* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
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A escuridão da noite chegou, e então ele despertou. A luz da lua cheia entrava pela pequena janela rente ao solo, projetando sombras pálidas pelo ambiente frio. Sem perceber, ele esticou as asas, e uma delas bateu no teto, arrancando um pedaço do reboco com um som seco. Ao olhar ao redor em busca da chave que abria a porta do porão, algo chamou sua atenção. Havia alguém caído ao pé da escada. Imediatamente, ele recolheu as asas, aproximando-se com cautela. O corpo no chão parecia ser o de uma jovem ruiva, com longos cabelos que se espalhavam até a altura da cintura. Ela estava de bruço. Mesmo sabendo que não deveria — lembrando-se claramente dos conselhos de seu amigo sacerdote — ele ignorou o aviso e virou a jovem. E então congelou. — Mas que magia é essa...? Maya? O nome escapou de seus lábios como um sussurro esquecido pelo tempo. Ele observou atentamente e percebeu que ela ainda respirava. Um alívio estranho e inquietante percorreu seu corpo de pedra. E, junto com aquele instante, vieram as memórias. O beijo. O cheiro. O primeiro olhar. Tudo voltou. 1327... Pierre observava o vasto território enquanto caminhava ao lado de Lohan de Leroy. — O senhor tem certeza de que é espanhol? Seu francês é excelente — comentou o duque, com curiosidade. Pierre manteve a postura firme antes de responder: — Digamos que não tenho vocação para ser padre. Na minha família, as regras são claras: o primeiro filho se torna senhor de terras, o segundo, soldado, e o terceiro, padre. Quando meus pais perceberam que eu não servia para isso... decidiram me enviar para o mais longe possível. Assim, eu não me tornaria uma vergonha. Lohan assentiu, um tanto constrangido. — Sinto muito. Não imaginava. Continuaram caminhando até que o duque apontou para o campo ao longe. — Aquela é a duquesa de Leroy. A dona do meu coração... e o motivo de, todos os dias, eu tentar ser um homem melhor. Pierre seguiu o olhar do duque. Ela estava lá. Maya. Montada em um belo corcel castanho, controlando o animal com firmeza e elegância, apenas com gestos e comandos sutis. Era linda. Ruiva, esbelta, com os cabelos presos em uma longa trança. — A própria duquesa doma seu cavalo? — perguntou Pierre, surpreso. Lohan sorriu, orgulhoso. — Maya veio de uma família humilde. Eu a conheci quando trabalhava na colheita de uvas. Ela conhece estas terras melhor do que qualquer guarda ou servo. Tempos atuais... Ele ainda não conseguia compreender. Como aquilo era possível? Depois de séculos... Maya estava ali. Diante dele. ... Naquela mesma manhã, Jean tentou contato com a esposa antes de sair para o trabalho. Ligou várias vezes, mas não obteve resposta. Preocupado, deixou mensagens no celular e um bilhete colado na geladeira, pedindo que ela retornasse assim que possível. Mas nenhuma resposta veio. Ele aguardou a visita do sacerdote — que sempre aparecia ao despertar —, mas, naquela noite, ninguém veio. Com dificuldade, pegou a chave e abriu a pesada porta do porão. Seus dedos de pedra mal conseguiam segurá-la, e a chave caiu três vezes antes que ele conseguisse usá-la. Movendo-se pelas sombras, percorreu a catedral em busca do amigo, mas não encontrou sinal algum dele. Então voltou. Pegou lençóis antigos e os arrastou até o porão, improvisando uma forma de carregar o corpo de Maya sem machucá-la. Ao retornar, esperava encontrá-la acordada. Mas não. Sua respiração era tranquila, porém profunda demais — como se estivesse presa em um sono impossível de quebrar. A inquietação cresceu dentro dele. E assim, permaneceu ali. A noite inteira. Velando por ela. 1327... No primeiro dia em que o duque Lohan de Leroy se ausentou, deixando Pierre responsável por tudo, também foi o primeiro dia em que Maya o desafiou. Mesmo após ouvir claramente que aquela era uma ordem do duque, ela ignorou. E partiu. A manhã era cruelmente fria. Restos de neve e gelo cobriam o chão. Assim que ela deixou o castelo, Pierre montou o melhor cavalo disponível e partiu em sua direção. Mas Maya era rápida. E o deixou para trás. Ele seguiu até o pomar, agora seco e morto pelo rigor do inverno. Ali, perdeu seu rastro. A inquietação virou desespero quando a neve começou a cair. E pior ainda quando viu o cavalo da duquesa retornando sozinho. Sem hesitar, seguiu o caminho inverso. A neve já cobria tudo. Mas então uma lembrança surgiu. Uma caçada antiga. Um coelho encurralado em uma caverna próxima. Pierre forçou o cavalo além do limite, avançando pela neve fofa até alcançar o local. E lá estava ela. Maya. Seus cabelos estavam soltos, talvez numa tentativa de se aquecer. Seu corpo tremia, e seus lábios já haviam adquirido um tom arroxeado. Ela estava sentada, encolhida no fundo da caverna. Pierre desceu rapidamente do cavalo e se aproximou, ajoelhando-se diante dela. Ao tocar seu braço para ajudá-la a levantar... Ela ergueu o olhar. E, sem dizer uma palavra, segurou seu rosto. E o beijou.
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