Capítulo XL

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William

Quando vi Maite correndo até mim com o bebê nos braços eu cai de joelhos na areia agradecendo a todos os deuses por tal milagre, porque sim, escapar da Máfia era um.

- Meu amor... - Murmurei os abraçando quando ela se ajoelhou ficando em frente a mim.

- Precisamos voltar rápido para ilha, eles estão vindo atrás de mim.

Rapidamente a ajudei subir no barco, Josué, Fábio e Aiden haviam ido para me ajudar e já subiram também. Enquanto remavamos o mais rápido que podíamos vimos que eles já haviam chegado a costa.

- ABAIXEM! - Gritei me deitando sob Maite e nosso filho.

Logo tiros zarpavam pelo ar e pela água.

- E agora, o que faremos? - Perguntou Fábio. - Se levantarmos a cabeça para continuar remando seremos baleados.

Eu peguei o remo e continuei remando ainda abaixado, óbvio que a velocidade diminuiu, mas era melhor do que nada.
Logo os outros começaram a fazer igual.

- Água... Está entrando água. - Disse Perroni desesperada quando sentiu seu vestido molhar.

- Merda, merda, merda! As balas furaram o barco, em poucos segundos iremos afundar. - Disse Josué.

Ergui a cabeça para espiar e ainda faltava uma distância considerável até a ilha.
O bebê começou a chorar, o que só tornava tudo mil vezes mais agonizante. Maite também tremia em baixo de mim, e eu não sabia se era frio, medo ou os dois.
Aqueles malditos me pagariam caro, muito caro.
Quando já estávamos mais da metade molhados não haveria outro jeito.
Peguei a única boia redonda que ali tinha e agradeci pelo neném caber perfeitamente sob ela.

- Todos sabem nadar? - E para meu alívio todos concordaram.

- O que vamos fazer com nosso filho, William? Não podemos nadar oceano a dentro com um recém nascido. - Disse em pânico.

- Ele vai ficar em cima da boia e eu enquanto nadar irei o empurrando.

- Meu Deus... - Murmurou em pânico.

Josué tirou a camisa que usava e enrolou o bebê nela, apesar do mesmo estar usando uma roupinha claramente não seria suficiente para o frio que iriamos enfrentar em seguida.

- É agora ou nunca. Nos vemos na ilha, amigos. - Falou Aiden e pulou mar a dentro, e foi seguido por Josué e Fábio.

- Toma cuidado, qualquer coisa da um grito. - Falei dando um rápido selinho nela.

- Proteja nosso filho, não deixe que nada o aconteça, por favor. - Disse e saiu nadando em seguida.

Eu fiz uma rápida súplica e então coloquei a boia com o bebê na água, depois terminei de sair do barco.
Eu teria que ir o empurrando com uma mão e nadando com apenas um braço.
A água estava tão gelada que em poucos segundos eu já não sentia meu corpo, os primeiros movimentos foram tranquilos, mas nadar com apenas um braço era muito cansativo.
Meu coração quase saiu pela boca quando a boia deu uma tombada e quase que o neném caiu na água, mas eu consegui estabilizar a tempo. O problema era que agora ele também estava molhado, e eu não preciso ser nenhum especialista para saber que hipotermia em um recém nascido deve ser muito mais rápido que em um adulto. Aos poucos o choro foi cessando, e eu sabia que não poderia ser um bom sinal.
Tirei forças do fundo do meu ser para tentar nadar mais rápido, o problema é que parecia nunca chegar.
As lágrimas já se misturavam com a água salgada, eu sentia que estava o perdendo a cada segundo que passava.
Quando finalmente senti a terra sob meus pés eu corri, na margem todos estavam a nossa espera, exceto ela.

- CADÊ ELA? - Gritei enquanto corria até eles que já me esperavam com um cobertor em mãos, e enrolei o bebê nele. Enquanto ainda esperava uma resposta.

- Não sabemos, cuide de seu filho que nós entraremos no mar novamente para tentar encontrá-la.

- E POR QUE NÃO FORAM ATRÁS DELA ANTES, PORRA?

- William todos acabamos de chegar, eu que cheguei antes corri para pegar uma coberta. Fique calmo. - Disse Aiden.

Os 3 então partiram mar a dentro, enquanto eu segurava a criança no colo. Corri para a casa de Aiden que estava mais próximo, se eu não agisse rápido ele não iria resistir.
Rapidamente esquentei um leite que havia ali, não era apropriado, mas era melhor do que nada.
Depois fiz algumas massagens cardíacas nele, e aos poucos notei sua respiração voltando ao normal. Não havia uma mamadeira ali, mas encontrei uma seringa, e teria de servir. Aos poucos fui lhe dando o leite e suas bochechinhas começaram a ficar mais coradas. Eu agradeci mentalmente por isso. Depois corri até a casa de Débora, uma mulher que havia dado a luz recentemente.

- William? Encontram Maite e o bebê?

- Sim, mas ela se perdeu no mar. Eu preciso procurá-la. Pode ficar com meu filho, por favor? Eu o alimentei, mas está precisando de um banho quente. Pode fazer isso?

- Claro, cuidarei como se fosse meu. Rezarei para que encontrem rápido sua mulher, boa sorte. - Disse ela sorrindo fraco em sinal de força, enquanto pegava o bebê.

- Obrigado. - Falei antes de sair correndo.

Se algo tiver acontecido a Maite eu jamais me perdoaria, não havia sido capaz de protegê-la. E ela era a luz da minha vida, a que me dava forças para continuar, a que me mostrou o que era o amor.
Naquele momento eu era apenas um homem destruído nadando contra a maré, buscando minha razão de viver.

O Tutor Mafioso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora