* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
Hoje é sábado. Aproveitei o grande movimento dos passeios de fim de semana para voltar ao porão. Com Louise de folga, entrar ali foi fácil demais. O gárgula estava exatamente como eu me lembrava. Imóvel. Silencioso. Observando. Aproveitei os últimos vestígios do pôr do sol que ainda entravam pelas frestas e comecei a tirar fotos. Eu queria capturar cada detalhe - cada linha, cada textura - para que, quando descrevesse no livro, o leitor pudesse enxergá-lo com a mesma nitidez que eu. - Então foi você que destruiu o casamento de Maya e Lohan? - murmurei, meio irônica. - Acho que ela exagerou... você nem é tudo isso. Continuei fotografando. - Ai, que droga... já está escuro. Fui até o interruptor e acendi a luz. O ambiente ficou ainda mais frio. Voltei até a estátua. Mais fotos. As asas. O rosto. As garras. - Ia ser melhor se essas asas estivessem abertas... E então... Elas se abriram. O som foi seco. Pesado. Eu caí sentada no chão, o corpo inteiro travado. Por instinto, puxei o celular e comecei a filmar. Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa- Ele se moveu. Com uma rapidez impossível. Arrancou o celular da minha mão... e o esmagou com uma única pressão. - Nãããão! - gritei. Tarde demais. Os pedaços caíram no chão. Estranhamente... eu não gritei de verdade. Não como as personagens dos meus livros fariam. Eu só... paralisei. - Maya... A voz. Grave. Arranhada. Vinda dele. Ainda sentada, comecei a me arrastar para trás, até alcançar a escada. Quando consegui me levantar, subi correndo, dois degraus de cada vez. Saí. Fechei a porta. Tranquei. E, mesmo com o coração disparado, tentei andar normalmente... como se nada tivesse acontecido. De volta ao apartamento, me joguei na cama. - Foi uma alucinação... foi uma alucinação... foi uma alucinação... Repeti isso encolhida, abraçando as pernas. Isso estava me fazendo mal. Era isso. Pensar demais nessa história. Nesse gárgula. Olhei para o lado. O diário de Maya estava ali. Por um segundo, pensei em pegá-lo. Mas desisti. Não. Eu precisava de um tempo. Um detox. Nada de gárgulas. Nada de castelos. Nada de passado. Fui até a cozinha, fiz pipoca, peguei um refrigerante e voltei para o quarto. Mas tive a estranha impressão... de que o diário estava me chamando. Engoli seco. Peguei uma camisa limpa, usei para segurar o livro - como se evitasse tocá-lo diretamente - e o tranquei dentro do guarda-roupa. Pronto. Fim. Liguei a TV. Comédias. Leves. Idiotas. Qualquer coisa que não tivesse absolutamente nada a ver com aquilo. Seis horas seguidas. Sem parar. Até que- Um barulho na cozinha. Algo caiu. Meu coração disparou. Fui verificar. Um copo no chão. - Estranho... Voltei para o quarto, mas o sono não vinha. O medo era maior. Coloquei o áudio da Bíblia no notebook, deitei e me cobri inteira. Como uma criança. Quando Jean chegou pela manhã e tocou a campainha, mesmo tendo a chave, eu gritei. Ele abriu a porta na hora. - Emma! O que aconteceu? - Nada... nada... só levei um susto. Mentira. Se eu contasse a verdade, ele provavelmente acharia que eu estava enlouquecendo. - E aí? Foi ao porão? Viu o gárgula? Tirou fotos? Ele parecia curioso demais. - Não... meu celular caiu e quebrou. Outra mentira. - Então passa naquela loja do shopping e compra outro. É só colocar o chip. Meu coração gelou. - Mon Dieu... meu chip! Contatos. Editora. Advogado. Tudo. - Sério, Emma? Você precisa levar isso mais a sério - ele disse. - Calma... acho que sei onde está. À tarde, fui ao shopping. Comprei um celular novo. Sorvete. Uma camisa. Tentei agir como se estivesse tudo normal. Jean estava comigo. Mas minha cabeça... não estava ali. À noite... - Quer que eu vá com você? - ele perguntou. - Não. Vai chamar atenção. Desci do carro. Sozinha. Nunca tive tanto medo de entrar naquele porão. Abri a porta. - Tem alguém aí? Silêncio. Desci devagar. Degrau por degrau. E então- Nada. Nada. O gárgula... não estava mais lá. O espaço vazio parecia ainda mais errado do que a presença dele. Olhei para o chão. E encontrei. Os restos do meu celular. - Mon Dieu... Minhas mãos tremiam. Minha imaginação não faria aquilo. Não quebraria um celular. Peguei a parte maior. Onde ainda estava o chip. E saí dali correndo. Sem olhar para trás.
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