Amanda.
Desde que parei de trabalhar às sextas-feiras, esse dia da semana se tornou sagrado pra mim.
É o dia em que eu me reorganizo mentalmente, é o meu momentinho de mais plena paz.
Lari que é minha melhor amiga, confidente e praticamente irmã compartilhava não só o apartamento comigo, mas também amava viver esses momentinhos de aconchego junto comigo, porém essa noite ela resolveu dormir na casa de seu namorado Fred e então resolvi vestir uma roupa confortável — shorts jeans e uma regata branca — coloquei uma boa música— o que seria melhor quê Beyoncé? — E estava curtindo a minha própria companhia.
As vezes — ou quase sempre — nesses momentos sozinha me pego pensando em Rodrigo, mas depois dos os últimos acontecimentos e principalmente do namoro repentino dele, tenho me proibido de me permitir pensar nele. Toda vez que a imagem dele vem a minha cabeça, faço o possível para que algo me distraia e ocupe minha cabeça.
Não tem sido fácil encarar essa situação, nunca foi pra falar a verdade, mas agora tem sido diferente.
Quando mais nova, acreditava não conseguir viver sem tê-lo comigo como bem mais que um amigo, mas hoje em dia com o meu amadurecimento e com a quantidade de vezes que eu já quebrei a cara e me magoei, isso mudou, não que eu não o queira mais, aliás, pelo contrário, eu o quero e quero muito, porém entendi que ninguém nunca morreu de amor e eu não também morreria.
O grande problema, o maior deles aliás é que eu não consigo me relacionar com outros homens emocionalmente, claro que eventualmente conheço alguém interessante e acabo dando uns beijinhos aqui e ali, mas ninguém nunca foi capaz de me tocar emocionalmente como Rodrigo faz. Talvez eu mesma tenha criado essa redoma em volta de mim e principalmente em volta do meu coração, mas eu simplesmente não consigo me interessar de verdade por outro homem ao ponto de me entregar de cabeça e de coração aberto, coração que inclusive já estava preenchido a anos por ele: Rodrigo.
Estou prestes a abrir meu livro e ler um pouco, até que o interfone toca e eu estranho. Ué, será alguma correspondência?
Eu não pedi comida.
Eu não estou esperando ninguém, pelo menos não que eu me lembre.
Então só pode ser foi alguma encomenda que eu comprei pela internet.
Atendo rapidamente e o seu Luiz, o simpático porteiro do meu condomínio começa a dizer:
- Boa tarde dona Amanda. Tem um rapaz aqui se identificando como Antônio, está dizendo ser seu amigo, posso autorizar a subida?
Antônio?
Ué, Antônio?
Aquele Antônio?
Como ele tinha o meu endereço?
O que ele está fazendo aqui?
Será que aconteceu algo?
Tantas perguntas vieram na minha cabeça e nenhuma delas parecia ter uma única resposta lógica.
E então tudo o que eu consegui dizer foi:
- Sim, seu Luiz, pode deixa-lo subir.
Fui rapidamente me olhar no espelho, até porque pelo amor de Deus né? Tudo bem que Antônio era somente meu amigo, mas também não precisava me ver feia. Soltei os cabelos que antes estavam presos em um coque alto e bagunçado antes que eu pudesse trocar de roupa a campainha tocou, era ele.
VOCÊ ESTÁ LENDO
SandCastles - DocShoe
RomansAntônio é um renomado lutador que acaba de se curar de um câncer e está tentando readaptar a vida sem restrições. Amanda é uma estudante de medicina sonhadora, doce romântica e completamente apaixonada pelo seu melhor amigo de infância: Rodrigo. Ser...
