Maite
Tudo ali era lindo, repleto de árvores, flores, pássaros, repleto de vida. Me sentei na areia para observar o pôr do Sol, e as ondas traziam a água até as pontinhas dos meus pés. Até mesmo o ar era diferente, era revigorante.
Lamentei não ter um celular para registrar aquele momento em minha frente, afinal eu não sabia até quando permaneceria ali. Infelizmente tivemos que nos desfazer de nossos aparelhos por serem facilmente rastreados.
- Pensando em que?
Não precisei olhar na direção para saber de quem se tratava, sua voz e seu cheiro bastavam para eu poder reconhecer.
- Em nada demais, apenas admirando a paisagem.
William caminhou e se sentou ao meu lado.
- Como está seu machucado? - Perguntei.
- Alguns pontos se soltaram devido a todos os ocorridos, mas nada demais. Vou sobreviver.
- Que bom. Sabe... Juro que pensei que você nunca mais voltaria a se quer olhar na minha cara.
- Por que?
- Oras, eu destruí sua vida. - Falei como se fosse óbvio. E ele respirou fundo antes de me responder.
- Eu tenho vontade de te matar a cada segundo, olha onde eu vim para por sua culpa. Perdi minha casa, meu carro, meu dinheiro, meu poder... Mas você está grávida de um filho meu, o que eu poderia fazer?
- Só não me matou por que carrego seu filho?
- Na realidade se não fosse essa criança eu teria permitido que ME matassem, e ai você ficaria por sua conta e risco.
- Teria sido tudo mais fácil se você tivesse desencanado daquela maldita promessa que fez ao meu pai.
- Eu sou um mafioso de verdade, Maite. Ser da Máfia significa ser leal até o último segundo, dar o seu sangue pelo do próximo. Seu pai deu a própria vida pela minha, como eu poderia negar a ele uma coisa tão simples quanto proteger a filha dele?
- Josué também lhe devolveu a vida, e você não parece sentir a mesma gratidão.
- Óbvio, são coisas completamente diferentes. - Reapondeu nervoso.
- Eu não acho, afinal ele é seu irmão de verdade. Meu pai era apenas de consideração.
- Não interessa.
- Ele não tem culpa, William. Josué não pediu para ser um bastardo.
- Meu pai se reviraria no túmulo se eu aceitasse como irmão um filho não legítimo.
- Seu pai está se revirando desde o momento em que se casou comigo, não tenho dúvidas.
Ele riu de meu comentário, e eu não consegui evitar de sorrir também.
- É verdade... Ele teria me arrancado uns par de dentes se estivesse vivo.
- Ou então lhe capado para evitar que nos reproduzissemos, ele morreria de desgosto por ter seu único herdeiro se casando com uma filha rebelde de prostituta e que vendia conteúdos sexuais na internet.
- De qualquer modo ele escolheu uma mulher tão pura, tão angelical, que ficou grávida de outro...
- Não fale assim, a gente nunca saberá o que sua mãe passou de fato. Ela deve ter sofrido nas mãos do seu pai também.
- Quer saber? Prefiro não pensar muito nisso, e focar no futuro. Estou preocupado com você nessa ilha isolada, como vai ir ao médico fazer as consultas rotineiras? E ser der alguma complicação e nós aqui nesse fim de mundo?
- Viu quantas crianças coradas e saudáveis tem por aí saltitando para lá e para cá? Tenho certeza que todas foram concebidas aqui.
- Mesmo assim me preocupa muito.
- Deixe de bobeira, vai dar tudo certo.
- Maite.
Como ele nada mais disse eu o encarei, e mordi os lábios com tamanha a intensidade com que ele me olhava.
- Sim?
- Você me pediu para fugirmos quando descobrimos a gravidez, para podermos viver uma vida tranquila, em paz, longe da Máfia. Então cá estamos, mais em paz que isso eu acho meio difícil. Agora então será que podemos tentar de novo? Vai ser difícil viver aqui, mas eu vou me acostumar, e quero muito que sejamos uma família.
- Eu não sei... - Falei desviando o olhar e já me levantando.
Ele rapidamente se pos de pé e me impediu de andar, segurando firme em meu braço.
- Por que? O que te impede agora de ser minha esposa? É o desgraçado do Josué? - Perguntou irritado.
- Você não se livrou da Máfia por vontade própria, as circunstâncias te obrigaram. Se fosse por você estaríamos lá até agora, nosso filho cresceria e se fosse menino com 10 anos já seria obrigado a sair em missão para aprender traficar, matar, torturar... E se fosse menina seria castigada cada vez que sentasse curvada na cadeira ou quando trocasse os talheres na hora da refeição. Em nenhum momento você pensou no bem estar desse bebê, apenas em si mesmo.
- Porra! Lá eu poderia proporcionar a essa criança tudo do bom e do melhor, e aqui o que eu tenho a oferecer? Eu não tenho nem a onde cair morto!
- Dinheiro não é tudo, William. Você pode não ter a droga de um berço de ouro para oferecer, mas pode dar amor e carinho e te garanto que será mil vezes melhor e mais importante. Nós dois tivemos de tudo que o dinheiro permitia adquirir, mas nunca tivemos o mais essencial de tudo que era a felicidade, e isso meu querido é a única coisa que grana nenhuma pode comprar. - Ele abaixou a cabeça evitando me encarar e afrouxou os dedos de me braço. - É muito difícil de admitir, mas eu gosto de você. E posso sim a vir lhe dar uma segunda chance, mas para isso você terá que fazer por merecer.
E então eu parti o deixando sozinho para que pudesse pensar. No fundo eu queria dizer que sim, eu seria sua mulher, mas eu também sabia que tudo que vem fácil não é valorizado.
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O Tutor Mafioso
RomanceUma das regras mais importantes da Máfia é sem dúvidas: A lealdade. E é por esse motivo que fui obrigado pela minha consciência e ética a me tornar tutor da filha de um dos meus irmãos, não é de sangue, mas a Máfia é uma família e isso não se discu...
