Eu o amo! 🤍

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Amanda.

Esse último mês vem sendo um mês de descoberta na minha vida.
Descobri que eu amo ver o sol nascer, descobri que café sem açúcar é uma delícia, descobri um talento para pintura, descobri que meu super herói favorito é o Homem-Aranha, descobri que eu gosto de pães caseiros, descobri que MMA é praticamente um jogo de estratégia e descobri principalmente que AMO o Antônio.

Essa última foi a minha descoberta favorita.

Eu o amo!

Amo o jeito que ele dorme sempre com um tapa olho, amo a voz rouca dele pela manhã, amo como ele tira o cobertor de mim durante a noite enquanto se mexe, amo a gargalhada dele que muda dependendo da ocasião, amo o jeito que ele me olha, amo o cabelo dele quando está grandinho, amo a neura dele com remédios o que o deixa quase um hipocondríaco, amo a tatuagem dele das costas, amo ainda mais a do joelho, amo o jeito que ele me toca, amo os lábios dele, amo aqueles olhos fundos, amo aquele nariz tortinho, amo até mesmo o jeito cabeça dura, amo a total organização dele, amo a comida dele, amo ELE.

Morar com Antônio vem sendo um ótimo jeito de passar por esse momento tão difícil pra mim, sem meus plantões, sem meus pacientes e sem a minha família por perto.

Ele me faz sentir desejada mesmo não estando com o melhor físico, mesmo estando com o braço engessado, mesmo estando impossibilitada de viver uma vida considerada comum pra mim.

Eu sentia falta da minha casa, principalmente da companhia da Lari, mas sem dúvida nenhuma eu estava feliz ali e tudo graças a ele.

As visitas de meus amigos eram frequentes, Lari e Fred principalmente estavam aqui toda semana.

Já Rodrigo, veio poucas vezes durante esse mês, mesmo depois da nossa conversa no hospital onde ele disse que sentia que estava acontecendo um distanciamento entre a gente e não queria que isso acontecesse, ele continuou distante.
Me incomodava com isso? Sim, claro. Ele é meu melhor amigo, mas já não sofria mais tanto quanto antes, talvez eu tenha me acostumado a lhe dar com a falta que ele me faz e tá tudo bem, já aceitei e já entendi.

Essa semana tive um avanço clínico considerável e finalmente pude tirar o gesso da imobilização do meu braço esquerdo.
Isso significa vida normal? Não. Mas pelo menos estava livre daquele gesso que tanto me limitava e já estava liberada pra exercícios físicos leves como um aeróbico passivo e a minha tão sonhada aula de pilates que eu havia me matriculado, porém devido ao acidente não consegui frequenta-la.

- Linda? — Antônio chegou de repente

- Que susto, gatinho! — falei colocando a mão no coração.

- Desculpa! Não quis te assustar. — me roubou um selinho — você está bem disposta hoje? Tenho um convite a te fazer, na verdade o convite não é bem meu...

- O que? O que? O que? Me conta.— falei animada.

- Minha mãe está de mudança para a cidade e resolveu fazer um jantar em comemoração hoje, então ela mandou te convidar, na verdade mesmo ela mandou te intimar a ir, ela tá doida pra conhecer a nora.

- Sua mã, mãe? — gaguejei de nervoso e ele assentiu com a cabeça — meu Deus, vamos. — falei quase que sem escolha.

Conhecer a mãe de Antônio era um passo enorme, vínhamos ensaiando esse encontro a algum tempo, mas devido a minha recuperação e a mudança dela para a cidade esse nosso encontro já havia sido adiado algumas vezes.

Me arrumar pra esse encontro foi uma das coisas mais difíceis que já fiz, troquei de roupa algumas vezes até me sentir suficientemente bonita pra encontrá-la.

Coloquei um vestido confortável e longo rosa, — que Antônio teimava ser lilás — uma sandália delicada nos pés, deixei meu cabelo naturalmente liso e fiz uma maquiagem simples com uma pele bem preparada, olhos com uma máscara de cílios leve e um leve batom na boca só pra dar um ar de saúde no rosto, já que eu estava quase desmaiando de nervoso...

Antônio saiu do banho, me encarando maliciosamente

- Você está uma delícia, meu amor.

- Delícia? Pelo amor de Deus, coloquei esse vestido pra ficar uma moçoila romântica e meiga pra passar uma boa impressão pra sua mãe, não pra ficar uma delícia. Será que é melhor eu trocar? — falei desesperada e Antônio soltou uma gargalhada alta e contagiante ao ver o meu desespero.

Definitivamente não era essa a impresso que eu queria passar ao conhecer minha sogra.

- Você tá linda! Tá parecendo uma princesa, mas uma princesa extremamente deliciosa — deu um tapa estralado na minha bunda.

O caminho até a casa da minha sogra foi um misto de tensão com ansiedade, eu balançava a minha perna sem parar para tentar me auto-regular, quanto Antônio dirigia e repousava uma das mãos na minha coxa.

- E se ela não gostar de mim? — falei baixo cortando o silêncio que pairava entre nós.

- Que? — ele perguntou parecendo não entender minha pergunta.

- E se sua mãe não gostar de mim?

- Impossível isso acontecer.

- Me fala um pouco sobre ela, não quero chegar sem saber nada.

- Meu amor, fica calma. Vai dar tudo certo, você só precisa ser você. Lembra que eu te disse uma vez que era só você sorrir que o mundo cairia aos seus pés? Então, só seja você. — ele falou enquanto depositava um beijo em minha mão.

Quando chegamos me deparei com um apartamento extremamente aconchegante, com móveis com cheirinho de novos e uma decoração elegante puxando para os tons neutros.

- Oi meu filho! — ela disse enquanto dava um abraço amoroso e longo nele.

- A benção, minha mãe.

Quando os olhos dela vieram de encontro aos meus senti minhas mãos suarem. Ela estava vestida com um jeans escuro e uma camisa vermelha elegante, nos pés usava um sapatinho confortável também vermelho. Seus cabelos loiros vinham até a altura dos ombros e ela cheirava rosas. Ela era realmente linda!

- E você deve ser Amanda, a famosa Amanda! Prazer em te conhecer, querida. — ela me abraçou.

- Muito prazer dona Wilma! — falei tímida.

- Você é realmente muito bonita.

- Obrigada! A senhora que é. — disse enquanto apertava suas mãos.

- Senhora não por favor, me chama só de Wilma! — sorri pra ela.

- Meu filho, ligue pro Mário e pergunte onde ele está por favor? Vou colocar a mesa.

- Eu te ajudo! — prontamente falei.

Alguns minutos depois ouvimos a campainha tocar. Dona Wilma foi prontamente abrir a porta e eu logo ouvi uma voz conhecida atrás de mim.

- Amanda? Amanda Meirelles?

SandCastles - DocShoeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora