Amanda.
O mau humor de Antônio era claro como águas cristalinas e eu talvez soubesse o motivo, apesar de não entender o porque: Rodrigo!
Sentei-me na cama, esperando que ele saísse no banho e aproveitei pra passar hidratante fazendo uma mini drenagem nas pernas.
Assim que ouvi o barulho da porta do banheiro, perguntei:
- Você quer conversar sobre o por que desse mau humor todo? — perguntei.
Ele passava a toalha pelos cabelos molhados o que o deixava extremamente sexy.
- Não é nada demais, deixa isso quieto. — ele respondeu.
- Mas deixar isso quieto quer dizer vamos esquecer isso ou você vai ficar mau humorado até superar o que tá te fazendo ficar assim? — indaguei.
Antônio vestia apenas uma toalha na cintura e isso tava me desconcertando totalmente.
Ele virou de costas e foi em direção ao closet pra vestir-se e eu fiquei parada esperando ele voltar.
- Ein? Te fiz uma pergunta. — falei mais alto para que ele pudesse ouvir do closet.
- Eu não gosto do jeito que ele olha pra você é muito menos do jeito que ele toca em você, é isso. — ele respondeu assim que saiu já vestido com uma cueca boxer preta.
- E que jeito é esse? — indaguei sem entender onde ele estava querendo chegar.
- Você sabe Amanda, você sabe...
- Se eu soubesse mesmo, eu não estaria perguntando. — falei olhando fixamente pra ele
- Ele te toca como se você fosse dele, Amanda. Ele agarrava a sua cintura como se fosse seu namorado. Ele te olha como se você fosse um pedaço de carne e ele estivesse com muita fome — quase dei risada de sua analogia — e ainda pra ajudar você estava lá fora sozinha com ele.
- Eu estava somente perguntando se ele estava bem, essa situação não é confortável pra mim — o respondi prontamente.
- Não é confortável pra você????? Eu recebi na minha casa um homem que se declara e esfrega na minha cara que não vai desistir de você e é pra você que a situação não é confortável? — ele disse com um sorriso irônico no rosto.
- Você recebeu ele aqui, mas eu te questionei antes de convida-lo se estava tudo bem pra você, Antônio.
- E eu falei que tudo bem porque faço qualquer coisa por você, Amanda.
- Então da próxima vez seja sincero e fala a verdade sobre seus sentimentos, assim a gente evita esse desgaste desnecessário.
- Desnecessário? — outro sorriso irônico.
- Ué, desnecessário sim. Ou você acha que isso aqui vai nos levar a algum lugar?
- Não, não vai... Eu só quero Rodrigo... longe... — ele respondeu mexendo nos cabelos — ter ele por perto me deixa irritado, inseguro, inquieto, eu não gosto de me sentir do jeito que eu me sinto quando ele está perto de você.
- Mas você sabe que ele vai continuar por perto né? Eu vou ser sincera com você, eu nunca vou ser indiferente a ele. Ele foi meu melhor amigo por muitos anos, obviamente as coisas mudaram e eu estou ok com isso, mas eu preciso que você saiba que eu jamais pararia de falar com ele.
- Nem se eu te pedisse? — ele questionou sem coragem de me olhar nos olhos.
- E você teria mesmo coragem de me pedir uma coisa dessa? — questionei a ele.
Ele respirou fundo e nada falou.
Essa reação, ou melhor, essa não reação dele a minha pergunta me deixou preocupada e aliviada ao mesmo tempo, se é que isso é possível...
Preocupada por ele ter cogitado me pedir uma coisa assim e aliviada por ele não ter coragem de me pedir.
Eu amo Antônio e não tenho dúvida nenhuma sobre isso, mas eu conheço Rodrigo a mais de 20 anos e jamais pararia de falar com ele por qualquer motivo. A gente tá afastado? Sim. Mas sei que ele ainda está ali e isso não tem nada a ver com algo romântico, é algo de apego emocional por uma pessoa que faz parte de mim e vai fazer parte de mim pra sempre, independentemente do status da nossa relação.
- Eu tô cansado, vamos dormir? — ele desconversou.
- Vamos!
Deitei na cama e ele deitou também, mas não na nossa forma tradicional que era a conchinha. Ele pela primeira vez, deitou de barriga pra cima e colocou uma camisa no rosto como se fosse um tapa olho.
Por mais que eu não quisesse esse clima entre nós, eu respeito o momento dele. Me virei de lado e tentei dormir, o que obviamente deu errado, fiquei durante horas me revirando e minha cabeça não conseguia desligar de jeito nenhum, então resolvi me levantar e descer até o andar de baixo, chegando lá encontro a bagunça remanescente da festa e resolvi passar por essa insônia arrumando tudo.
Foram horas de limpeza, até que meu cansaço físico fosse tão grande que meu cérebro me obrigasse a dormir, tomei mais um banho a fim de tirar o suor e tentar relaxar um pouco e deu super certo, porque foi exatamente isso que aconteceu. Eu apaguei!
Acordei com o barulho de Antônio levantando pra se arrumar sair, mas isso não foi o necessário para que eu despertasse, voltei a dormir pois ainda me sentia exausta.
Ele voltou mexendo delicadamente em meus cabelos perguntando se eu não ia até a academia e assim que fiz a negativa com a cabeça, ele saiu do quarto, deixando tudo apagado e fechando a porta de maneira delicada.
Acordei algumas horas depois ouvindo um barulho na cozinha e me levantei, indo até lá e encontrando Antonio cozinhando algo.
- Oi, gatinho! Já voltou? — perguntei indo em sua direção pra lhe dar um beijo.
- Já, você tá dormindo bem hoje, ein? — deu-me um selinho, mas ainda falava de maneira seca levando em consideração a tratativa que ele tinha comigo sempre.
Acho que talvez ele precisasse respirar ou sei lá, pensar ou talvez ele esteja chateado ou talvez quisesse ficar sozinho, não sei...
E então decidi rapidamente antes que me arrependesse:
- Eu vou pra minha casa! — falei enquanto ele seguia virado de costas pra mim.
- Ok. — ele me respondeu ainda olhando para o fogão.
É, aquele homem com as costas musculosas era Antônio, mas definitivamente não era o MEU Antônio.
VOCÊ ESTÁ LENDO
SandCastles - DocShoe
RomanceAntônio é um renomado lutador que acaba de se curar de um câncer e está tentando readaptar a vida sem restrições. Amanda é uma estudante de medicina sonhadora, doce romântica e completamente apaixonada pelo seu melhor amigo de infância: Rodrigo. Ser...
