* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
— Você ainda está aqui? Achei que já tivesse saído depois que vi o porão vazio. — disse o arcebispo, ofegante após subir tantos degraus. — Temos muito a conversar: a menina negra continua procurando o sótão. Ela já sabe onde fica… mas não sabe como abrir. — E vossa reverendíssima já sabe o que a jovem procura? — respondeu uma voz vinda da escuridão do telhado da catedral. O arcebispo não se virou imediatamente. — Não faço ideia. No começo, pensei que fosse alguma relíquia… mas já não tenho tanta certeza. Já a vi com uma planta antiga da catedral no telefone. — fez uma pausa breve. — E não é só isso. A polícia está te procurando. Querem saber quem é o tal “justiceiro de Paris”. Se eu fosse você… seria mais discreto. Houve um silêncio curto. Denso. — Mais discreto? — a voz voltou, carregada de algo contido. — Por séculos, sou praticamente invisível. Só tenho… algum tipo de existência durante a lua cheia. Vi todos que conheci morrerem, um por um… enquanto Paris crescia diante dos meus olhos e eu me escondia nas sombras. — uma pausa. — E o senhor me pede para parar? O arcebispo suspirou. — Pierre, meu amigo… o mármore não é tão resistente quanto parece. Se você for danificado de uma forma que não possamos restaurar… — Talvez seja isso que me falta. — interrompeu ele, mais baixo agora. — Desde que Maya morreu… venho tentando encontrar um sentido. Mas… até ajudar as pessoas perdeu o gosto. — Eu sei por quê. — disse o arcebispo, com suavidade. — É o aniversário da morte dela. O silêncio que se seguiu pareceu mais pesado que o anterior. — Sabe o que é pior? — a voz de Pierre voltou, distante. — Eu estou me esquecendo dela. Aos poucos. Já não lembro exatamente o tom de verde dos olhos… nem o cheiro… nem o gosto do beijo. — respirou fundo. — E isso me incomoda mais do que deveria. O arcebispo fechou os olhos por um instante. — Há outra coisa. Uma jovem esteve perto do porão hoje. Ruiva, olhos claros. Um leve som ecoou na escuridão — talvez um movimento. — Não conheço muitas pessoas. — respondeu Pierre. Um segundo depois, o som de algo cortando o ar. O arcebispo ergueu o olhar, mas já era tarde. Ele havia partido. ... No alto, acima dos telhados e torres, uma silhueta se movia com precisão silenciosa, misturando-se às sombras e à noite. Paris se estendia abaixo — viva, iluminada, alheia. — Justo hoje… — murmurou a voz no vento — que eu precisava ocupar a mente. Por alguns instantes, nada. Nenhum som. Nenhum movimento suspeito. A cidade… tranquila demais. Então— Um cruzamento. Uma jovem em um patinete. Um carro vindo rápido demais pela outra rua. Um cálculo instantâneo. — Droga. O movimento foi rápido. Rápido o suficiente para não deixar forma, nem tempo, nem explicação. Um deslocamento brusco. Um corpo retirado da trajetória. E, logo depois— Nada. O carro passou. O impacto nunca aconteceu. A silhueta já não estava mais ali. ... Minutos depois, no alto da catedral, entre pedras antigas e figuras silenciosas, ele retornou. — Meu amigo tinha razão… — murmurou. — Foi uma rua clara demais. A cidade já voltava ao seu ritmo habitual. Mas algo havia mudado. Ou talvez… alguém tivesse notado. Ele permaneceu imóvel por alguns instantes, observando as luzes ao longe. — Tudo isso… — disse, quase para si mesmo. — Essas coisas que não entendo. Celulares. Câmeras. Telas por todos os lados… O vento passou, arrastando suas palavras. — Por quê? — continuou, mais baixo. — Por que fui deixado aqui? Nenhuma resposta. Apenas o silêncio. — O que antes parecia uma dádiva… — sussurrou — agora pesa como uma condenação. Seus olhos se voltaram para a cidade mais uma vez. — Ou me dê um motivo… — disse, por fim — ou leve isso de mim. A lua cheia iluminava tudo. E, ainda assim… Não revelava nada.
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