* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
Cheguei em casa e comecei a pesquisar na internet sobre lendas de Notre-Dame, porque minha mãe sempre dizia que, por trás de toda lenda, sempre existe um pingo de verdade. — “Porta do Diabo”. Um jovem artesão parisiense, chamado Biscornet, foi encarregado da fechadura e da decoração em ferro forjado de uma das portas laterais da catedral, a de Santa Ana. Diz a lenda que, diante da dificuldade que enfrentava para concluir o trabalho, Biscornet invocou o Diabo e pediu ajuda em troca de sua alma. Quando terminou, foi amplamente elogiado e promovido a mestre no ramo. Porém, pouco tempo depois, foi encontrado morto em sua cama, em circunstâncias estranhas… Durante a Revolução Francesa, as 28 estátuas da Galeria dos Reis — que representam personagens bíblicos — foram decapitadas, pois os revolucionários acreditavam que elas representavam os reis da França. — Li em voz alta, sentindo um leve arrepio percorrer minha pele. — Não é nada disso que eu procuro… — murmurei, já digitando “lendas de gárgulas”. — “Acredita-se que, originalmente, as figuras monstruosas e, por vezes, assustadoras dos gárgulas tenham sido criadas para alertar os fiéis de que o mal nunca dorme. Além dos clássicos gárgulas, existem também, nos telhados dos templos, as chamadas ‘quimeras’…” Parei de ler, impaciente. — Não… não é isso… Continuei. — “Uma lenda francesa gira em torno de São Romano (cerca de 641 d.C.), primeiro chanceler do rei merovíngio Clotário II…” Li enquanto caminhava até a cafeteira, o cheiro quente e envolvente do café começando a preencher o ambiente. — “…a criatura afundava barcos, devorava pessoas e animais… e foi derrotada e queimada…” Soltei um pequeno riso, descrente. — Sei não como iriam queimar algo feito de pedra… Levei a xícara aos lábios, sentindo o calor escorrer lentamente pela garganta, enquanto meus pensamentos giravam mais rápido do que o normal. Então algo chamou minha atenção. — “Venha fazer aulas com o melhor restaurador da França, na catedral mais famosa do mundo. Eugène Doc. Uma vaga para iniciante e cinco para experientes.” Meu coração acelerou. — É claro… Sorri sozinha, um sorriso lento, quase perigoso. — É exatamente isso que eu preciso. Karen era uma pessoa extremamente influente no meio artístico. Respirei fundo antes de ligar — já imaginando a reação dela. — Olá, Karen. — Oh, não! Você nunca me liga… alguma coisa aconteceu. Mon Dieu, você está com bloqueio criativo. Eu não acredito! Revirei os olhos, apoiando o quadril na bancada da cozinha. — Não estou com bloqueio criativo. Pelo menos… não mais. Falei, levando mais um gole do café, enquanto meus olhos se perdiam na vista da Torre Eiffel pela janela — elegante, distante… quase inalcançável. — Não acreditamos. Nem eu, nem meus superiores. Se não está, então me diz: sobre o que vai escrever? Aproximei a voz, quase como um segredo proibido. — Eu vou te contar… mas não fala pra ninguém. Houve um pequeno silêncio. — É sobre gárgulas. Karen soltou um suspiro dramático. — Emma, meu amor… por que você não pode ser uma escritora normal? Escrever sobre alfa, obsessão, dono do morro, CEO… Sorri de lado. — Karen… se eu escrever o que todo mundo escreve, como eu vou me destacar? — Sendo a melhor… — respondeu, seca. — Mas fala logo, o que você quer? — Eugène Doc. Eu preciso que você consiga uma vaga pra mim no curso de restauração da Catedral de Notre-Dame. Do outro lado, silêncio. — Emma Müller… você não tem experiência com restauração. Passei a língua lentamente pelos lábios, sentindo o gosto amargo do café ainda ali. — Mas sou uma ótima desenhista. Eu aprendo rápido. — Acho melhor eu te arrumar outro passeio na catedral. — Karen… — minha voz saiu