* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
Eu não dormi muito bem. Apesar da cama do hotel ser extremamente confortável, o sono veio leve, inquieto, como se algo me chamasse o tempo todo. Esperei dar oito horas da manhã para ligar para a casa da avó — e matriarca — da família Leroy e perguntar se poderia conversar com ela sobre a lenda. Eu sabia que tinha feito tudo errado. Deveria ter ligado antes de sair de casa. Ela poderia nem estar lá… poderia até ter morrido… Morrido? Balancei a cabeça, incomodada com o próprio pensamento. Que ideia idiota. Se a avó de Jean tivesse morrido, teriam avisado. Eu estava ansiosa demais. Resolvi descarregar aquela ansiedade em uma grande xícara de café no restaurante do hotel. Depois outra. E mais outra. Quando percebi, já tinha tomado seis xícaras de café, comido dois croissants… e finalmente criado coragem para ligar para a senhora Alis de Leroy. … No caminho até a casa dela, observei tudo ao redor. Cada rua, cada fachada, cada detalhe que um dia fez parte da minha rotina. Nancy. Agora, tudo parecia… diferente. Distante. Como se eu estivesse olhando para uma versão antiga da minha própria vida. Nunca imaginei que voltaria tão cedo. Na verdade… nunca pensei que sairia de vez. E, muito menos, que sentiria esse estranho aperto no peito ao voltar. … Quando cheguei à casa da senhora Alis de Leroy, ela já me aguardava. Sentada. Imóvel. Com um livro nas mãos. Era grande — cerca de 30 centímetros — com capa de couro marrom, levemente avermelhada, marcada pelo tempo. Tiras de couro o mantinham fechado, como se guardassem algo que não deveria escapar. Na capa, um nome: Maya. — Olá, senhora Emma Müller de Leroy. Ela fez questão de enfatizar meu nome de casada. Apesar de eu ainda ser conhecida como Emma Müller por causa dos livros… não foi o sobrenome que me incomodou. Foi o “senhora”. Aquilo pesou nos meus ouvidos de uma forma estranha. Entrei na casa e me sentei quando ela indicou, apenas com um leve movimento de braço — elegante, firme, inquestionável. Alis era a única que realmente me tratava bem em toda a família Leroy. Eu sabia que a mãe de Jean nunca havia aceitado o fato de ele ter alugado a casa ao lado da minha. — Quem te contou sobre a “lenda do gárgula”? Ela fez uma pausa mínima. — Por que faço uma pergunta cuja resposta é tão óbvia? Foi meu neto, Jean… seu esposo. O modo como ela disse “esposo” soou… carregado. — Tudo o que você quer saber está neste livro. Ela o ergueu levemente. — Mas cuidado… você encontrará muito mais do que procura. O tom era solene. Quase teatral. Tão próximo de um aviso típico de histórias de terror que, por um instante, senti vontade de rir. Mas não ri. Porque havia algo no olhar dela… Algo sério demais. — Este livro é original. Passado de mãe para filha… sempre para a filha mais velha. Mas não vejo interesse nas minhas filhas. Observei-a com mais atenção. Alis já era bastante idosa. Os cabelos grisalhos estavam presos em um coque alto e perfeitamente alinhado. As sardas em seu rosto denunciavam que, um dia, aquele cabelo fora ruivo. Ela vestia um longo vestido de linho fino, azul — da mesma cor de seus olhos. E sua voz… Baixa. Lenta. Quase hipnótica. Depois de mais de uma hora conversando — principalmente sobre Jean —, ela me olhou de um jeito diferente. Mais profundo. Mais direto. — Você realmente gosta do meu neto? Senti algo apertar dentro de mim. — Eu o amo. Ela sustentou meu olhar por alguns segundos… longos demais. E então disse, com uma frieza inesperada: — Se você realmente gosta dele… deveria sair de Paris. Aquilo me atravessou. Sem explicação. Sem contexto. Sem sentido. Intrigada — e inquieta — fui embora de Nancy levando o livro comigo. … Uma parte de mim queria parar o carro no meio do caminho e abrir o livro ali mesmo. A outra queria esperar. Chegar em casa. Tomar um banho. Sentar com calma… e mergulhar naquilo como deveria. Acelerei. Rápido demais. Passei boa parte do trajeto a 150 km/h, como se estivesse sendo puxada por algo invisível. … Quando cheguei em casa, Jean já havia saído para o trabalho. Mas deixou um bilhete. — Espero que tudo tenha dado certo. Sorri, sentindo um calor suave no peito. — Jean… sempre tão fofo… Tomei um banho rápido. A água quente escorrendo pelo corpo ajudou a aliviar a tensão acumulada… mas não o suficiente. Antes mesmo de entrar no banho, já havia colocado o café para fazer. Quando voltei para o quarto, ainda de roupão, com a toalha enrolada no cabelo, sentei na cama. Peguei o livro. Respirei fundo. E abri. Logo na primeira linha, percebi. Aquilo não era apenas um livro. Era um diário. O diário de Maya, duquesa de Leroy — de uma terra que, antigamente, abrangia grande parte do território que hoje corresponde a Nancy e seus arredores. — Oh mon Dieu… oh mon Dieu… oh mon Dieu… Meu coração disparou. Fechei o livro de repente, como se tivesse tocado em algo proibido. Levantei rápido demais. Fui até a cozinha. Peguei luvas cirúrgicas. Coloquei uma em cada mão, com cuidado — quase com reverência — e voltei para o quarto. Dessa vez, abri o diário em uma página aleatória. — 22 de junho de 1327… Li em voz baixa. — “Esta manhã, Lohan foi caçar com outros duques. Ansiei para que Pierre permanecesse como guarda do castelo… para que, ao menos, eu pudesse observá-lo de longe. Apenas isso já faz meu coração acelerar, aquecer meu corpo… antes que Morfeu me leve em seus braços e me conduza aos confins da Terra… onde você, Pierre, é meu. Onde posso tê-lo sem medo… sem que meus sentimentos sejam descobertos… sem que eu me torne abominável aos olhos da minha família…” Engoli seco. Aquilo… não era só um registro. Era desejo. Era amor proibido. Era quase… íntimo demais. Levantei da cama e levei o café até a pia. Eu não podia correr o risco de derramar nada naquele livro. Aproveitei o momento na cozinha para tentar processar o que tinha acabado de ler. E me senti… estranha. Quase suja. Como se estivesse invadindo algo que não me pertencia. — Se isso é um diário… e Maya, Lohan e Pierre existiram… quanto dessa lenda é verdade? Minha voz saiu mais alta do que eu esperava. — Ai, mon Dieu… e se a dona fantasma não gostar de eu estar lendo isso? Soltei um riso nervoso. Tirei as luvas, joguei no lixo, abri a geladeira e peguei uma maçã. Fui comendo enquanto caminhava até a varanda. O vento leve tocou meu rosto. — Um diário… eu não esperava por isso. Falei, olhando para a Torre Eiffel ao longe, como se ela pudesse me dar alguma resposta. Terminei a maçã. Voltei para a cozinha. Joguei o resto no lixo. Coloquei novas luvas. Dessa vez, com mais cuidado. Mais consciência. Mais… expectativa. Voltei para o quarto. Sentei na cama. E abri o diário novamente, em outra página qualquer.
* Informação cuja fonte é a minha cabeça ( tive que inventar um ducado, para o livro, historiadores por favor não me matem . Desde já deixo aqui meu agradecimento).
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