45 Entrevista

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Após a matriarca ter ido embora, comecei a fazer a janta, mas fui interrompida por meu marido que me chamou ao ver que meu professor de restauração havia começado a falar sobre o gárgula na televisão. Deixei meu macarrão no fogo e sentei perto dele tentando não demonstrar que estava com o coração na boca.

Depois de passar cinco minutos falando de seu currículo, Eugène Doc falou:

— Podem ficar tranquilos, apesar do roubo a escultura está em ótimo estado. Ela não precisará de grandes reparos, mas posso afirmar que ficará belíssima para a exposição, pois não poderia estar em mãos melhores.

Quando pensei que a entrevista tinha terminado, o repórter olhou para a câmera e falou:

— Agora estamos com o Arcebispo Nicolas de Cluny e vou perguntar o que todos querem saber: como a escultura voltou para a catedral?

Em um ataque de nervos comecei a tossir muito e, ao invés de me acalmar, meu marido apenas aumentou o volume da televisão e mandou que eu tomasse um xarope.

Fui até a cozinha beber água e prestei atenção na resposta do arcebispo:

— Foi um milagre, a escultura apareceu sozinha aqui na catedral.

— E o homem que disse ter roubado ela falou que o próprio gárgula o prendeu, o que o senhor diz sobre isso?

— Isso explicaria como ela voltou. Eu conheço a lenda, mas após cuidar dela por mais de 40 anos nunca vi nada de anormal acontecer. — O sacerdote falou, deu a bênção e foi embora.

Fiquei parada por alguns momentos até ouvir meu marido gritar:

— Emma! Alguma coisa está queimando!

— Puta que pariu, queimei o macarrão! Espera, vou fazer outro. — Falei pegando a panela.

— Não precisa, vamos pedir uma pizza. Acho que você não está se sentindo bem. — Meu marido falou pegando o celular para ligar na pizzaria.

Eu ainda estava com a panela na mão pensando na entrevista quando meu celular tocou e eu, assustada, deixei a panela cair no chão sujando tudo.

— Puta que pariu! — Gritei.

Jean foi até a porta da cozinha com o celular na mão e falou:

— É a Karen, quer atender?

Peguei o celular da mão dele e ele disse:

— Vai lá para sala que eu limpo isso e já ligo para pedir a pizza.

— Oi Karen. — Atendi fingindo estar feliz.

— Oi Emma! Acho que devia repensar essa coisa de não ter empresário. De todo modo, vazou que seu próximo livro é sobre o gárgula de Notre-Dame e o canal 4 quer te entrevistar no programa Boa Noite Paris.

— Vazou? Como assim? — Falei preocupada.

— Não procure culpada que fui eu mesma que vazei a informação! Temos que aproveitar o momento. — Karen falou animada.

— Não sei se é uma boa ideia... — Falei pensando nas suspeitas de roubo.

— Claro que é! Se souber aproveitar, muitas portas vão se abrir!

— Tá bom, eu vou. Pode marcar. — Falei ainda não muito satisfeita.

...

Louise...

Eu não estava gostando nada das mudanças. Agora ninguém mais podia ficar na catedral depois de certo horário, só o arcebispo e pessoas autorizadas.

Como meu turno ainda não tinha acabado, fui até o porão que antes era proibido e agora estava aberto, já que a única coisa de valor não estava mais lá.

O lugar estava limpo e organizado, com uma grande estante de livros antigos, uma mesa e cadeiras. Andei pelo local passando o dedo nos móveis e falei:

— Vai ver que limparam tudo com medo dos repórteres quererem vir aqui também.

Continuei olhando os livros quando notei que três estavam fora do lugar. Tentei arrumar mas não consegui, então tirei eles de lado e vi que havia outro livro escondido atrás. Peguei e comecei a ler:

"Meu coração acelerou e por alguns momentos tive a impressão que ele conseguia ouvir as batidas do meu peito.

Depois de comer cinco maçãs Pierre fez menção de ir embora.

— Com licença Duquesa, mas ainda estou em trabalho, se não precisar de algo terei que voltar ao meu posto.

— Já que tocou no assunto, tem uma coisa que eu preciso sim.

O guarda se virou e eu lhe beijei, ele correspondeu e as coisas ficaram quentes demais, então o puxei para a dispensa e foi ali que ficamos juntos pela primeira vez."

— Puta que pariu! Esse é o diário da Duquesa Maya de Leroy!

— Tenho que ler isso. — Coloquei o livro dentro da blusa, escondi com o casaco e fui saindo.

Quando ia saindo pela porta dos fundos levei um susto quando o padre Carlos deu um tapa na minha bunda e falou:

— Senhorita Louise, podemos nos ver hoje?

— Só se for na minha casa. Encontrei uma leitura bem peculiar no porão e quero que você dê uma olhada.

Gárgula ( +18)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora