* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
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No dia seguinte, eu estava bem apreensiva com o meu curso de restauração. Além de fazê-lo, eu ainda teria que prestar atenção em toda e qualquer oportunidade de entrar em alguma sala da catedral. Logo quando cheguei, fui recepcionada por Eugène Doc, um lindo homem negro que usava uma camisa branca de manga longa que ressaltava seus músculos, uma calça jeans preta e tênis impecavelmente brancos. Ele me cumprimentou assim que me viu e já foi tirando pelo menos cinco fotos. — Eu preciso saber se você está realmente querendo aprender alguma coisa ou se está aqui só para ter uma experiência para colocar no livro. — Eugène perguntou, curioso, enquanto me conduzia para dentro da catedral. — Pretendo aprender algo sobre restauração, mas, se você puder me ajudar a conhecer um pouco mais sobre a catedral, ficarei extremamente agradecida. Respondi já calculando: se ele acreditasse no meu interesse genuíno, isso mexeria com o ego dele — e isso poderia ser muito útil para mim. ... — A restauração começa com a avaliação do quadro ou da peça, passa pela limpeza e, só por último, a pintura recebe novas pinceladas. Nessa análise, identificamos se o quadro já foi restaurado antes e calculamos sua idade para saber qual técnica usar. Quanto mais antiga a pintura, mais forte deverá ser o solvente. — disse Eugène, entregando-me um livro seu, intitulado A Arte da Restauração. — Pode ficar tranquila, esse quadro é apenas uma réplica para iniciantes. E acho bom agilizar a leitura — seus colegas começaram na semana passada. Eugène observava atentamente cada aluno; vez ou outra, tirava uma foto ou filmava algo. Comigo, parecia ainda mais atento. Eu tentava me concentrar ao máximo, mesmo com as constantes interrupções dele para mencionar alguma obra importante que já havia restaurado. Assim que a aula terminou, algumas pessoas ainda o rodeavam, mas o grande restaurador pediu licença a todos e veio diretamente até mim. — Como prometi, hoje você ganhará um passeio à torre de Notre-Dame. — disse, em tom solene. Sorri, meio constrangida. Não queria subir tão cedo os 387 degraus que levavam até as minhas mais novas obsessões. — Se não quiser ir hoje, podemos ir outro dia. — falei. — Sei que você já deve ter visitado a torre em algum passeio, mas, sem aquele monte de gente, podemos apreciar as gárgulas e Paris de uma forma diferente… é inspirador. — respondeu, com um leve brilho nos olhos. — Não entenda mal… o senhor é lindo, mas eu sou casada. — falei, sem graça. — Perdão se me expressei mal. Faço esse passeio com todos os meus alunos no primeiro dia de aula, para evitar que fiquem arrumando desculpas para interromper o serviço e passear pela catedral. Não que você não seja bonita… mas estou interessado em sua amiga. Tivemos algo no passado — eu era jovem, imaturo… e estraguei tudo. — disse, visivelmente constrangido. — Nesse caso… eu vou. — respondi, seguindo-o, enquanto minhas pernas já protestavam. — O acesso às torres é feito pela lateral esquerda da catedral, e os 387 degraus devem ser subidos a pé, já que Notre-Dame não dispõe de elevador. O caminho é o mesmo há séculos… reis e rainhas da França passaram por aqui. Napoleão, o Papa Pio VII, João Paulo II… todos trilharam esse percurso. Você verá os famosos sinos da catedral. Notre-Dame possui duas torres de 69 metros em sua fachada. Lá em cima, além da vista deslumbrante, você poderá visitar o campanário onde viveu o famoso Corcunda de Notre-Dame… e ver de perto as gárgulas. — ele explicou, mais entusiasmado do que qualquer guia turístico. Depois da dor nas pernas causada pela subida interminável — mas com a consciência tranquila por já ter feito o exercício do dia — pude contemplar uma das vistas mais lindas de Paris. Aquele era, sem dúvida, o ponto alto da subida. A cidade se abria diante de mim, vasta e elegante, como um quadro vivo. Do marco zero, era possível enxergar Paris quase inteira. Os telhados da Cidade Luz se estendiam como um tapete irregular e encantador. Do alto da catedral, observei com calma as gárgulas voltadas para a cidade. Muitos as acham feias ou assustadoras, mas, para mim, Notre-Dame não seria a mesma sem elas. Havia algo de fascinante naquela mistura de formas — animais, criaturas grotescas, quase demoníacas, quimeras esculpidas com uma imaginação inquieta. Ficamos em silêncio, apenas observando. Na descida, meus pés buscavam a parte mais larga dos degraus da escada circular. Eu estava de salto, o que tornava tudo ainda mais difícil — minhas pernas ardiam, cansadas. Meu professor, claro, não reclamou uma única vez. Com aquele porte atlético, parecia completamente à vontade… quase confortável demais. Depois de praticamente “vender um rim” para pagar o táxi — fiquei presa em um daqueles engarrafamentos intermináveis de Paris (famosos apenas para quem mora aqui, já que não aparecem na televisão) — finalmente cheguei em casa. Minha vontade era ir direto ao guarda-roupa e pegar o diário de Maya. Mas me obriguei a tomar banho e preparar o jantar para o meu marido, que chegaria em duas ou três horas. Enquanto cozinhava, abri o aplicativo que lia textos a partir de imagens. Bastava tirar uma foto. Fotografei a primeira página do livro e comecei a ouvir, tentando memorizar tudo mais rápido sem atrasar meus afazeres. Ainda assim, precisei repetir várias partes. Minha mente insistia em fugir… Eu me pegava imaginando como seriam Maya, Pierre e Lohan — seus rostos, seus corpos, seus olhares… E, de alguma forma, essas imagens começavam a ganhar vida demais dentro de mim. ... Bibliografia https://www.viajoteca.com/torres-da-catedral-notre-dame-de-paris/
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