25-Leonor Almeida

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Estava sentada no jardim quando senti alguém se aproximar de mim e quando levantei a cabeça vi o meu pai se sentar ao meu lado.

Eu fechei o meu caderno de desenho e olhei para ele que sorria para mim.

-Diz lá o que foi que eu fiz desta vez-revirei os olhos fazendo o meu pai rir.

-Mas fizeste alguma coisa?-ele levantou uma sobrancelha.

-Sei lá...-encolhi os ombros-andas tão entretido com a Constança que às vezes parece que te esqueces que tens uma filha-desviei o meu olhar do seu-só vens ter comigo quando é para me repreenderes de algo.

-É assim que tu vês as coisas?-ele perguntou-não me esqueci que tenho uma filha...uma filha muito ciumenta por sinal-ele riu.

Tirei os meus olhos da piscina e olhei para ele de cara feia.

-Amo muito a Constança de facto-o meu pai olhou para o horizonte sorrindo-depois da morte da tua mãe há cinco anos atrás pensei que nunca mais iria encontrar a felicidade. Sempre vivi para ti e para o teu bem estar. Não podia deixar que nada te faltasse e nada te acontecesse-ele olhou nos meus olhos-não confiava em ninguém nem deixava ninguém se aproximar de nós com medo de te magoarem, mas quando vi a Constança entrar pelo quarto do hospital...-ele sorriu com os seus olhos brilhantes-era como se uma nova luz entrasse na minha vida novamente.

Observei o meu pai e todo o amor com que ele falava de Constança. Ele amava muito aquela mulher eu via nos seus olhos, eu sentia.

-Apesar da Constança ser um lobo...eu sabia que podia confiar nela.

Ele respirou fundo.

-Ela conseguiu tirar-me daquele abismo de solidão em que eu estava frequentemente-ele pensou-eu só existia  por ti filha-olhamos nos olhos um do outro-eras a razão do meu viver, da minha existência. Se não fosses tu, eu já teria desistido da vida há imenso tempo.

-Pai...-olhei para ele preocupada.

-Nunca me esqueceria de ti-ele abriu os seus braços e eu encostei-me no seu peito-não te trocaria por nada deste mundo, nem por uma mulher...mesmo que a amasse muito eu sempre te escolheria e sempre te vou escolher. Serás sempre a mulher número um do meu coração-rimos das suas últimas palavras.

-Eu amo-te tanto pai-beijei a sua bochecha.

-não me aguentaria se algo te acontecesse também.

-Não me acontecerá nada pai-sorri encostando a cabeça no seu peito novamente.

-Sei que não gostas muito da ideia de eu e a Constança termos um relacionamento, mas podias fazer um esforço para se darem bem?

-Sim-falei apenas.

-Ela gosta muito de ti-ele sorriu.

Eu apenas o ouvi muito atenta às suas palavras.

-Posso fazer-te uma pergunta pai?-saí do seu abraço e olhei para ele.

-Todas.

-Tu e a Constança...bem, vocês já...-bufei.

Eu não sabia como iria perguntar uma coisa daquelas para o meu pai, o meu próprio pai. Era estranhamente estranho.

-Aff...-bufei-vocês já dormiram juntos?-olhei para ele à espera que me repreendesse, mas ele apenas sorriu.

-Ainda não-ele negou rindo-mas espero que isso aconteça um dia-ele encolheu os ombros pensando em algo-a Constança afasta-se de mim sempre que eu tento algo com ela-ele coçou a cabeça visivelmente preocupado com algo.

-Humm...-bufei-e se isso acontecer?-olhei cautelosa para o meu pai.

-O que tem se isso acontecer?-olhou para mim curioso.

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