Capítulo XXXVI

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William

Já fazia mais ou menos um mês que estávamos ali, e aos poucos eu sentia que estava me tornando um deles. O modo simples que eles viviam a princípio me assustou demais, mas eu fui me acostumando e cada dia eu estava mais contente.
Eles quase nunca iam até a cidade, somente alguns poucos dias do mês para vender o que ali era produzido e depois era repartido igualmente por família. Eu ajudava mais na parte das construções, como erguer uma nova casa, furar um novo poço, coisas desse tipo. Josué preferiu se dedicar a parte das plantações e Fábio... Bom, Fábio se tornou uma espécie de meretriz. Sua fama de bom de cama se espalhou pela Ilha, e as mulheres em segredo passou a procurá-lo, a principio ele ficava com elas apenas por prazer, mas percebeu que poderia lucrar com isso e começou a cobrar, para ele era o emprego dos sonhos.

- Não vai acreditar quem frequentou minha cama ontem a noite. - Disse sorrindo perverso enquanto eu lhe entregava uma xícara de café.

- Tenho até medo de perguntar. - Respondi enquanto me sentava na mesa, seguido por ele.

- A Débora.

- Ela é casada! - Falei nervoso. - Se isso vier a tona podem foder com você e com a gente que nem tem nada haver e nos mandar embora.

- Relaxa, ninguém ficará sabendo. A coitada está no auge dos 25 anos, casada com um velho de 70 que não consegue fazer nada além de babar em cima dela. - Respondeu dando de ombros.

- Um velho que vive nessa ilha desde que nasceu, então meu amigo entre ele e você pode ter certeza que o escolheriam.

- A mulher não queria se casar, mas foi um pacto entre seu pai e ele. O pai dela estava morrendo e não queria partir antes de vê-la casada, e na época o único que aceitou o casamento as pressas foi o velho, e já sabemos o motivo, né? Carninha nova.

- Só toma cuidado.

- Cuidado com o que? - Perguntou Maite surgindo na cozinha.

Eu sorri involuntariamente, ela parecia ficar mais bonita a cada manhã. Seus olhos brilhavam de um modo diferente, era notável o quanto a gravidez lhe fazia bem.

- Nada não, apenas Fábio e suas maluquices.

- Por falar nisso, hoje Jane me perguntou de você. Por acaso andou prestando serviços a ela também? - Disse se sentando ao meu lado e pegando um pedaço de pão.

- O que posso fazer se sou irresistível?

- O que você pode fazer eu não sei, a única coisa que sei é que ela acha que está grávida.

- O que? - Perguntou arregalando os olhos. - Misericórdia! - E saiu quase correndo.

Maite caiu na gargalhada.

- Você inventou isso, né? - Perguntei.

- Sim, você viu a cara que ele fez? - Respondeu quando conseguiu cessar o riso.

- Você ri, mas ele deve estar ganhando mais dinheiro que nós dois juntos nessa brincadeira.

- Está pensando em vender seu corpinho nu também? A mulherada iria pirar, elas são gamadas nas suas tatuagens.

- Quando eu levo uma mulher para cama a última coisa que ela repara é na tatuagem, meu bem. - Respondi sorrindo malicioso.

- A é? Me mostre então.

Então eu a beijei com selvageria, enquanto guiei sua mão até meu membro por cima da calça para que ela pudesse apalpa-lo.
Maite e eu estávamos em uma fase interessante de flerte, estávamos fazendo aquilo que deveria ser feito no início de um namoro já que pulamos todas essas partes. Foi difícil, mas finalmente ela vinha cedendo aos poucos.
Um barulho chamou nossa atenção, e nos separamos. Era o mala do Josué que trombou em uma cadeira, parecia que ele sempre sabia a pior hora para aparecer.

- Vim apenas pegar um café, podem continuar aí. - Disse pegando uma xícara e saindo em seguida.

- Fico com pena dele, Josué foi muito bacana comigo desde o início. - Falou Maite cabisbaixa.

- Ele vai ter que superar, quando decidiu se engraçar com você já estava ciente que você era casada comigo.

Mesmo com o passar do tempo Josué e eu não havíamos tido nenhum tipo de aproximação, se durante todo o mês trocamos três palavras era muito.
E por mim continuaria assim.

- Como anda a construção da nossa casa? - Questionou ela mudando de assunto.

- Muito bem, todos estão se empenhando.

Como nossa estadia ali na ilha parecia que seria definitiva conversamos com Aiden e pedimos permissão para construir uma casa para nós, apesar da casa ali ser muito espaçosa e tudo mais não deixávamos de ser visitas, e queríamos ter um lugar para chamar de "Lar", principalmente para quando o bebê chegar. Mas como nem tudo são flores, na mesma casa irá morar eu, Maite, Josué e Fábio.
Todos os homens da ilha ajudavam como podiam, começávamos ao nascer do Sol e só parávamos quando não conseguiamos mais enxergar nada.
Eu aprendia demais com eles, aprendi a importância da união, e como é bom fazer o bem ajudando o próximo.
Desde o início todos foram super receptivos e prestativos, mesmo sem nos conhecer e aquilo me ganhou demais.
Não tinha como negar que eu tinha um grande afeto por todos ali agora.

- Finalmente encontrei vocês, estamos todos reunidos lá fora. Acendemos uma fogueira e fizemos chocolate quente e pipoca, venham. - Disse Aiden.

Prontamente o acompanhamos, os adultos todos sentados em volta da fogueira comendo e conversando. Os adolescentes estavam mais afastados conversando entre si, e as crianças correndo para lá e para cá.

- Eu estou muito feliz aqui. - Confessei para Maite.

- Eu também.

Ela sorriu alisando meu rosto antes de depositar um rápido selinho em meus lábios.
Eu jamais pensei que a vida fora da Máfia poderia ser tão encantadora como vinha sendo. E aos poucos eu ia esquecendo daquela vida infernal que um dia fiz parte.

O Tutor Mafioso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora