Ficamos naquele café até tarde discutindo sobre o lançamento do livro e, quando finalmente chegamos a um consenso, já passavam das 23h00. Eugène me ofereceu carona, mas agradeci dizendo que, como não morava longe, iria no meu patinete elétrico mesmo.
A noite estava estrelada e um vento fresco soprava sobre Paris, tornando a atmosfera muito agradável. O trajeto da catedral até o meu apartamento estava estranhamente calmo; na verdade, calmo demais para os padrões da cidade.
Subi no patinete e comecei a guiar com tranquilidade, mas aos poucos senti aquela terrível sensação de estar sendo seguida. Isso me fez acelerar. Não conseguia ver nada atrás de mim, mas a impressão de estar sendo perseguida não me abandonava... Já estava entrando em pânico quando vi, por segundos, passar em frente a uma luz noturna a silhueta de Pierre Durand com suas enormes asas. Meu coração disparou ainda mais, mas ao mesmo tempo senti um alívio imenso ao perceber que não era nada de mal.
Fui para um lugar mais isolado, numa rua mais escura, na esperança de vê-lo novamente, mesmo que por instantes. Esperei por alguns minutos e, quando já pensava em ir embora — pois aquele não parecia um lugar seguro —, a gárgula pousou suavemente à minha frente.
— Você quase me mata do coração! Que susto!
Pierre sorriu e, sem dizer uma palavra, abriu suas imponentes asas de mármore, revelando sua magnífica envergadura. Com elegância, estendeu seu braço. Dei dois passos à frente, segurei sua mão e ele nos ergueu suavemente no ar, dando início ao voo noturno que tanto amo sobre Paris.
Abaixo de nós, a Cidade Luz com suas ruas estreitas e telhados antigos. Eu olhava para baixo, maravilhada.
— Eu nunca vou me cansar disso. — Sussurrei.
— Paris é uma cidade cheia de segredos e se revela de maneiras diferentes para aqueles que a amam. Tenho sido o guardião silencioso dessa cidade por séculos e posso afirmar que ela tem uma beleza atemporal que me cativou desde o primeiro momento em que coloquei os olhos nela.
Pierre fez um rasante sobre o Rio Sena, ficando a apenas centímetros da água. Estendi meu braço e passei o dedo indicador sobre a superfície enquanto voávamos velozmente.
— Quero que veja Paris com os meus olhos. Quero compartilhar toda essa beleza com a pessoa que trouxe luz à minha existência.
Era por volta de uma hora da manhã e voávamos suavemente sobre os telhados quando algo chamou a atenção da gárgula. Em um beco escuro, um bandido parecia estar assaltando uma mulher.
— Você viu o que está acontecendo ali embaixo? — Perguntei, preocupada.
Pierre assentiu com a cabeça, pousou-me gentilmente no parapeito de um edifício onde, segundo ele, eu estaria segura, e falou em tom solene:
— Fique aqui. Eu irei ajudá-la.
Segundos depois, Pierre Durand mergulhou em direção ao beco, movendo-se silenciosamente como uma sombra.
Meu coração batia forte, temia por ele e pela vítima.
Quando chegou ao local, o bandido ameaçava a mulher com o que parecia ser uma faca. Insatisfeito apenas com a carteira e o celular, o homem agora parecia querer abusar dela.
Pierre surgiu das trevas. Sua presença imponente e suas asas abertas fizeram o criminoso recuar, petrificado.
— Solte-a imediatamente! — Ordenou ele, com voz firme.
Atordoado com a visão da gárgula, o bandido soltou a mulher e recuou, deixando cair a faca, a carteira e o aparelho celular. A mulher, agradecida, começou a chorar de alívio.
— Você é um anjo que Deus mandou para me ajudar! Muito obrigada!
Pierre ajudou-a a se levantar, sorrindo com doçura.
— Vá para casa. As ruas não são seguras a essa hora.
A mulher correu para longe do beco. Pierre fez menção de retornar até mim, quando dois policiais apareceram e um deles começou a atirar. Eu entrei em desespero. Abri a porta de incêndio do prédio e desci as escadas correndo; precisava fazer algo.
Quando finalmente saí, vi que apenas um policial atirava, enquanto o outro estava paralisado de medo. E então reconheci: o homem que disparava era Jean, meu ex-marido.
— Jeaaaan, nãaaao! — Gritei desesperada, enquanto ele esvaziava o pente da pistola contra Pierre, que se defendia usando uma das asas como escudo.
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Gárgula ( +18)
Fantasía* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ... Eu já falei que o livro tem muito sexo? É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
