Ponto de vista de Larissa sobre o acidente:
Larissa.
Passei a estranhar a demora de Amanda pra chegar em casa, os 15 minutos se tornaram 30, depois 40... E isso foi me causando uma estranheza grande.
Cheguei a pensar na possibilidade dela ter ido até Rodrigo conversar sobre o que tinha acabado de ouvir, pensei na possibilidade dela ter voltado até Antônio pra conversar sobre eles, pensei em várias outras hipóteses, mas nenhuma delas foi um acidente.
Quando o meu celular tocou e eu vi um número desconhecido no visor, atendi rapidamente...
- Alô, boa noite, com quem eu falo? — dizia a voz de um homem desconhecido.
- Boa noite, você fala com a Larissa, quem gostaria?
- Larissa, aqui é da equipe de resgate do corpo de bombeiros — meu coração acelerou imediatamente — houve um capotamento na via expressa e há uma vítima que foi encontrada desacordada, mas com vida. Uma garota loira com média de 25 anos de idade, um pouco menos de 1,70 de altura, encontramos o celular dela e a última ligação foi com o número da senhora.
- Meu Deus, meu Deus — eu gritava desesperadamente — é a Amanda, minha melhor amiga, pelo amor de Deus, o que eu faço? Pra onde eu devo ir? O que aconteceu? — meus gritos se misturaram com um choro quase que incontrolável.
- Senhora, mantenha a calma. Sua amiga está sendo transferida ao hospital Santo Antônio, peço encarecidamente que você avise um parente que possa comparecer a unidade o quanto antes.
- Estou a caminho. — desliguei o telefone.
Os pais de Amanda voltaram a morar na Bahia a alguns anos, então eu e Rodrigo éramos a única família dela aqui.
Eu tinha a sensação de que minha alma havia saído do corpo, eu tentava tomar decisões rápidas e tudo o que conseguia era chorar, chorar muito, desesperadamente, descontroladamente.
Liguei para Fred, que me atendeu depois de alguns toques e contei a ele sobre a ligação que tinha acabado de receber e a sensação que tive é que a bebedeira dele passou no momento em que ouviu minha voz trêmula.
- Vou pegar um Uber, to chegando aí — ele dizia tão assustado quanto eu.
- Não, não vou conseguir ficar parada te esperando, te encontro no hospital.
- E o Papato? Tava junto com ela? Ele ta sabendo?
- Eu não sei Fred, eu não sei de nada, pelo amor de Deus, eu tô perdendo tempo, eu preciso ir logo. — desliguei o telefone.
Minha cabeça estava zonza, eu não conseguia pensar em nada além dela, eu não conseguia me perdoar por ter contado a ela naquele momento, se eu tivesse esperado, ela estaria aqui. A culpa é toda minha.
Eu nunca vou me perdoar se algo acontecer com minha melhor amiga.
No momento em que o médico chegou falando sobre o quadro clínico dela, a minha vontade era de vomitar de nervoso. O quadro dela não era o pior possível, mas tava longe de ser tranquilo.
Passamos a noite em claro, esperando por notícias.
Fred era o único lúcido tentando ser racional, Rodrigo estava com o olhar mais assustado que já vi e Antônio — coitado de Antônio — andava de um lado pro outro com um olhar sem vida, sem ânimo, um olhar com um mix de medo e desespero.
O choro dele tava entalado na garganta, como se nem pra chorar ele tivesse força naquele momento.
E eu? Continuava ali, desesperada e carregando a culpa e a dor de ver uma tragédia acontecer com uma das pessoas mais importantes da minha vida por um erro único e exclusivamente meu.
Quando pudemos finalmente vê-la, não consegui mais me conter soltei tudo o que eu tava engasgada durante todo aquele período.
- A culpa foi minha! Ela está aí por minha culpa, me perdoa amiga, por favor! Me perdoa, Amandex.
Fred automaticamente tentou me acalmar e me tirar daquela situação.
- Amor, a culpa não foi sua, a culpa não foi de ninguém, levanta, respira fundo. Fica calma, por favor.
- A culpa foi minha sim, eu nunca vou me perdoar pro isso, eu a machuquei, foi eu — gritava enquanto Fred me levantava.
Quando meus olhos encontraram os de Antônio vi pela primeira vez algum sinal de vida nele, era um olhar estranho, não sabia se ele estava com raiva, se ele estava com dúvida ou se ele não estava se quer processando tudo o que ouviu ali.
Ele deu três passos pra frente, abaixou na altura do rosto de Amanda e finalmente conseguiu soltar todo choro que segurava durante toda a noite:
- Volta pra mim meu amor, eu não me imagino mais você, eu queria poder trocar de lugar com você, eu queria poder fazer mais por você, eu te amo! Eu te amo muito, por favor, volta pra mim... — ele chorava copiosamente, soluçava como um bebê e eu me culpava ainda mais.
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SandCastles - DocShoe
RomanceAntônio é um renomado lutador que acaba de se curar de um câncer e está tentando readaptar a vida sem restrições. Amanda é uma estudante de medicina sonhadora, doce romântica e completamente apaixonada pelo seu melhor amigo de infância: Rodrigo. Ser...
