33-Leonor Almeida

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O jantar até estava a ser tranquilo, mas eu estava com uma sensação estranha. Era como se algo não estivesse bem. Como se eu estivesse a ser observada. Mas por quem?

Olhei para todos os convidados à minha volta e nenhum parecia suspeito, pois estavam todos entretidos a jantar com as suas famílias e amigos.

-Está tudo bem?-sentei-me direita quando ouvi a voz de Constança.

-Sim-eu assenti.

-Pareces estar um pouco desconfortável-Constança olhou preocupada-queres voltar para casa?

-Não-neguei-eu estou bem.

Constança apenas concordou.

Olhei tudo à minha volta e como não vi nada suspeito voltei a virar-me para a frente e assim continuei todo o jantar.

Durante o jantar algumas pessoas que deviam de ser importantes na alcateia foram até a um pequeno palco montado em frente às mesas e falaram algumas palavras às quais eu não prestei muita atenção.

Estavam todos a conversar quando Caetana, irmã de Constança, começou a falar comigo.

-Que idade tens Leonor?-ela olhou para mim curiosa.

-Quase 18 anos-sorri-faço anos daqui a duas semanas.

-Uau então estás quase a atingir a maior idade-Caetana pensou-e já terminaste a escola?

-Sim-assenti-estou agora de férias de verão...ou deveria de estar-sussurrei a última parte.

Acho que já nem me lembrava desta parte da minha vida. Tudo anda tão diferente ultimamente.

Este ano as escolas fecharam um mês mais cedo por causa das invasões dos exilados e desde aí que não saímos muito de casa por termos medo que os outros sejam exilados disfarçados.

Eu devia de estar de férias e a divertir-me, mas o certo é que este ano nada disso está a ser feito.

-E queres seguir para a universidade?-foi a vez de Aurora perguntar.

-Adorava-sorri só de imaginar.

-E o que querias seguir?-Aurora voltou a perguntar.

-Ainda não tenho a certeza, mas ainda tenho mais algum tempo para pensar nisso-sorri.

Saímos da nossa conversa quando o nome de Gustavo foi ouvido e ele teve de subir naquele pequeno palco para falar algumas palavras, praticamente tudo agradecimentos.

Enquanto ele falava eu observava-o e senti as minhas bochechas queimarem um pouco.
Ele estava realmente lindo naquele seu smoking bordeaux e só agora é que me dei conta que vínhamos a combinar. Tenho a certeza que Constança não queria deixar despercebido e dar a entender que estávamos juntos, o que não era verdade.

Sorri um pouco ao pensar em como a Constança era louca.

Voltei a encarar Gustavo quando alguém das mesas fez aquela pergunta chamando assim toda a atenção para ele e alguma para mim também.

-Já encontrou a sua companheira?-a voz de um homem soou por todo o grande salão de jantar.

Engoli em seco quando os meus olhos se cruzaram com os de Gustavo. Ele nada disse, só me encarava pensativo.

Senti alguns olhares sobre mim e tentei desviar o meu olhar para algum lado, mas para onde quer que eu olhasse lá estavam mais olhos na minha direção.

Merda.

-Não...-Gustavo respondeu-não encontrei a minha companheira-voltei a encarar Gustavo um pouco incomodada.

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