* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
Assim que descemos no pátio da Maison Caron, alguns guardas fizeram menção de vir até nós, mas Angèle Caron saiu do prédio fazendo um sinal e todos permaneceram em seus lugares.
A reação dos guardas foi um tanto estranha; não pareciam estar assustados, era como se já estivessem acostumados a ver esquisitices.
- Vamos, a poção já está quase pronta, só falta apenas um fio do cabelo de Pierre Durand. - Angèle falou, nos apressando.
Andamos rápido em direção ao prédio. Pude perceber Pierre encolhendo as asas quando entramos, tomando cuidado para não causar problemas; o que é muito difícil quando se tem o tamanho que ele tem.
Passando pelo corredor do térreo, notei uma jovem me olhando fixamente. Ela parecia olhar para minha alma e isso me deixou constrangida.
A jovem era esguia, parda, tinha o cabelo crespo bem curto, usava um longo vestido preto e sua face não expressava nenhuma emoção.
Apertei a mão de Pierre, mas aparentemente era preciso muito mais força do que eu usei para chamar a atenção de uma gárgula.
Quando passamos na frente da jovem, a mesma falou:
- Maya, deixe-os em paz. Você sabe o que pode acontecer se ele tiver sua mortalidade de volta.
A jovem falava parecendo olhar através de mim.
- Desculpa, não me chamo Maya, chamo-me Emma.
- Eu sei. - A jovem respondeu.
Pierre fez menção de perguntar algo, mas Angèle interrompeu:
- Maitê, já deveria estar no porão, o feitiço já começou.
- Eu não posso, os espíritos não concordam com tudo isso.
- Se não for participar da cerimônia, vá para seu quarto.
A jovem assentiu com a cabeça e entrou no quarto.
Caminhamos por 10 minutos até que Angèle abriu uma porta de madeira escura, entalhada com os desenhos de uma meia-lua e uma estrela. Descemos as escadas e, antes que chegássemos ao fim, vimos cerca de 100 pessoas vestidas de branco e algumas com um chapéu pontudo preto; havia também um grande pentagrama no meio daquela grande sala e um caldeirão bem no centro da estrela.
Angèle nos levou até o caldeirão com todos nos olhando e, por alguns segundos, um burburinho se fez presente.
- Peço o respeito e silêncio de todos. - Angèle falava enquanto uma pessoa me pegava pela mão e me levava até uma cadeira fora do pentagrama. - Hoje é um dia de festa para as bruxas de Juvisy-sur-Orge e principalmente para as bruxas Caron. Este é Pierre Durand, que foi enfeitiçado por uma de nossas ancestrais, Sofie Caron... não, não foi Sofie Charlotte, foi a Grande. Sofie enfeitiçou Pierre Durand não só por uma ordem do duque; ela era ambiciosa e pediu em troca do feitiço o palacete que hoje mora Alís de Leroy. O duque concordou. Porém, Sofie não contava que se apaixonaria pela pessoa que teria que enfeitiçar. Ao invés de fazer o feitiço ordenado pelo Duque - que o manteria preso vivo para sempre em uma estátua, onde veria tudo o que acontecesse, porém não poderia se mexer, falar ou qualquer coisa do tipo -, nossa antepassada decidiu transformar Pierre Durand em uma gárgula, que só voltaria à vida nas luas cheias. Ela não contava que seria tão difícil encontrar os ingredientes para fazer o contrafeitiço. Sofie sabia que, se não fizesse nada, Pierre Durand morreria pela mão do Duque de Leroy.
O resto da história todo mundo já sabe: o Duque descobriu que Sofie não fizera o que ele havia ordenado, e a certeza se concretizou quando procurou a bruxa no palacete e não a encontrou - ela estava em Juvisy-sur-Orge, lar de origem das bruxas Caron. O Duque contou a história de outra maneira para o arcebispo da época, que ordenou a queima da bruxa e a ida da Gárgula para Notre Dame. Depois disso, as bruxas de Juvisy-sur-Orge sofreram represálias, espalharam-se pela França e algumas até saíram do país. Nossa escola, a Maison Caron, é tida como uma casa para loucos, mas hoje diminuiremos o nosso karma. Com a benevolência que iremos fazer para Pierre Durand, esperamos que todas essas coisas ruins que vêm acontecendo com a nossa família há séculos venham a diminuir.
