Fim! 💔

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Antônio.

Aquela era a decisão mais difícil que já tomei na vida.

Eu estava abrindo mão da coisa mais importante da minha vida hoje, mas foi pensando unicamente no meu bem estar.

Eu amo Amanda mais do que qualquer coisa na vida, mas hoje mal reconheço mais a pessoa que eu sou dentro desse relacionamento e quando consigo me reconhecer, não gosto do que vejo.

Eu não um sou ciumento controlador, eu não sou possessivo, eu não sou grosseiro, eu definitivamente não sou assim, mas dentro das atuais circunstâncias do meu namoro eu me tornei essa pessoa e eu precisava dar um basta antes de implodir e sair destruindo tudo em minha volta igual a uma avalanche desgovernada.

E principalmente antes de me magoar ainda mais e acabar magoando a pessoa que mais prezo: Amanda!

(...)

- O que você tá querendo dizer com isso? — ela perguntou — entra, por favor — falou dando espaço para que eu entrasse em sua casa.

Entrei e logo virei de costas pra ela, ver aqueles olhos lindos tão apreensivos com certeza me tiraram o chão, mas eu precisava ser firme, por mais difícil que seja.

- Amanda, eu quero... terminar. — a última palavra saiu quase que cuspida da minha boca.

A verdade eu não queria terminar, mas eu precisava.

- Por conta da viagem? Antônio, a gente vai dar um jeito — ela falou com a voz embargada de quem tava segurando um choro na garganta.

- Não, não é por conta da viagem. É por mim!

O choro que a essa altura estava instalado na garganta de Amanda se libertou e logo escorreu pelos seus olhos.

- Eu posso pelo menos saber o por que?

- Eu estou indo embora, Amanda! Não tenho data pra voltar e não tenho condições psicológicas pra um namoro a distância com você nesse momento, eu estarei cada vez mais longe, Rodrigo cada vez mais perto. Isso não vai dar certo, entende?

- Eu achei que você me amava — ela disse balançando a cabeça negativamente e logo em seguida abaixando a cabeça, colocando a mão nos cabelos.

- Mas eu te amo. E é por conta disso que eu não vou conseguir continuar sabendo que há grandes chances de eu te magoar nesse percurso. Eu não costumo ser essa pessoa ciumenta Amanda, não gosto de ser essa pessoa e não posso ser essa pessoa.

Eu não conseguia ver o rosto dela, que ainda estava baixo, mas conseguia ouvir os soluços de choro.

- Olha pra mim, por favor. — ela levantou a cabeça direcionando aqueles olhos avermelhados e lacrimejados em minha direção — eu estou me odiando por estar fazendo isso com você e com a gente, mas eu preciso ter paz nesse momento.

- Você tá querendo dizer que eu tiro a sua paz?

- Não, pelo contrário. Você é a minha paz, Amanda. Mas tudo isso que vem acontecendo entre a gente tiram a minha paz, você consegue entender? — ela balançou a cabeça negativamente — Isso tá sendo muito difícil, você não faz ideia do quanto.

Ela provavelmente não fazia ideia mesmo. Talvez nem eu fizesse ideia.

- Eu sei que o que eu vou falar agora, vai parecer clichê, mas eu juro que o problema não é você — ela sorriu de forma irônica — o problema é realmente eu que não aguento lhe dar com toda essa situação.

- A impressão que eu tenho disso tudo é que você desconfia de mim, desconfia dos meus sentimentos e desconfia do que a gente tem — ela finalmente consegui falar algo em meio a um choro contido.

- Não é isso, eu confio em você! Eu não confio mesmo é no tempo... Amanda, o Rodrigo foi o grande amor da sua vida durante 20 anos, "cê" tem noção do quão difícil vai ser ficar longe de você durante sei lá quanto tempo e pensar que ele estará por perto? Eu vi vocês conversando hoje na academia e aquilo me bateu essa lucidez, eu não tô preparado pra ter um relacionamento a distância com você, não nessas circunstâncias.

- O que eu tava falando com ele hoje, era exatamente isso, que...

- Você não precisa me explicar nada, é esse o ponto. Eu não quero ser o tipo de namorado que controla o que a namorada fala ou até com quem ela fala, você entende? E é isso que eu me tornei, Amanda. — cortei sua fala antes que ela pudesse falar.

Ela me olhava com os olhos mais tristes que já vi na vida e aquilo me destruía por dentro.

- Você provavelmente está me achando um covarde, é assim que eu me sinto também, mas eu não consigo mais. Me perdoa!

- Eu não acredito nisso, sinceramente... — ela falou enquanto levantava do sofá e ficava de costas pra mim — eu fiz milhares de planos, eu me entreguei, eu abri meu coração pra você, contei todos os meus medos e traumas e agora tô aqui, igual uma criança fragilizada, de novo...

A voz dela estava tão trêmula que eu tinha a sensação que ela poderia desmaiar a qualquer momento.

- A um pouco mais de 1 mês atrás, eu pedi pra que você só ficasse comigo se tivesse certeza absoluta do que queria, não pedi? E você ficou mesmo sabendo que iria pra Miami, ficou mesmo sabendo de Rodrigo, você escolheu ficar comigo. E agora pouco tempo depois está escolhendo ir embora. Eu disse aquele dia que respeitaria qualquer decisão que você tomasse e eu realmente respeito, mas acho que tô no direito de ficar extremamente magoada com a situação. — tinha uma pontada de raiva em sua voz ainda trêmula.

Ela realmente tinha esse direito.

- Você parece estar bem certo de sua decisão, não está? — ela esperava uma resposta, mas recebeu um silêncio profundo — Então, Antônio, se você realmente quer ir embora da minha vida de vez, vá! Eu sei que pareço frágil, mas eu aguento o tranco. — falou voltando a chorar.

- Eu adiantei a minha viagem, pego o voo no sábado de manhã, eu preciso ir logo pra focar na minha luta.

Na verdade eu só precisava fugir do Brasil antes que eu me arrependesse ainda mais do que eu estava fazendo.

- É isso, você precisa focar na luta e eu também... Eu preciso seguir seu exemplo e focar somente na minha própria vida, chega de tomar martelada na cabeça por me dedicar demais aos outros — falou enquanto enxugava as lágrimas das bochechas.

- Eu te amo muito Amanda. Você não faz ideia do quan...

- Eu preciso ficar sozinha — ela cortou minha fala enquanto tentava segurar mais uma avalanche de lágrimas nos olhos — Você poderia avisar a Lu que amanhã vou passar na sua casa no período da manhã pra pegar as minhas coisas que estão lá?

Essa frase doeu mais do que qualquer murro que já levei no cage.

Ela seguiu em direção a porta e a abriu lentamente.

- Boa viagem, Antônio! — ela disse enquanto segurava a porta.

Eu sabia que a partir do momento em que eu cruzasse o vão daquela porta, eu não só estaria saindo apartamento, como também estaria saindo definitivamente da vida de Amanda.

Nocaute!

Foi exatamente isso que aconteceu comigo nesse momento, eu fui nocauteado pela vida.

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Oiiii galera!

A autora aqui está se sentindo MUITO culpada por lançar um capítulo de um término + uma volta pra Miami nos dias seguintes que nosso papi voltou pro EUA na vida real!

Juro que não foi premeditado, já estava nos planos a um tempinho.

Espero que estejam curtindo e sofrendo um pouquinho também né? 😭

Beijo :)

SandCastles - DocShoeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora