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Cecilia Albuquerque

Sim, 6h40 da manhã e eu tô aqui na casa da Amanda numa quarta-feira, esperando ela se arrumar pra irmos juntas pra faculdade.

— Sério, Amanda. Não tô acreditando que você me fez vir aqui na sua casa esse horário só pra saber de fofoca. - Bufei me jogando na cama dela.

— Veio porque quis. - Respondeu irônica, me fazendo olhar de cara feia — E te corrigindo, não é qualquer fofoca, é A fofoca. - Disse dando ênfase no "A".

— E por acaso você não poderia ter me esperado chegar na faculdade igual pessoas normais fariam? - Perguntei — Precisava me fazer vir aqui cedo? Quase acordando os seus pais?

— Para de reclamar, chata. — Respondeu jogando alguma coisa em mim — Me conta logo tudo, com todos os detalhes.

    Falou se referindo ao meu dia anterior com o Enzo.

    Contei tudo pra ela, que surtava a cada frase.

— Nossa, sério. Como eu esperei por isso. - Falou toda empolgada — Vocês enrolaram demais, credo.

— Amanda, vai terminar de se arrumar logo porque já era pra gente estar chegando na faculdade, cara. - Dei uma bronca nela, que saiu resmungando.

     Esperei a bonita terminar de se arrumar e tomar café.

    Ela foi comigo no meu carro e combinou de voltar com o Guilherme.

    Assim que a gente chegou na faculdade, vimos os meninos parados do lado de fora da lanchonete.

— Tão se escondendo da gente? - Amanda perguntou assim que nos aproximamos, fazendo os dois levarem susto.

— Porra, Amanda. - O Enzo falou passando a mão no rosto — Não chega assim do nada não, pô.

— Caralho, viado. Mó susto. - O Felipe também falou assustado.

— O que vocês tão fazendo aqui fora? - Perguntei sem entender o porquê deles não terem entrado na lanchonete.

— A porra do Felipe copiou as minhas respostas do questionário, sem mudar uma vírgula e agora tá aqui se escondendo do professor. - O Enzo murmurou puto.

— E o professor de vocês tá aí dentro? - A Amanda perguntou apontando pra lanchonete e os meninos assentiram.

— Bom dia, senhores. - Um homem falou com um tom de deboche e os meninos olharam assustados — Depois da aula quero conversar com os dois sobre o questionário que foi passado.

    Os meninos assentiram já sabendo o que o professor queria falar com eles.

    Assim que o professor saiu, o Enzo meteu um tapão na cabeça do Felipe.

— Eu sabia que ia sobrar pra mim. - O Enzo falou fechando os olhos, provavelmente pelo excesso de ódio, me fazendo querer rir da situação.

— Pô mano, foi mal. Não achei que esse velho fosse reparar que eram as mesmas respostas, tem nem idade pra estar lúcido. - O Felipe respondeu sincero, deixando um silêncio entre nós quatro por alguns segundos... até a Amanda começar a gargalhar muito alto, me fazendo soltar a risada que eu tanto segurava.

— Eu devo ter muita cara de palhaço mesmo. - O Enzo disse totalmente indignado por estarmos rindo da situação — Tento ajudar o moleque e ainda me complico todo.

— Eu vou lá conversar com o dinossauro que a gente chama de professor, pô. Esquenta não. - O Felipe disse tranquilizando o Enzo antes de sair.

— Vou indo também, amigos. - Amanda se despediu da gente, restando apenas eu e o Enzo.

— Relaxa um pouco, vai. O Felipe foi lá conversar com o professor. - Falei tentando tranquilizar o Enzo, que realmente tava tenso.

— Eu ainda falei pra ele mudar as respostas, pô. Esse moleque não pensa, cara. - Resmungou.

— Se continuar franzindo a testa desse jeito, vai ficar com rugas. - Brinquei na tentativa de fazer ele se desligar um pouco da tensão e deu certo, já que ele sorriu de lado.

— Não tá atrasada pra aula? - Perguntou ao olhar as horas no relógio.

— Tô. - Afirmei tranquila e ele gargalhou abraçando a minha cabeça, me fazendo sentir o perfume que vinha do seu moletom.

— Vai lá, pô. Vou tentar não matar o Felipe até o final da manhã. - Brincou.

Promete? - Perguntei e ele soltou uma risada fraca concordando — Então eu vou lá, tchau.

    Dei um selinho nele no automático, me fazendo ficar sem graça assim que me toquei.

— Tchau. - Falou com um sorrisão no rosto me dando outro selinho, porém demorado.

Saí apressada, porque eu realmente tava atrasada, indo enfrentar as aulas chatas do dia de hoje.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora