* O livro é fantasia, bastante cenas de sexo, bruxas, sexo, romance, ...
Eu já falei que o livro tem muito sexo?
É a história de uma escritora que sem ideias para um novo livro começa a estudar uma lenda de um gárgula escondido dentro da catedr...
A luz estava apagada. Tentei acender, mas nada aconteceu. - Ótimo... - murmurei. A lâmpada devia ter queimado. A única iluminação vinha da lua cheia, que invadia o porão por alguma fresta alta. A claridade era fraca, recortada... iluminava só uma parte do espaço. O resto... era sombra. E isso só piorava tudo. Desci alguns degraus devagar. Prendi a respiração. Olhei para baixo. Nada. A escultura... não estava lá. Meu coração acelerou. Desci o restante da escada mais rápido e comecei a procurar pelo chão. Poeira. Marcas. Os restos do meu celular... mas- A capinha não estava. Revirei alguns lençóis velhos jogados ali. Nada. - Será que a idiota da Louise pegou...? - É isso que a duquesa procura? A voz veio da escuridão. Meu corpo inteiro congelou. Virei devagar. - Oh... mon Dieu... Ele estava ali. Não como uma estátua. Não como antes. De pé. O rosto... bonito demais para algo daquela natureza. Mas havia algo errado - orelhas levemente pontudas, olhos intensos demais... vivos demais. O corpo era esculpido como uma obra de arte antiga. E as asas... não eram de anjo. Eram densas. Estranhas. Quase primitivas. - Desculpa - falei rápido, sem pensar - eu não queria atrapalhar seu sono... por favor, não me coma. Silêncio. Ele inclinou levemente a cabeça. - A duquesa perdeu a memória? - Não se aproxime - falei, recuando. - Ou eu grito. Dei mais alguns passos para trás... até sentir a parede. Encurralada. Ele se aproximou. Devagar. Sem pressa. - Sei que escolheu o duque de Leroy... mas nunca deixei de pensar em você. Meu cérebro travou. Ah, ótimo. Além de tudo, agora eu estava recebendo spoiler da própria história. - Maya... você não se lembra de mim? Engoli seco. - Eu... não sei quem você é. Mentira. Ou talvez não. - Como não sabe? Sou Pierre Durand. Nos conhecemos em 1327... eu te salvei da nevasca. Não se lembra das videiras? Da cachoeira? Sério? Nem cheguei nessa parte ainda. - Eu não sou a Maya - falei, tentando manter a voz firme. - Sou Emma. Escritora. Só isso. Tentei pegar o celular discretamente. Um erro. Ele rugiu. O som vibrou no ar. Eu senti meu cabelo se mover. Congelei. - Sem retrato. - Ok. Ok - levantei as mãos devagar. - Eu não tiro... só não quebra esse também, acabei de comprar. Ele relaxou levemente. - Não precisa ter medo... mas não faça retratos. Quase ri. Segurei. - Por que está caçoando de mim? - Não é isso... é que ninguém fala "retrato" hoje em dia. É foto. Ele pareceu pensar nisso por um instante. - Então meu amigo arcebispo continua tão... ultrapassado quanto eu. Ele estendeu a mão. Minha capinha. - Ele foi internado - falei, pegando. - Passou mal. Ainda não voltou. Por um momento, algo mudou no olhar dele. Algo mais... humano. - O ruim de não morrer... é ver todos partirem. Fiquei em silêncio. - Você não morreu ainda - respondi baixo, sem saber por quê. - Olha... a conversa tá ótima, mas... eu só queria ir embora. Apontei discretamente para a escada. - Sabe como eu saio daqui? Ele me observou por alguns segundos. Longos demais. - A chave está sobre a cristaleira. O arcebispo lhe emprestou? - Sim. Mentira. Ele se aproximou mais. Perto demais. Meu coração parecia que ia sair pela boca. - Eu abrirei a porta. Fez uma pausa. - Mas você não levará a chave. Outra pausa. Mais pesada. - E se contar a alguém sobre mim... Ele inclinou levemente o rosto. - Vai se arrepender do dia em que nasceu. Meu estômago gelou. - Eu sei onde você mora. Meu coração falhou. Um batimento. Dois. - Eu te segui... desde a primeira vez. - Eu não vou falar nada - disse rápido demais. - Eu juro. Eu juro. Eu juraria qualquer coisa. Ele virou de costas. Caminhou até a porta. Abriu. E desceu primeiro. Só então eu consegui me mexer. Subi as escadas quase tropeçando. Saí. Ar puro. Mas não alívio. Atravessei a nave com o rosto pálido. Quase correndo. Um padre me parou. - Está tudo bem, minha filha? - Sim... só estou com pressa. Ele me deu a bênção. E eu fui embora. No caminho para casa, no patinete... Eu senti. Uma sombra. Atrás de mim. Pensei em mudar o caminho. Mas não adiantava. Ele já sabia. Minhas pernas começaram a tremer. Minha visão escureceu por um segundo. Quase desmaiei. Quando cheguei ao apartamento, entrei correndo. Fechei tudo. Janelas. Cortinas. Trancas. Como se isso fosse adiantar alguma coisa. Horas depois... Eu estava na cama. Pesquisando. "Gárgulas poderes e fraquezas" Resultado: Nada útil. - Sério? Fechei o notebook com força. E então pensei... Se gárgulas existem... Bruxas também existem. Então... - Lobisomens? Vampiros? Soltei uma risada nervosa. Passei a mão no rosto. E então a pergunta veio. A pior de todas. - Por que ele me chamou de Maya? Silêncio. Olhei para o teto. - Acho que... tá na hora de ir até o castelo Leroy.