor da filha de um dos meus irmãos, não é de sangue, mas a Máfia é uma família e isso não se discu...
