* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
- Seu terno está em cima da cama. - Será mais um passeio romântico como o de hoje de manhã? - meu marido perguntou, sem olhar nos meus olhos. - Não... irei a trabalho - respondi, tentando evitar que ele se chateasse caso eu passasse o tempo todo tirando fotos e digitando no celular. Jean estava lindíssimo com um terno moderno preto: o blazer com apenas um botão, quase na altura do umbigo; camisa social sem gravata, com alguns botões abertos; e um sapato preto impecável. Já eu... não estava nem um pouco confortável. O vestido vermelho, longo, com uma fenda generosa na perna, me deixava exposta demais. Sendo ruiva, qualquer vestido assim me fazia parecer a própria Jessica Rabbit. Por isso, prendi o cabelo em um coque com uma trança lateral, tentando equilibrar o visual. Na verdade, iríamos usar roupas bem mais simples. Mas, no começo da tarde, chegaram duas caixas ao nosso novo apartamento, acompanhadas de um bilhete: "Um singelo presente de boas-vindas a Paris. Espero que gostem. Dreams." A editora para quem eu escrevia havia enviado aquelas roupas - e isso só podia significar uma coisa: com toda certeza, enviariam um fotógrafo. E eu estava certa. Assim que chegamos, havia um fotógrafo do site da editora Dreams e um influenciador do canal Streaming 0522. Jean não liga muito para esse tipo de coisa. Mas também não é do tipo que sairia socando fotógrafos. Enquanto tirávamos algumas fotos para a Dreams, o influenciador, que filmava tudo, se aproximou de mim: - Olá, pessoal da Streaming 0522! Estamos aqui com a autora Emma Müller, e vou fazer a pergunta que todos querem saber: é verdade que o livro Crônicas de Machado e Espada vai virar filme? - Ryu... - Jean murmurou o nome do influenciador no meu ouvido. Sorri automaticamente. - Olá, pessoal do Streaming 0522. Ryu, até agora ninguém entrou em contato comigo. Não sei de onde surgiu essa ideia... mas, sinceramente, um filme de Crônicas de Machado e Espada ficaria incrível. Agora preciso ir, a ópera vai começar. Já dei o braço a Jean, e ele me conduziu para dentro do teatro. Jean geralmente me ajuda com nomes - apresentadores, canais, qualquer coisa assim. Eu sou péssima com isso. Às vezes, preciso até reler capítulos do meu próprio livro porque esqueço o nome dos personagens. Nunca fui muito fã de ópera. Sempre achei elegante quando via na televisão, nos especiais de fim de ano, mas nunca foi algo que eu realmente gostasse de assistir. Também não detesto... apenas não é algo que eu escolheria por vontade própria. Na primeira meia hora do espetáculo, Jean prestava atenção em tudo - o que chegou a me surpreender. Mas, quando a música ficou mais calma... ele dormiu. E eu apenas agradeci, em silêncio, por não haver ninguém conhecido ali. Jean não faz por mal. Ele se esforça para me acompanhar nessas coisas... mas simplesmente não é o mundo dele. ... Já em casa... - Desculpe por ter dormido durante a ópera - disse ele, enquanto tirava a calça e ficava apenas de cueca boxer, pegando uma toalha no guarda-roupa. - Mas você precisa entender uma coisa, meu amor... só porque dizem na internet que algo é romântico, não significa que seja para você. Ele se aproximou um pouco mais, com aquele jeito sincero que eu conhecia tão bem. - Ópera pode ser romântica para algumas pessoas. Talvez... simplesmente não funcione para você. Assim como não funciona para mim. Observei seus movimentos enquanto ele se dirigia ao banheiro. - Tenta não se cobrar tanto - continuou ele. - Lembra quando você escreveu Crônicas de Machado e Espada? Assenti, em silêncio. - Era um feriado prolongado. Compramos, do nada, dois ingressos pela internet - treze euros e noventa cada - para o Parque e Palácio Nacional da Pena, em Portugal. Nada foi planejado. Pegamos o primeiro voo que apareceu... e aquele avião parecia que ia desmontar no ar. Ele soltou uma leve risada. - E mesmo assim... foi ali que você escreveu o melhor livro da sua vida. Fiquei parada, absorvendo cada palavra. Jean estava certo. Sempre esteve. Eu só... não sabia mais como desligar.