Amanda.
- Qual é o seu problema? — Antônio disse da forma mais grosseira possível.
Eu nunca havia o visto daquela maneira, ele parecia uma bomba relógio prestes a explodir.
O que me assustou totalmente.
- Antônio, por favor. — falei olhando-lhe nos olhos enquanto algumas pessoas em volta nos olhavam.
Mas ali eu vi aqueles olhos cor de jabuticaba tomado em raiva e não consegui manter o contato visual por muito tempo.
- Problema nenhum cara, você é que tá muito estressado — Rodrigo retrucou — mas abaixando o tom de voz depois de uma encarada fervorosa de Dani que deu medo até mesmo a mim.
- Só tô tentando entender qual é a tua... — foi a tréplica de Antônio ainda extremamente irritado
- Qualé galera, do nada esse vibe nada a ver? — Fred falou tentando desviar o assunto.
Rodrigo deu um riso frouxo no caminho e Antônio seguiu com seu olhar furioso.
E eu não conseguia falar nada, não conseguia me mexer, talvez eu não tivesse nem conseguindo respirar, minha mão que até essa altura estava na coxa de Antônio, já tinha se retirado dali espontaneamente.
Não estava entendendo a atitude de Antônio, não aconteceu absolutamente nada demais que justificasse essa reação exagerada, ainda mais em público e daquela maneira.
Larissa me olhava atômica, Fred tentava aliviar o clima tentando apaziguar a situação e eu continuava muda.
Era como se eu esquecesse como falar, como agir ou como me expressar.
O que raios está acontecendo aqui?
- Cara, foi mal se você entendeu errado. Eu só estava empolgado pra ir na escola com elas, só isso. Somente isso! — Rodrigo tentou encerrar o assunto.
Houve tentativa, principalmente da parte de Fred em continuar com a noite que até então estava sendo surpreendente agradável, mas pra mim já não dava mais.
Antônio estava perdido em seus próprios pensamentos e parecia nem estar ali mais e sinceramente, eu desejaria não estar também.
- Pessoal, acho que vou indo — falei — o que fez Antônio sair do seu casulo de pensamentos na hora e direcionar seus olhos minha direção.
- Vamos, eu te levo. — Antônio me respondeu.
- Não precisa, pode ficar, eu pego um Uber — falei — já consciente que ele provavelmente iria querer conversar sobre o que aconteceu aqui, porém, eu estava sem cabeça pra isso.
- Faço questão — ele falou já se levantando — Fred, Lari, vocês vem?
Olhei pra Larissa imediatamente quase que implorando para que ela aceitasse a carona, definitivamente não queria estar sozinha com Antônio agora.
- Vamos! Estou cansada! — Lari respondeu entendendo minha súplica pelo olhar.
- Já? Poxa, mas eu queria ficar — Fred fez biquinho em sua direção.
- Pode ficar então amor, mas eu vou embora. — ela insistiu — e dei graças a Deus por isso.
- Não, se é assim, vamos todos. — Fred foi vencido.
Nos despedimos todos e entramos no carro.
Nenhum dos encontros que tivemos com Rodrigo e Dani houve um silêncio tão constrangedor quanto o que estava dentro daquele carro naquele momento. Nós 4 tínhamos uma química incrível, mas hoje o clima era tenso e extremamente pesado do momento em que saímos do Giga até chegar no meu apartamento.
Nesse momento lembrei-me que meu carro estava na casa de Antônio, então de qualquer forma teria que ir buscá-lo pra conseguir trabalhar amanhã, é seria inevitável, eu teria que ficar sozinha com Antônio naquele péssimo momento tanto meu, quanto dele.
Ao chegarmos, Larissa e Fred se despediram e desceram rapidamente, provavelmente querendo sair daquela situação nitidamente angustiante o quanto antes.
Eu permaneci dentro do carro.
- Sobe e pega umas roupas, linda! Daí você vai amanhã diretamente pro trabalho. — ele falou parecendo estar mais calmo.
- Não precisa, eu vou pegar meu carro e voltar pra minha casa. — falei firme.
- Mas já está tarde. — ele falou com um tom de lamentação na voz.
- Não tem problema, eu volto assim mesmo — falei ainda com a voz firme e sem fazer contato visual com ele.
Ele apenas respirou fundo e deu partida no carro, iniciando assim, mais um caminho do mais puro e incômodo silêncio.
Chegando na casa dele, subi na intenção de pegar minhas chaves e sair dali, o quanto antes.
Hoje nitidamente não era um bom dia pra conversar, não era mesmo, mas logo ouvi sua voz
- Amandinha, a gente pode conversar?
- Eu acho melhor não Antônio, amanhã quando você e eu estivermos com os ânimos menos alterados a gente conversa.
- Por favor... — ele praticamente implorou com o olhar.
Sentei-me no sofá e comecei a ouvir o que ele tinha a dizer, mesmo sentindo no fundo do meu coração, que não era o momento certo.
- Pode falar — disse me fuzilando com os olhos
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SandCastles - DocShoe
RomanceAntônio é um renomado lutador que acaba de se curar de um câncer e está tentando readaptar a vida sem restrições. Amanda é uma estudante de medicina sonhadora, doce romântica e completamente apaixonada pelo seu melhor amigo de infância: Rodrigo. Ser...
