Capítulo XXVIII

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William

Naquela noite eu fui para meu escritório e bebi como a muito não bebia, saber que Maite podia estar se apaixonando por outro me atingiu de um modo que eu não esperava.

- DESGRAÇADA! - Gritei frustrado enquanto arremessava um copo contra a parede.

Eu ia descobrir quem era o maldito, só podia ser alguém aqui de dentro, já que Maite não sai para lugar nenhum. E quando eu pegasse o filho da puta, eu arrancaria as bolas dele e jogaria para os cachorros comerem.
Peguei o celular e liguei para Fábio, a fim de ter companhia para encher a cara, assim como fazíamos antes de eu me tornar "esposo" de alguém. Estava na hora de reagir, e voltar a ser o William de antes.
Ele topou prontamente, e marcamos de nos encontrar em um dos nossos bares.
Quando cheguei ele já me esperava sentado com uma garrafa de vodka em mãos e dois copos.

- Veja só, nem me lembro quando foi a última vez que bebemos juntos. - Disse enquanto já me servia uma dose.

- Nem eu. - Respondi a virando de uma vez.

- O que aconteceu? Desistiu de tentar ser um marido exemplar?

- Nunca tentei ser um.

- A não? E por que não passa mais as noites apostando e depois fazendo surubas?
- Apostar perdeu a graça, afinal sempre ganho. E suruba já não me agrada muito mais.

- Seja sincero, seu pau não sobe mais se não for pra dormir com a esposinha. - Disse rindo enquanto me dava um tapa nas costas e eu apenas revirei os olhos.

- Maite está grávida.

- O que? Não acredito. Vai reunir a família quando para dar a notícia?

- Em breve.

- Não era para estar feliz? Terá logo mais um herdeiro.

- Eu fiquei feliz, porra é um filho. Mas não era o momento.

- Se você fosse esperar o momento certo jamais teria um, afinal sua esposa é a justiceira.

- Eu tenho receio do que Maite é capaz de fazer.

- Acha que ela seria maluca a ponto de dar um jeito de tirar a criança?

- Não, mas seria maluca a ponto de pegar esse bebê e desaparecer no mundo. - Falei preocupado, eu conhecia muito bem aquela mulher. - E o pior, com outro homem.

- Como assim?

- Ela está se envolvendo com outro.

- Você os viu?

- Não, se tivesse visto o cara estaria morto. - Respondi nervoso.

- Como soube então?

- Ela me contou que se beijaram.

- Meu Deus... E você não a sentou na cadeira elétrica e a obrigou a contar quem era?

- Ficou doido? A mulher está grávida.

- Verdade...

- Ela quer uma vida longe disso, quer que vamos embora juntos para podermos criar nosso filho em paz.

- Você sabe que isso é impossível.

- Foi o que eu disse a ela.

- Pode parecer loucura o que vou dizer, mas e se você a deixar ir?

- Loucura é pouco para descrever tal frase. - Falei irritado.

- Finja um acidente, deixem pensar que ela morreu e a leve para morar numa fazenda no interior. Assim cumprirá sua promessa com André, estará cuidando da mulher e estará livre novamente.

- Primeiro acha que ela aceitará viver comigo a bancando? E segundo, eu... - Não consegui terminar a frase e ele me olhou me encorajando a continuar. - Não vou conseguir viver longe do meu filho... E dela.

Foi difícil dizer aquelas palavras, como se só naquele momento eu tivesse me dado conta que eu precisava dela, a simples menção de ter Maite longe de mim doía, não no corpo, mas na alma.

- É meu amigo, você caiu direitinho no canto da sereia. A Perroninha te fisgou de jeito, está amando a Dona encrenca.

Virei a garrafa, sentir a garganta queimando era menos incômodo do que imaginar que eu pudesse estar apaixonado por aquela filha da puta.

O Tutor Mafioso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora