50-Constança Paganni

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Observei Leonor ir ao encontro de uma das nossas empregadas ao qual ela lhe entregara alguma coisa, mas logo Leonor se sentou e terminou o seu pequeno almoço sem mais nada dizer.

Gustavo e Matteo despediram-se de todos assim que terminaram e saíram para trabalhar, já as minhas netas, Ana e Maria logo subiram até ao quarto de Ana juntas e só restaram eu, Davi e Leonor.

-Está tudo bem Leonor?-olhei para ela desconfiada.

-Eu não sei...-ela pensou um pouco.

Eu e Davi olhamos um para o outro e depois voltamos a olhar para a nossa filha que tirava alguma coisa do seu bolso.

-O que é isso filha?-Davi olhou para Leonor.

-É uma carta...-ela levantou a cabeça e olhou nos olhos do pai-da...mãe!?

Senti todo o meu corpo se arrepiar com as suas palavras.

-Como assim?-Davi levantou-se e sentou-se ao lado da filha pegando na carta-é a letra dela...

Respirei fundo ao olhar para os dois.

Não podia ser a Ana...podia!? Mas ela tinha morrido, certo? Mas e se...

-Abre...-Davi falou inquieto.

Leonor olhou para a carta nas suas mãos durante uns segundos e, então, com as suas mãos trémulas abriu a carta e leu o que nela estava escrito. Ao longo da carta Leonor deixava cair mais lágrimas, uma atrás da outra.

Comecei a sentir um mal estar dentro de mim. Não estava a gostar da reação que Leonor estava a ter com aquela carta e deixava-me muito preocupada e confusa ao mesmo tempo.

-Isto não pode ser verdade-Leonor levantou-se da sua cadeira lavada em lágrimas.

Ela andou de um lado para o outro enquanto lia e relia a carta vezes sem conta.

-O que diz a carta?-Davi levantou-se aproximando-se da filha.

-Vê com os teus próprios olhos-Leonor entregou a carta ao pai e tentou respirar fundo.

Observei Davi e todas as suas reações à leitura daquela carta e prendi a respiração quando ele terminou e olhou na minha direção com os seus olhos amarelos.

Aquilo era mau sinal.

-O que se passa?-olhei para eles temerosa.

-Ana está viva-foi tudo o que eu consegui ouvir.

Tudo à minha volta andava em câmara lenta e por mais que eu soubesse que Davi estava a falar, eu não conseguia perceber nem ouvir o que ele dizia.

Levantei-me da cadeira muito lentamente e encarei Davi.

-Posso ver?-referi-me à carta.

Davi entregou-me a carta e eu li temerosa.

"Querida filha.

Após tantos anos longe uma da outra venho escrever-te esta carta para que me perdoes por te ter mentido sobre a minha morte. E antes que perguntes o Davi não sabia que eu estava viva. Ele, tal como tu, pensavam que uma daquelas criaturas me tinha morto. Acontece que quando fui atacada e desmaiei nos braços do teu pai, logo a seguir um lobo me salvou transformando-me num lobo. Luís Simões era o nome dele.
Queria pedir que nos encontrássemos para te esclarecer e dizer pessoalmente o porquê de o ter feito e só agora me revelar.
Peço que independentemente de tudo e de qualquer coisa me perdoes por toda a dor e sofrimento que tenhas passado e sentido um dia devido à minha ausência.
Quero te alertar para alguns perigos que possas vir a ter num futuro próximo. Existe uma única pessoa causadora de todo esse perigo: a antiga Luna da alcateia.
Não sei quem é a atual Luna, mas queria dizer para te protegeres e não confiares na outra Luna meu amor.

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