Angèle pegou um fio do cabelo de Durand e colocou dentro do caldeirão. O líquido cinza se tornou roxo. A bruxa deixou que o líquido fervesse durante 13 minutos e, em seguida, pegou uma grande quantidade com uma concha enorme e falou para Pierre:
- Tem que beber toda a concha enquanto ainda está fervendo.
Pierre tomou o líquido urrando entre um gole e outro.
- Está funcionando! - Gritou Angèle. - Parte de sua humanidade e sensibilidade está voltando; de outra forma, não sentiria a poção fervente em sua garganta.
Pierre e eu deixamos o porão com as pessoas festejando o sucesso da poção, mesmo sem provas reais de que a mesma teria dado certo.
- Por que festejam? Não há provas reais de que Pierre poderá ficar acordado quando o sol nascer ou em outra lua que não seja a cheia. - Perguntei quando chegamos no pátio.
- Criança, a fé faz com que, por vezes, pílulas de farinha funcionem como remédio, faz com que a imposição de mãos faça pessoas doentes terem melhoras. Da mesma forma, a falta de fé pode fazer com que o mais poderoso remédio não surta efeito. A magia funciona a partir da fé. Palavras mágicas e ingredientes específicos não farão efeito se você não conseguir visualizar o procedimento realizado e ter fé que isso possa se concretizar. O que você faria se tivesse a certeza de que a poção fez efeito e que Pierre poderia andar na luz do sol novamente, mesmo como gárgula?
- Acho que iria para o alto da catedral assistir o sol nascer.
- Então faça isso, Emma querida. Vá para o alto da catedral, aja como se já fosse verdade e assim será.
Sorri e abracei a velha bruxa em agradecimento. Pierre também agradeceu Angèle e alçamos voo.
...
Maitê chega silenciosamente enquanto Angèle ainda olhava a gárgula no céu e fala:
- A senhora sabe que isso não terminará bem.
- Pierre já sofreu demais. Se eu puder dar pelo menos um minuto de felicidade para ele, já me sinto muito melhor. Se não fosse da vontade dele, eu não iria fazer o feitiço.
- Isso não é apenas vontade deles. Maya tornou-se um espírito obsessor e quer viver através de Emma o que não pode viver enquanto estava viva.
...
3 horas depois...
O sol finalmente estava nascendo. Sim, eu já vi o sol nascer com Pierre, ou pelo menos começar a nascer, porém agora não precisaríamos ter medo dele se tornar uma escultura enquanto estava no alto da torre. Eu esperava uma mudança física maior no meu amado, talvez pelo menos ver a cor real de seus olhos, mas eles continuavam amarelos.
Conforme o sol nascia, notei Durand um pouco preocupado e segurei sua mão. Ele sorriu e começamos a ver do alto da torre de Notre Dame Paris acordar, se é que a cidade dormia; conversamos coisas aleatórias sobre pessoas que víamos passar na rua até que o alarme do meu celular tocou, avisando que já eram 7:00 da manhã, me causando um pequeno susto.
- Funcionou, o feitiço funcionou. - Durand falou com os seus lábios a um centímetro dos meus.
Nós nos beijamos felizes. Nosso beijo foi interrompido pelo sacerdote que apareceu na torre falando:
- Fico feliz que tudo tenha corrido bem, mas alguns padres e a equipe de limpeza não tardam a chegar e estranhariam se a enorme gárgula não estivesse no local habitual.
E essa foi a deixa para que eu fosse embora e Pierre voltasse ao seu modo estátua, mas agora eu sabia que poderíamos nos ver todas as noites, independente da fase da lua.
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