21 O gárgula

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No dia seguinte, no curso

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No dia seguinte, no curso...
Cheguei mais cedo e comecei a andar pela catedral, tentando encontrar Louise. Queria saber se ela tinha descoberto alguma coisa — precisava decidir se entraria ou não no jogo dela.
Foi então que a vi, do lado de fora, falando ao telefone.
Instintivamente, me escondi.
— A escritora sabe de alguma coisa…
— Não, ela não é confiável…
— Eu sei que tem muito dinheiro envolvido…
— Pode deixar… eu vou descobrir o que tem naquele porão…
Meu estômago revirou.
Depois da aula, Louise me chamou.
— Precisamos de um plano. — disse ela, direta. — Primeiro passo: descobrir a fechadura.
Concordei.
Fomos até a porta do porão e tiramos uma foto da fechadura, pensando em pesquisar depois.
Mal tivemos tempo de guardar o celular.
— O que vocês estão fazendo aqui?
O arcebispo.
Ele nos olhava com severidade.
— Esta área não faz parte do curso nem da visitação. Se eu encontrar qualquer uma de vocês aqui novamente, estarão proibidas de entrar na catedral.
Ele continuava falando… mas algo mudou.
Sua voz falhou.
Seu corpo tremeu.
— Vossa reverendíssima…? — perguntei, sentindo o coração acelerar.
Ele não respondeu.
Caiu para frente, se apoiando em mim — e então começou a convulsionar com força.
— Louise! Vai pedir ajuda! AGORA!
Ela saiu correndo pelo corredor.
O arcebispo tremia nos meus braços, os olhos revirando.
Deitei-o no chão, tentando ajudá-lo a respirar melhor. Minhas mãos tremiam enquanto eu abria levemente sua veste…
Foi então que vi.
Uma chave.
Antiga. Pesada. Presa a um cordão de couro em seu pescoço.
Claro.
Ela estava com ele o tempo todo.
Meu coração disparou.
Por um segundo… hesitei.
No segundo seguinte… já estava tirando o cordão.
Coloquei a cabeça dele sobre minhas pernas, tentando disfarçar, enquanto removia a chave com cuidado.
Passos ecoaram.
Três padres surgiram e o levaram rapidamente.
Louise voltou, irritada, discutindo ao telefone:
— Catedral de Notre-Dame! Não é possível que você não saiba onde fica!
Aproveitei a distração.
Escondi a chave.
Levantei devagar, tentando parecer normal — mas meu corpo tremia.
Quando todos saíram, fiquei sozinha no corredor.
Silêncio.
Respiração acelerada.
— Eu vou para o inferno… — murmurei. — Eu roubei a chave de um sacerdote…
Fui até o banheiro, ainda em choque.
Minhas mãos estavam sujas de saliva.
Lavei os braços com força — forte demais — até minha pele ficar vermelha.
— Limites, Emma… limites… — repeti, sentada na tampa da privada, com a cabeça entre as pernas.
Não me lembro exatamente de como cheguei em casa.
Provavelmente dirigi no automático.
Quando entrei, fui direto para o banheiro. Precisava de um banho.
Tirei a roupa rapidamente, liguei a água…
E ouvi algo cair no chão.
Olhei.
A chave.
— Mon Dieu…
Depois do banho, fui para a varanda.
Fiquei ali, parada… olhando o nada.
Pensando.
— Será que eu peguei a chave certa?…
— E se não for essa?…
Jean apareceu, me entregando uma xícara de chá.
— Aconteceu alguma coisa no curso? Você está estranha.
— Não aconteceu nada… — menti, sem olhar para ele.
— Não vai ler o diário hoje?
— E você? Não tem curiosidade? É a história da sua família.
Ele soltou um riso curto.
— Nem um pouco. Pelo que você disse, Maya era uma traidora. Não é meu tipo de leitura.
— É… você prefere esportes e notícias. — respondi, sem pensar.
Silêncio.
Eu tinha passado do ponto.
— Desculpa qualquer coisa. — disse ele, entrando.
Fechei os olhos.
— Desculpa, meu amor… — murmurei.
Mais tarde, o homem que destruiu meu patinete ligou.
Disse que compraria outro.
Marquei de encontrá-lo… perto da catedral.
Nem pensei.
Foi automático.
Peguei o novo patinete.
Agradeci.
E, em vez de ir embora…
Voltei.
A noite já caía.
Entrei na catedral.
Um padre me olhou estranho.
— Perdi meu celular aqui ontem… — improvisei.
Ele assentiu.
Segui.
Caminhei pelos corredores com cuidado.
Silenciosa.
Até chegar à porta do porão.
Meu coração disparou.
Por um momento, pensei em chamar Louise.
Mas ouvi passos.
Não dava tempo.
Abri a porta rapidamente e entrei.
Escuro.
Denso.
Pesado.
Tateei a parede.
Nada.
Procurei o celular…
Descarregado.
— Ótimo… — sussurrei.
Continuei andando, com cuidado.
Até encontrar o interruptor.
Clique.
A luz acendeu.
Era um depósito.
Velho. Abandonado.
Móveis cobertos de poeira.
Objetos esquecidos.
Passei o dedo pelos móveis enquanto caminhava devagar…
Até ver.
Algo grande.
Coberto por um lençol.
No centro.
Meu coração acelerou.
Aproximei-me.
Mãos tremendo.
Segurei o tecido…
E puxei.
O lençol caiu.
E lá estava.
Uma gárgula.
De mármore.
Quase dois metros de altura.
Imensa.
Imóvel.
Mas… havia algo errado.
Algo na expressão.
Algo… vivo demais.
O medo me atingiu de uma vez.
Virei e corri para as escadas.
Agarrei a porta.
Puxei.
Nada.
Empurrar.
Nada.
Ela não abria.
— Não… não… não…
Desespero.
Meu pé escorregou.
E, no instante seguinte—
Caí.
Rolei pelas escadas.
E tudo ficou escuro.

E tudo ficou escuro

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