mais firme, mais baixa — eu já fiz o passeio. Eu preciso entrar lá sem grupo… sem alguém me dizendo onde posso ou não posso ir. Ela suspirou, irritada. — Ai, que merda… o que você pretende fazer? Roubar alguma coisa? Emmaaaa… Dei uma risada leve. — Não vou roubar nada. Existe uma lenda… sobre um conde que descobriu que estava sendo traído e transformou o amante da esposa em um gárgula. Ele está guardado em alguma sala da catedral. — Amor… — a voz dela suavizou, quase com pena — eu sei que você é escritora e vive no mundo da fantasia… mas magia não existe. Não tem como transformar alguém em pedra. Apertei a xícara entre os dedos. — Karen… essa história tem tudo: romance, traição, obsessão… magia. Minha voz ficou mais baixa. — E eu vi o olhar daquela historiadora… tinha alguma coisa ali. Eu não sei o que é… mas tem algo escondido. Outro silêncio. — Você está por sua conta e risco. Vou falar com o Eugène. Mas, se for presa, não fala meu nome. Sorri, satisfeita. — Obrigada, Karen. Você é um amor. … Fui arrumar a casa. Jean e eu optamos por ter uma arrumadeira apenas duas vezes por semana — seria caro demais tê-la todos os dias. Eu já estava preparando o jantar quando Karen ligou novamente. — É bom esse livro ficar ótimo, porque eu quero meu nome nos agradecimentos. Você começa depois de amanhã. Vai pagar com uma infinidade de publis… e, claro, o nome dele no final do livro. Ela fez uma pausa. — E já te aviso: Eugène é um conquistador. Então… cuidado. Soltei uma risada baixa. — Pode deixar… muito obrigada. — Tchau, amiga. Agora vou tomar um banho e me arrumar pra um encontro com o Eugène… tudo isso pra você ir caçar uma estátua escondida. Mordi o lábio, meio culpada. — Desculpa… Karen desligou, e por um instante fiquei parada, sentindo um leve peso na consciência. A campainha tocou. Jean entrou logo em seguida, abrindo a porta com a própria chave. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me puxou pela cintura, me levantou e me girou no ar. Soltei uma risada, surpresa, minhas mãos se apoiando nos ombros dele. — Vejo que gostou do serviço… Falei quando meus pés tocaram o chão novamente, ainda sentindo o corpo dele próximo demais do meu. — Estou adorando — disse ele, com um meio sorriso — mas agora preciso de um banho. Estou cheirando a suor. O jeito como ele disse aquilo… o tom, o olhar… fez meu estômago dar um leve aperto. … Depois do banho, já durante o jantar, comecei meu interrogatório. — Amor… procurei em toda a internet e não encontrei nada sobre a lenda da sua família. Ele não desviou os olhos da televisão. — Não tem. — E se eu quiser saber mais? Ele suspirou, apoiando a cabeça no encosto do sofá. — Vai ter que falar com a minha avó. Me levantei devagar, sentindo uma decisão se formar dentro de mim. — Amor… você ficaria chateado de dormir sozinho hoje? Ele riu, sem humor, e se levantou. — Eu já vi esse filme… ou melhor, já li esse livro. Você vai escrever sobre a lenda da minha família. Vai sair agora, entrar no carro e dirigir até Nancy. Ele me olhou, agora sério. — Espero que fique em um hotel e não acorde minha avó no meio da noite. Cruzou os braços. — Você acabou de voltar de lá. Não tem nem uma semana. E acabou de tirar a carteira… tinha medo de dirigir. Vai pegar estrada sozinha agora? Dei um passo na direção dele. — Eu não posso depender de você pra sempre. Falei baixo, firme… mas havia algo mais ali. Algo que nem eu sabia explicar. Ele passou a mão pelo cabelo, irritado. — Merda… vai. Mas toma cuidado. E lembra que minha mãe mora ao lado da casa da minha avó… e não gosta de você. Sorri de canto, já virando para o quarto. — Sua família inteira não gosta de mim. Mas, no fundo… aquilo só tornava tudo ainda mais interessante. E perigoso.