44-Leonor Almeida

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Faziam quatro meses que eu descobrira que estava grávida e contara à nossa família durante o jantar. Constança e a avó Aurora sorriram quando ouviram as minhas palavras, eu acho que elas já estavam desconfiadas que isso poderias acontecer. Já o meu pai quase teve um surto quando ouviu a notícia.

Lembro-me perfeitamente de ter ido buscar um copo de água com açúcar para ele se acalmar. Assim que o bebeu todo de seguida, ficou mudo por mais alguns minutos. Por momentos pensei mesmo que ele iria ficar tão chateado comigo, mas ele logo sorriu e me abraçou feliz por ser avô.

Agora encontrava-me aqui no escritório a estudar para as provas da universidade quando Constança entrou pela porta apressada enquanto fechava o seu roupão atrapalhada.

Sorri quando a vi se sentar ao meu lado.

Ela e o meu pai estão cada vez melhores no que toca ao amor. Eles amam-se tanto que às vezes parece que se esquecem que têm uma vida fora das quatro paredes do quarto. Já eu e Gustavo estamos muito felizes com esta nova etapa da nossa vida, mas muito nervosos também.

-Atrasada de novo-olhei para Constança.

-Desculpa-ela falou ofegante-tive um imprevisto e...

-Um imprevisto chamado Davi?-levantei uma sobrancelha rindo da sua cara-o que é? Já é terceira vez esta semana que quase te esqueces de mim, mas não te vou censurar...-encolhi os ombros rindo.

-Não me esqueço nunca de ti meu amor-Constança sorriu-só estava um pouco ocupada-as suas bochechas coraram.

-Claro-assenti rindo.

Constança tem-me ajudado a perceber melhor a matéria, visto que ela é médica e eu estou a tirar o curso de medicina e me tornar médica um dia mais tarde.

Olhei para Constança e sorri.

Eu queria ser como ela.

Passamos o resto da manhã fechadas no escritório a estudar juntas até à hora de almoço.

-Bem, eu vou tomar um banho e já venho almoçar contigo-Constança beijou a minha testa e saiu do escritório.

Eu arrumei os meus livros e cadernos e levantei-me, mas logo senti uma tontura chegar e voltei a sentar-me.

Respirei fundo.

-Hey...-senti umas mãos à minha volta-estás bem meu amor?

-Foi só uma tontura-olhei para Gustavo que me ajudou a levantar.

-Não te posso deixar sozinha e...

-Gustavo...-revirei os olhos-eu já estou bem, só preciso de comer, estou cheia de fome, ok?

-Tudo bem-ele concordou.

Senti a mão de Gustavo pousar na minha barriga de pequenos quatro meses e sorrimos quando sentimos o nosso menino se mexer.

-Ele mexeu-Gustavo sorriu fazendo-me sorrir também.

Há duas semanas atrás descobrimos que vamos ter um menino e Gustavo delirou com a ideia de termos um filho rapaz para o suceder como Alpha um dia mais tarde.


Cinco meses se passaram...

Era uma manhã completamente normal como todas as outras e estávamos a tomar o pequeno almoço todos juntos quando comecei a sentir um desconforto no fundo da barriga.

-Constança?-olhei para ela-estou com um enorme desconforto na barriga-queixei-me.

-É melhor descansares-ela levantou-se-eu vou contigo.

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