14-Leonor Almeida

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Assim que aqueles dois homens saíram pela porta eu e Constança olhamos uma para a outra e nada dissemos.

Queria tanto voltar a falar com ela, mas ainda sinto que não estou preparada para fingir que nada aconteceu.

Eu virei costas para ir para o meu quarto, mas quando cheguei ao corredor olhei para trás para ver se algum dos funcionários estavam ali e como não se encontrava ninguém, eu virei no corredor à direita e entrei outra vez naquela mesma porta da noite anterior.

Eu tinha passado ali a noite, pois adormeci e não queria nunca mais sair dali.

Continuei a vasculhar tudo naquela sala e a cada coisa que encontrava ou lia, eu ficava mais fascinada, mas eu ainda tinha uma dúvida:Porque será que Constança mantinha uma sala com armas de prata dentro da própria casa visto que ela e a sua família são lobos e não resistem à prata?

-Vai-se lá entender...-falei comigo mesma ao me aproximar outra vez daquele maravilhoso arco branco com detalhes dourados.

Estiquei a minha mão para pegar nele e assim que o consegui alcançar sorri satisfeita. Peguei numa flecha de prata e posicionei o arco e flecha na direção de um ponto na parede contrária.

Estava com uma enorme vontade de usar aquilo como deve ser, mas seria muita ousadia da minha parte, por isso voltei a colocar aquilo no sítio para não estragar nada.

Olhei para toda a sala e sorri.

-À noite eu volto...-saí dali fechando a porta e fui para o meu quarto.

Vesti uma roupa e calcei uns sapatos.

Estava a arranjar o meu cabelo quando comecei a ouvir vozes vindas do andar debaixo.

Será que o meu pai e Gustavo já tinham voltado?

Sorri.

Saí do quarto e desci as escadas apressada quando vi umas pessoas estranhas na sala de estar com Constança.

-Ah então é esta a humana que tu proteges Constança?-a mulher mais velha falou olhando para mim.

Constança olhou para trás olhando-me nos olhos. Ela assentiu na minha direção e eu soube que podia me aproximar delas.

Eu muito lentamente me aproximei dela e fiquei ao seu lado de frente para aquelas duas mulheres. A mulher mais velha, a que falou, parecia ter mais ou menos a idade de Constança e a outra menina parecia ter mais ou menos a minha idade, talvez fosse um pouco mais velha que eu.

-Como vocês descobriram?-Constança olhou séria para as duas.

-Não se fala outra coisa na alcateia-a mais velha voltou a falar.

-O que estás aqui a fazer?-a mais nova perguntou-me.

-Não entendi-olhei para ela confusa.

-O Gustavo é meu-ela avançou na minha direção.

-Tu és louca miúda?-levantei uma sobrancelha-do que estás praí a falar?

-Eu já estou comprometida com o Gustavo-ela riu sinica-agora podes voltar por onde vieste e desaparece.

-Ela bebeu ou comeu alguma coisa estragada?-olhei para Constança que segurou o riso, talvez pela minha ousadia.

-Leonor, esta é a Lila e a sua filha Magda-Constança começou a falar-há uns tempos atrás ficou decidido entre as nossas famílias de que se o meu filho Gustavo não encontrasse a sua companheira que Magda se tornaria sua e...

-Exatamente isso que ouviste sua aproveitadora-Magda falou.

Revirei os olhos.

-Mas isso já não é válido desde que o Alex morreu-Constança olhou nos olhos de Lila-como não houve nenhum contrato nem nenhuma assinatura, então nada feito-Constança bufou.

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