Amanda
Tenho evitado estar na academia nos mesmos horários que Rodrigo, pois ouvir ele falar sobre o "incrível" namoro dele vem partindo o meu coração ainda mais. Tenho procurado ir treinar a noite quando a academia já não está tão cheia e inclusive venho gostado bastante desse turno.
Depois de terminar todos os meus exercícios, vou caminhando sentido vestiário, quando encontro Antônio descendo as escadas de maneira esquisita, ele parecia estar se apoiando no corrimão para conseguir manter o equilíbrio, antes de eu conseguir perguntar se ele estava bem, antes de firmar o pé no chão ele caiu e desmaiou, ali bem na minha frente.
Minha reação natural foi correr em sua direção pra tentar evitar que ele batesse a cabeça no chão, apoiei minhas mãos e coloquei sua nuca em meu colo e comecei a chamar por ele enquanto gritada por ajuda...
Aos poucos ele foi retomando a consciência e abriu aqueles olhos profundos que foram em direção aos meus.
Eu como estudante de medicina prestei alguns primeiros socorros ali mesmo.
- Antônio? Você consegue me ouvir? — ele balançou a cabeça afirmando que sim. — você consegue falar comigo?
- Sim — ele respondeu com a voz baixa.
- Então vou te fazer algumas perguntas básicas, tudo bem? — ele novamente assentiu com a cabeça.
- Que dia é hoje? — comecei.
- Quinta-feira.
- Qual o seu nome?
- Antônio Carlos Coelho de Figueiredo Barbosa Júnior.
- Quantos dedos tem aqui? — abro as mãos mostrando os dedos
- Dois — ele respondeu.
- Certo, consegue seguir meus dedos com os olhos? — passo meus dedos de um lado para outro e ele acompanha com os olhos, o que já descarta algum problema neurológico instantâneo devido a batida da cabeça.
- Consegue se levantar? Eu te ajudo, vamos até meu carro e eu te levo a um hospital.
- Não precisa, eu só preciso ir pra casa descansar um pouco — ele diz enquanto tenta se levantar calmamente.
- Antônio, eu sou quase uma médica, sabe qual a probabilidade de eu te deixar ir pra casa sem uma avaliação médica completa depois de uma queda? Nenhuma. — falei de forma firme.
- Já que não tenho outra escolha Dra., vamos lá — ele respondeu de forma debochada.
O ajudei a entrar no carro, enquanto íamos ao hospital. Antônio me contou um pouco sobre a vida dele e fiquei maravilhada em saber que estava ao lado de um campeão mundial de MMA — confesso que não sabia absolutamente NADA sobre o assunto — ele me contou de forma entusiasmada sobre como foi todo o processo das suas últimas lutas até chegar ao título, mas de alguma forma, percebi o tom de voz mudar para um tom mais triste com o passar da história.
Até que ele me contou sobre a descoberta da leucemia, o que me deixou extremamente espantada — doido pensar que aquele rapaz tão cheio de vida, já esteve próximo de perdê-la de forma tão precoce — ele continuou a me contar sobre o tratamento e se emocionou a contar sobre quando finalmente recebeu a notícia que estava curado depois de um transplante de medula óssea — senti meus olhos encherem d'água ao ver o quão grato ele era por estar vivo e bem.
Chegamos ao médico dele e logo ele foi atendido e eu aguardei pacientemente na recepção enquanto ele era avaliado por seu médico.
Antônio saiu com uma aparência bem melhor de dentro do consultório e então seguimos novamente ao carro.
- O que o seu médico falou? — perguntei querendo saber o que causou o desmaio repentino.
- Olha Amandinha, pra ser bem sincero, ele falou um montão de termos médicos que eu não faço a mínima ideia do que significa, porém, basicamente tive um pico de hipertensão repentina devido a quantidade de esforço físico que fiz hoje.
- Eu imaginei, quando você me contou sobre a leucemia, imaginei que sua pressão arterial não deveria estar estabilizada ainda. Você deveria ir devagar nesses treinos, garotinho...
- É, foi o que ele disse. Você vai ser uma boa médica Amandinha e olha, confesso que vai ser bom ter uma doutora por perto — ele disse com um sorriso de canto no rosto, o que me fez corar instantaneamente.
- Te levo em casa e amanhã você pega o seu carro na academia, tudo bem? — ele assentiu.
Fomos conversando de forma aleatória e dando risadas durante todo o percurso até a casa de Antônio.
- Está entregue! — falei
- Não tenho como te agradecer, sério mesmo. Muito obrigada do fundo do meu coração.
- Imagina, não precisa agradecer, somente se cuidar. Não quero precisar ser Uber de garotinhos que desobedecem ordens médicas — respondi de forma irônica
- Sim senhora, Dra. Vamos entrar? O mínimo que posso fazer por você hoje é te pagar uma pizza. — ele fez o convite, olhando no fundo dos
meus olhos com aqueles olhos doces e profundos.
- Olha, não sou de recusar uma boa pizza, — comecei— mas hoje não posso, está ficando tarde e tenho algumas coisas da faculdade pra fazer ainda. Fica pra uma próxima, boa noite Antônio, se cuida!
- Que pena, mas pode deixar que te pago uma pizza assim que você tiver um tempinho. Quero te agradecer mais uma vez, você foi um anjo. Boa noite Amandinha. Fica com Deus. Nos vemos amanhã na academia?
Assenti para ele, nos despedimos com beijos na bochecha, Antônio pegou em minha mão, depositou um beijo nela e saiu do carro, seguindo para dentro de seu enorme condomínio — que mais parecia um shopping — e eu segui para minha doce casinha.
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SandCastles - DocShoe
RomanceAntônio é um renomado lutador que acaba de se curar de um câncer e está tentando readaptar a vida sem restrições. Amanda é uma estudante de medicina sonhadora, doce romântica e completamente apaixonada pelo seu melhor amigo de infância: Rodrigo. Ser...
