48-Leonor Almeida

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Decidi ficar os próximos três dias em casa com a minha filha Ana até ela recuperar a cem por cento e visto que ía ficar em casa, Maria não iria à creche durante esses três dias também. Íamos ficar as três em casa não só pela recuperação de Ana, mas também porque eu estava receosa com os supostos exilados que ainda estariam pela alcateia.

Agora que sou mãe sei o sofrimento e a preocupação em que ficamos quando se trata da segurança dos nossos filhos, coisa que não temos consciência quando somos adolescentes e somos apenas os filhos e não temos grandes responsabilidades.

Lembro-me perfeitamente do momento em que os meus pais me disseram que Ana tinha sido atacada e todo o meu corpo entrou em colapso quando percebi que poderia ter perdido a minha filha. Não aguentaria se uma coisa dessas acontecesse. Acho que não suportaria toda essa dor e angústia.

Saí dos meus pensamentos quando Ana entrou pelo escritório dentro em passos apressados e assim que levantei os meus olhos do computador prendi a minha respiração ao ver o objeto que ela trazia nas suas mãos.

Levantei-me da cadeira muito rapidamente e contornei a mesa ficando de frente para a minha filha.

-Onde encontraste isso?-olhei para ela assustada.

-Encontrei na sala da avó...-Ana falou empolgada-não é bonito?

Engoli em seco quando vi a minha filha admirar o arco e flecha que era de Constança e que depois passou a ser meu.

-Não devias de tocar nisso-falei me aproximando dela lentamente-isso é perigoso Ana.

-Era da avó?-ela sorriu com os seus olhos brilhantes.

-Dá-me isso Ana-estiquei a minha mão na sua direção para que ela me desse aquele objeto.

-Deixa-me só ver-ela falou ainda admirando aquilo-não achas lindo?

-Acho perigoso-comecei a ficar desesperada.

-Porque achas que a avó tinha este arco?-ela franziu a sobrancelha-não me lembro de algum dia ter visto a avó a usar isto-ela pensou.

-Já chega-peguei naquele objeto tirando-o das suas mãos e pousei-o em cima da mesa atrás de mim-isto é muito perigoso para meninas da tua idade, nem sequer o devias de ter encontrado-respirei fundo-porque foste à sala da avó? E porque andaste a mexer nas coisas?

-Porque eu gosto daquela sala-ela falou como se fosse óbvio-e qual é o problema de eu gostar desse arco? Não é como se eu fosse sair por aí a atirar em todos os que me aparecerem à frente.

-Eu sei eu sei...-virei costas e respirei fundo-mas só me promete que não voltarás a tocar em qualquer objeto que te magoe a ti ou qualquer outra pessoa-voltei a virar de frente para a minha filha.

-Mas mãe...

-Promete-me Ana-olhei séria para ela.

-Prometo-ela fez cara feia quando cruzou os braços.

-Obrigada-fiquei um pouco mais descansada-agora é melhor ires para o teu quarto descansar mais um pouco-beijei a sua testa sorrindo.

-Está bem-Ana concordou olhando uma última vez para o arco e então saiu do escritório.

Olhei para o arco atrás de mim e apoiei as mãos na mesa observando aquele objeto à minha frente.

Sorri assim que toquei nele com as pontas dos dedos.

Como eu tinha saudades de o usar.

Acho que deixei de o usar a ele e a qualquer outra arma desde que Matteo nasceu e me tornei mãe.
Prometi a mim mesma que deixaria de usar todos e quaisquer objetos que pudessem magoar qualquer um e sinceramente eu já nem me lembrava dele para ser sincera...até agora.

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