Os dias estavam passando e eu ainda não havia conseguido nenhuma desculpa para ir ao porão na próxima lua cheia. Fui para o curso e quase tive um treco quando vi uma empilhadeira levando Durand — ainda em modo de estátua — para uma sala ao lado da onde tínhamos aula.
Fui até o Arcebispo e perguntei:
— O que está acontecendo? Ficaram todos loucos?
— Na verdade, fui obrigado a fazer isso. Os repórteres estavam me pressionando muito e ameaçaram levar o caso às autoridades superiores. O Vaticano já sabia de tudo e achou melhor expor a estátua do que ficar esse burburinho todo, que só ia levantar ainda mais teorias sobre ela. — O Arcebispo sussurrou, pois os alunos já estavam todos em volta, comentando enquanto a peça era posicionada no centro da sala. Falavam sobre estilo, idade e conservação, mas nada se comparava ao sorriso orgulhoso de Eugène ao ver a gárgula ali.
— Sua benção, Senhor Arcebispo. Não será surpresa para ninguém que iremos limpar e restaurar o Gárgula da família Leroy.
O Arcebispo abençoou o trabalho e fomos pegar os materiais. Assim que a aula começou, Eugène falou:
— Olhando a escultura, podemos ver que ela passou por uma limpeza recente e também recebeu alguns pequenos reparos. Devo dizer que, sem dúvida nenhuma, é a maior estátua de gárgula que já vi na vida. Vamos começar porque, em uma semana, ela estará em exposição oficial. E hoje mesmo teremos jornalistas aqui para vê-la e entrevistar o maior restaurador da França: eu.
— O bom é que além de bonito ele é humilde... — Louise sussurrou no meu ouvido com ironia. — Agora terei que estudar mais sobre a história da sua família, já que a coisa vai ficar exposta para todo mundo.
— Você não me engana, sei muito bem que não é a primeira vez que vê essa escultura.
— Tem razão, já vi o desenho alguma vez em um livro antigo. Agora tenho que ir, você tem muito o que fazer e eu também. — Louise disse, saindo pela porta principal.
...
No mesmo dia, fui até a Maison Caron, mas não encontrei nenhuma das irmãs por lá. Voltei para casa e, quando abri a porta do apartamento, dei de cara com a matriarca da família, Alis de Leroy.
— Emma Müller de Leroy. — Ela me chamou pelo nome completo, sempre fazendo questão de lembrar quem eu era agora.
— Senhora Alis. — Falei sem graça. De toda a família do meu marido, ela era a última pessoa que eu esperava ver ali... embora, pensando bem, era o tipo de coisa que ela faria.
— Você já chegou! — Jean falou, sorridente. — A Alis passou aqui para ver como estávamos depois dessa bagunça toda com o ladrão amarrado na frente de casa. Eu pedi para ela ficar um pouco...
— Petit-fils, como já te falei, estou apenas de passagem. Tenho que ir na casa de Gabrielle Roux. — Alis interrompeu ele, que estava sentado com ela à mesa tomando café.
— Ela ainda está viva? — Jean perguntou assustado, e levou logo uma bronca:
— Jean Carlos de Leroy! Onde estão seus modos?
Nossa... até eu esqueço que o nome completo dele é Jean Carlos!
— Désolé, grand-mère. — Meu marido se desculpou feito criança.
— Emma, meu amor, está um frio danado lá fora. Vou fazer um café quentinho para você também, já volto.
Antes que eu pudesse dizer que não precisava, Jean se levantou e foi para a cozinha. Eu fiquei ali, sem graça, sorrindo para Alis, que esperou ele virar as costas para sussurrar:
— Eu realmente não me importo se vai ficar com o meu neto o resto da vida ou se vai terminar amanhã. Desde que ninguém machuque o Jean. Ele estava seguro na nossa cidade, mas o destino quis que ele viesse parar em Paris. Sei que você sabe que a lenda é verdadeira, e as chances de Pierre Durand querer se vingar nele são enormes. Não deixe que isso aconteça.
— Eu não sei do que a senhora está falando. — Menti, firme.
— Sabe sim! Você foi enfeitiçada por ele, como todas as outras foram! — Alis falou, se segurando para não gritar.
Sentei-me melhor ao lado dela e respondi:
— Por que não acaba logo com esse teatro e conta para todos que vocês não são Leroy, e sim Durand? A senhora sabe tão bem quanto eu que Maya já estava grávida de Pierre quando se casou. O Jean parecer com o Duque é só coincidência. É que é muito mais bonito falar que é descendente de nobre do que de um bastardo, não é mesmo?
— Você não tem provas! Nem mesmo Maya ousou escrever isso no diário! — Ela cuspiu as palavras com ódio.
— Pronto, amor... seu café com três adoçantes, como você gosta. — Jean chegou se aproximando.
A avó dele mudou a expressão na hora, abrindo um sorriso doce e gentil.
— O café está maravilhoso e a conversa melhor ainda! Mas como eu disse, estou só de passagem. Fico muito feliz em saber que estão bem... e ficaria ainda mais feliz se logo logo eu fosse bisavó! — Ela falou olhando para mim, sem demonstrar nem de longe a fúria de segundos antes.
Se despediu de nós como se nada tivesse acontecido e saiu porta afora.
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Gárgula ( +18)
Fantasy* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ... Eu já falei que o livro tem muito sexo? É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
