32 O castelo

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No dia seguinte...

— Você acredita que estão falando na internet que o Justiceiro é uma das gárgulas de Notre Dame?

O que meu marido disse me causou uma crise de tosse repentina.

— Esse povo inventa cada uma... — Falei, mas pela primeira vez pensei: se Durand for realmente o Justiceiro, a qualquer momento um policial poderia atirar nele.

Deixei o café da manhã de lado e fui pesquisar no Google:

"Todo mundo conhece as famosas proteções contra balas feitas de Kevlar. Mas você já ouviu falar das placas de proteção feitas em cerâmica? Pois elas existem e, embora menos conhecidas, são capazes de aguentar muito chumbo. O vídeo do canal DemolitionRanch mostra exatamente isso.

No teste, um par dessas placas é colocado à prova contra um rifle ARAK-21 XRS, uma versão híbrida de AR-15 e AK-47, suportando os calibres usados em ambas as armas. O impressionante é que, embora projetadas para resistir a apenas um tiro, essas placas suportaram um número absurdo de oito disparos antes que a primeira bala conseguisse atravessar suas várias camadas."

— Tomara que não acertem mais de sete tiros... — Murmurei.

Jean entrou no quarto cheio de carinho, levantou meu cabelo e beijou minha nuca. Mas eu fechei o notebook, levantei-me e, selando seus lábios com um beijo rápido, disse:

— Amor, tenho que ir até Nancy. Volto na segunda-feira. — Falei, indo até o guarda-roupa separar algumas coisas para a viagem.

— Emma, eu sempre estive ao seu lado para tudo, até quando você escreveu aquele livro que só vendeu 500 cópias e você nem cita em entrevistas. Meu amor, toda vez que escreve um livro fica meio obcecada, mas agora está ultrapassando todos os níveis. A gente quase não se vê. Antes você esperava minhas férias para fazermos essas viagens de pesquisa juntos, e agora aparece do nada dizendo que vai viajar sozinha. Nem vou falar mais nada. — Disse meu marido, virando-se e indo para a sala, visivelmente chateado.

— Jeaaaaan! Você quer ir comigo para o Castelo Leroy? — Gritei.

— Não quero mais! Devia ter perguntado antes, não simplesmente dito "eu vou". — Jean gritou de volta da sala.

— Merda! — Resmunguei.

Peguei minha mala, coloquei algumas roupas e o diário de Maya dentro.

Horas depois, chegava à entrada do Castelo Leroy.

Eu me sentia totalmente dentro da história do diário: o jardim, o chafariz... tudo era idêntico.

Subi os degraus e, assim que abriram a porta principal, não precisei fazer nenhuma pergunta sobre por que Durand me confundia com Maya, ou por que a família de Jean era contra nosso casamento. Bem no centro do salão de entrada, no alto, entre as duas escadas que se encontravam no segundo andar, havia um quadro enorme, de dois metros por um e sessenta.

O quadro era eu e Jean... quer dizer, era Maya e Lohan Leroy.

Acho que fiquei ali parada por pelo menos cinco minutos, olhando fixamente para a pintura, até que um senhor de uns 45 anos aproximou-se e disse:

— É incrível a semelhança. Chamo-me Aaron, sou o gerente do hotel. Trabalhei também como historiador da propriedade por mais de dez anos.

— Me chamo...

— Emma Müller Leroy, a escritora de romances e fantasia! É a realização de um sonho tê-la conosco. — Aaron interrompeu-me, levando-me até a recepção. — Pode deixar que eu atendo a senhora.

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