Meu sonho havia virado pesadelo. De repente, um grito desesperado cortou o ar. Olhei ao redor e vi uma cena terrível se desenrolando a poucos metros de distância. Pierre estava sendo atacado pelo meu ex-marido, que atirava sem piedade.
Pierre finalmente partiu para cima de seu agressor, porém, quando me viu, voltou apenas a se defender. Senti meu coração disparar de medo. Eu sabia que Jean havia observado tudo o que aconteceu anteriormente e aproveitou a oportunidade para se vingar da gárgula — a criatura que sua família culpa por todos os males que os atingiram ao longo de séculos.
Jean sacou outra arma e apontou para Pierre, pronto para atirar. Corri desesperadamente em direção a ele, implorando para que parasse.
— Jean, por favor! Não faça isso! — Gritei, com lágrimas nos olhos.
Jean hesitou por um momento, olhando para mim com uma mistura de raiva e tristeza. Ele sabia que havia perdido sua esposa para um ser de pedra, mas não conseguia entender como eu poderia amar algo tão diferente dele. No fundo, ele ainda me amava, mas seu orgulho ferido o impedia de aceitar a situação.
Enquanto ele hesitava, Pierre aproveitou para se proteger. Abriu suas asas de mármore e as ergueu num gesto protetor, formando uma barreira impenetrável entre si e a arma. Os tiros ricochetearam sem causar nenhum dano.
Aproximei-me de Jean, segurando suas mãos trêmulas.
— Ele não é uma ameaça, ele é parte de mim agora. Por favor, pare com isso — supliquei, com os olhos cheios d'água.
Jean olhou para mim, seu rosto transbordando raiva e ressentimento. Ele simplesmente não conseguia compreender como sua esposa poderia se apaixonar por uma criatura de pedra.
— Você enlouqueceu, Charlotte! Como pode amar um monstro como esse? Ele não é real, ele não pode te dar o que eu posso! — Gritou Jean, apontando para ele.
Pierre, mesmo naquela situação, permaneceu firme e calmo. Ele sabia que Jean não entendia o amor verdadeiro nem a conexão que compartilhávamos.
— Jean, você não entende. Charlotte encontrou em mim algo que você nunca foi capaz de lhe dar. Ela encontrou a liberdade de ser quem realmente é, sem medo de ser julgada — disse Pierre com voz suave e serena.
Segurei o rosto de Jean entre minhas mãos, olhando profundamente em seus olhos.
— Jean, eu te amei uma vez, mas agora encontrei meu verdadeiro amor. Não posso mais viver uma mentira, fingindo que não sinto nada por Pierre. Ele é parte de mim, parte da minha alma — confessei com sinceridade.
Finalmente, Jean abaixou a arma e deixou escapar um suspiro pesado. Ele percebeu que não poderia lutar contra o amor verdadeiro, mesmo que isso significasse me perder para uma criatura de pedra.
— Jean, você não fez mal algum à sua família porque, na verdade, vocês não são os Leroy. Todos os descendentes de Maya são Durand. Você leu o diário e lá no fundo sabe que Maya estava grávida de Pierre. Ela sabia disso e por isso quis se unir ao Duque o mais rápido possível; não podia deixar que ele desconfiasse que esperava um filho de outro. Possivelmente o Duque era infértil, já que nunca teve filhos nem com Maya nem com as concubinas que teve depois do nascimento da criança.
— Eu não entendo, Charlotte... mas se isso te faz feliz, então não vou mais interferir — disse Jean, com a voz carregada de tristeza.
Abracei-o, sentindo uma mistura de alívio e pesar. Sabia que minha decisão de seguir meu coração não seria fácil, mas era a única forma de encontrar a felicidade plena.
— Obrigada, Jean, por tudo. Mas agora preciso seguir meu próprio caminho — falei, enquanto as lágrimas rolavam pelo meu rosto.
Quando ele se afastou, voltei toda a minha atenção para Pierre. Corri até ele e o envolvi em meus braços.
— Você está bem, meu amor? — perguntei, ainda preocupada.
Pierre sorriu e acariciou meu rosto com ternura.
— Estou bem, minha querida. Nada pode nos separar agora. Estamos juntos, para sempre — respondeu ele, com o amor brilhando em seus olhos.
Eu sabia que a jornada pela frente seria cheia de desafios, mas estava disposta a enfrentá-los ao lado dele. Juntos, enfrentaríamos o mundo, provando que o amor verdadeiro não conhece limites e que a beleza pode ser encontrada mesmo nas formas mais inesperadas.
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Gárgula ( +18)
Fantasy* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ... Eu já falei que o livro tem muito sexo? É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
