PÁH! 👊🏼

628 53 97
                                        

Antônio.

(...)

E eu que era uma bomba relógio perto de implodir.

Acabei tendo o efeito contrário e EXPLODINDO.

- Amanda, eu vou ser bem direto contigo: EU NÃO QUERO ESSE CARA PERTO DA MINHA FILHA.

E ela que até agora estava com a fisionomia tranquila mudou drasticamente em milésimos de segundos...

- COMO É QUE É????????

- É isso mesmo que você ouviu, Amanda. Eu quero o Rodrigo LONGE da Luna. — dei ênfase na palavra longe de uma maneira quase que ríspida.

Eu cheguei até aqui decidido a acertar as coisas e tentar deixar tudo em paz entre nós, minha intenção era ressignificar as coisas, mas as circunstâncias mudaram drasticamente e mais uma vez e meu impulso impediu que eu me segurasse.

- Primeiramente abaixa a porra do tom voz, já pedi isso pra você alguns dias atrás e eu não achei que fosse precisar te lembrar que eu não sou qualquer uma, então fala direito comigo. — ela começou.

É...

Pelo jeito eu não era a única bomba prestes a explodir não.

- Segundo, quem você pensa que você é pra chegar dentro da minha casa e tentar me dar ordens sobre uma coisa dessa?

- Quem eu sou? É sério isso?— ri irônico — eu sou o PAI da Luna. — disse enfático.

- Ótimo, maravilha. Vi que sobrou um pouquinho de sanidade na sua cabeça e que essa sanidade não deixou você se esquecer que você é o pai da minha filha, não o MEU pai e muito menos o meu DONO. Então, tá na hora de abaixar bem a sua bolinha, sair da sua bolha, voltar pra realidade e começar a agir feito um adulto. — ela disse tão firme quanto eu.

- Chega a ser irônico ouvir logo você falar uma coisa dessa, sabia Amanda? — cerrei os olhos em sua direção — nem parece que foi você que agiu feito uma criança mimada saindo da merda do hospital cheia de ironiazinha e sem falar porra nenhuma sobre o que tinha acontecido, tudo o que eu soube, eu soube pelo Fred porque você não teve a capacidade e a decência de me contar.

- Ué, mas eu tentei te contar Antônio, aliás, tentei até demais, tentei insistentemente por 16 interruptas vezes... — ela começou dizendo.

PÁH! É.. essa doeu.

- E advinha? Você não me atendeu nenhuma vez, provavelmente ocupado demais com coisas bem mais importantes, né? — a maldita ironia de novo.

Ela sempre usava esse tom agressivo-passivo quando estava nervosa e eu odiava isso mais do que tudo na vida.

- Ai quando você resolveu querer ouvir o que eu tinha pra dizer, eu já estava cansada demais de tentar te explicar.

- Eu já expliquei pra você que...

- E não quero que você me explique nada, você já se explicou demais e eu nunca te pedi explicação de nada. Você é um homem adulto, solteiro, vacinado, independente e emancipado, então você pode fazer o que bem entender da sua vida, mas não venha querer exigir NADA em relação a minha, ainda mais coisas absurdas e sem fundamento, beleza?

- Você deve estar adorando tudo isso, né? — ironizei.

- Adorando o que, exatamente? — ela franziu o cenho.

- Ué, adorando tudo isso que tá rolando, assim você consegue mascarar a sua satisfação.

O que é um peido pra quem já tá todo cagado, né? Agora que eu já tinha começado a colocar pra fora todo o incômodo que eu vinha sentindo nas últimas semanas, eu iria até o fim e pelo jeito ela seguiria o meu exemplo e iria também.

SandCastles - DocShoeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora