Antônio.
Esse último mês foi sem dúvida nenhuma, o mais intenso na minha vida tanto emocionalmente, quanto fisicamente.
Tinha uma filha que já era extremamente amada a caminho e minha luta de retorno estava cada vez mais próxima.
Nunca tive muita dificuldade pra bater o peso, então essa parte foi tranquila pra mim. Mas em compensação, na parte técnica e física tive muita dificuldade de voltar a ser quem um dia já fui, visto que foram quase 1 ano sem poder treinar, ja que meu tratamento de câncer não permitia nenhum tipo de treinamento mais agressivo e a minha imunidade estava extremamente baixa por conta da quimioterapia, então todos esses meses depois era como se eu fosse um mísero faixa branca novamente, ou seja, literalmente apanhei muito durante todo o processo de treinamento e recuperação.
E por mais que a minha cabeça mandasse o estímulo, o meu corpo ainda não obedecia alguns deles da forma correta, meu feeeling que sempre foi apurado foi extremamente prejudicado por esse tempo de pausa.
E depois de muita dedicação, suor e horas de tatame, me sinto 100% recuperado.
E era hoje, finalmente o dia em que eu voltaria a fazer a coisa que eu mais amo no mundo: lutar!
Desde quando eu descobri que estava doente, não teve um único dia da minha vida em que eu não almejasse esse momento.
Essa ansiedade gostosa pré-luta com certeza é uma das minhas sensações favoritas da vida. Nada se compara com o frio na barriga de ouvir o locutor dizer o meu nome e ver a plateia vibrar ao ouvi-lo.
Estava terminando o meu aquecimento junto ao professor Dórea e Buchecha quando ouvi duas batidas na porta.
- 15 minutos pessoal, 15 minutos... — era Cecilia, me avisando que a minha luta já seria a próxima a acontecer.
Nesse momento não tinha mais aquecimento, não tinha mais treinamento, não tinha mais estratégia, não tinha mais nada a ser feito, era só me concentrar ao máximo e dar o meu melhor visando uma única coisa: minha vitória!
Confesso que o mais difícil pra mim está sendo abstrair dos problemas externos que vêm me assombrando nas últimas semanas, mas enfim, agora era foco total naquilo que precisa ser feito.
Os problemas fica pra depois.
Respirei fundo algumas vezes e mentalizei o cinturão que se Deus quiser vai ser meu de novo em alguns meses.
Segui rumo ao corredor quando vi as luzes do ginásio se apagarem, soube que aquele era o momento.
- "IT'SSSSSS TIMEEEEE!" — era a voz do locutor, o que me fez arrepiar imediatamente.
Algumas palavras em inglês foram ditas e o nome do meu adversário foi anunciado, ouvi algumas vaias e ele foi rumo ao octógono ouvindo uma música que me parecia ser do Kanye West.
Tentei abstrair mais uma vez, até que chegou a minha vez de ser anunciado, a torcida que coincidentemente era formada por muitos brasileiros, foi a loucura e junto com o anúncio veio a minha música escolhida para a entrada, Clareou na voz do Xande de Pilares, essa música representava muito pra mim e ilustrava perfeitamente tudo o que eu tinha passado até esse momento.
Fui seguindo aquele corredor que me levaria até o octógono junto ao professor Dórea e Buchecha, que seriam os meus treinadores durante o combate, e fui cercado de pessoas gritando e tentando tocar em mim e eu amava aquele momento, era onde eu sugava toda a energia do público e sem dúvida nenhuma aquela vibração me dava um gás ainda maior.
Segui o caminho até que meus olhos foram de encontro às três mulheres da minha vida: Wilma, Amanda e Luna. Ao lado delas, minha fiel escudeira, Ceci.
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SandCastles - DocShoe
RomanceAntônio é um renomado lutador que acaba de se curar de um câncer e está tentando readaptar a vida sem restrições. Amanda é uma estudante de medicina sonhadora, doce romântica e completamente apaixonada pelo seu melhor amigo de infância: Rodrigo. Ser...
