Enzo Martins
"Estratégia pra me deixar, me ignorar fazia parte
Cê queria que eu terminasse
Pra saudade me cobrar mais tarde
Não vai ter colher de chá
Se não me quer, deixa eu de lado
E se for sair deixa claro se é fim ou intervalo
Pra quando eu tiver com alguém
Nuns amasso bem dado
Cê não vir me enchendo o saco"
Admito que essa música me baqueou.
Só de pensar na Cecília ficando com alguém meu estômago embrulha.
— Tá bem, mano? - Perguntei pro Felipe, que tava quieto.
— To, pô. - Falou bebendo a cerveja dele e eu não acreditei no que ele disse.
O motivo do caos na minha mente tava rindo e dançando com umas meninas, bem ao meu lado.
Eu percebia que o Felipe e a Amanda se encaravam, deve tá foda pros dois essa situação.
Parecia que a qualquer momento um dos dois explodiria.
— Não quer ir lá falar com ela? - Perguntei pro Felipe.
— Eu não. - Negou rápido, voltando a prestar atenção no show.
"A briga foi feia
Teve dedo na cara
Teve voz alterada
Teve tudo que tem em uma discussão
Mas eu não, eu não 'tava terminando não
Você confundiu seu coração
Eu não tava terminando não"
Porra, to começando a me estressar. Só falta o Henrique e Juliano citar meu nome.
Olhei pra Cecília, mas ela já tava olhando pra mim.
Sorri de canto e ela parou de me olhar, toda sem graça.
Depois que você vem em um show sertanejo de casal, vir sozinho perde a graça.
Às vezes duvido seriamente se fiz certo quando terminei com a Cecília, e agora é um desses momentos.
"Cometi a loucura de nossas fotos rasgar
E uma por uma eu vou ter que colar
Mas foi na hora da raiva
Na hora, na hora da raiva
Naquele segundo eu pensei que até te odiava
Mas respirei fundo e vi que eu te amava
Mas foi na hora da raiva
Na hora, na hora da raiva"
Beleza, pô. Já to bolado de ter vindo nesse show, Henrique e Juliano tão de sacanagem com a minha cara.
Tem certas partes da música que torna inevitável não olhar pra Cecília, parece que meu olho já rola automaticamente na direção dela.
Respirei fundo e fui no bar pegar mais uma cerveja, só porque ficava do lado de onde ela tava.
Quando eu tava voltando, vi um moleque se aproximar da Cecília.
Meu coração acelerou, meu sangue ferveu.
Ver ele falando no ouvido dela e ela rindo de "sei lá o que" foi o suficiente pra eu ir até lá.
Fui por trás dela e encarei o cara, cruzando os braços.
Ele me olhou assustado, não sabia se olhava pra mim ou pra ela.
Por via das dúvidas, ele falou algo com ela e saiu dali imediatamente.
Ela olhou na direção dele sem entender e levou um susto quando me viu atrás dela.
— De novo? - Perguntou cruzando os braços — Já tá virando mania.
— É inevitável. - Respondi me aproximando dela, mantendo a postura.
— Tem como me deixar em paz? - Perguntou se aproximando também.
— Você quer que eu te deixe em paz? - Perguntei parando a poucos centímetros de distância — Achei que tava vendo você me encarar há alguns minutos.
— Viu errado. - Negou rápido e eu ri — E por que veio até aqui se a sua cerveja tá na metade?
— Então você tá reparando até na minha cerveja? - Perguntei segurando o riso quando vi a cara dela chocada com o que eu falei.
" E hoje mesmo separados sinto
Que o seu corpo ainda é meu
Às vezes me escondo
E faço de tudo pra ninguém notar que eu
Vivo e morro por ti
Tem semana que as vezes sofro e vem as recaídas"
Nossas olhares mudaram quando ouvimos esse trecho da música.
Meu coração disparou e eu vi a pele dela arrepiar.
Me aproximei mais e ela não hesitou.
"Às vezes eu queria ter o poder de poder
Te apagar da memória
E nessa fraqueza ter força pra fazer
Com que essa nossa história não passe
De passado e fique da porta pra fora"
Ela encarava meus olhos e desceu o olhar pra minha boca.
— Não vai fazer nada? - Perguntou voltando a olhar nos meus olhos.
— Você quer que eu faça algo? - Perguntei olhando pra boca dela, querendo ouvir ela dizer.
Ela revirou os olhos e colou nossos lábios.
Senti o coração dela acelerado igual o meu, me fazendo sorrir no meio do beijo.
Passei uma mão em volta da cintura e a outra na nuca dela.
Ela apoiou as duas mãos no meu peito, fazendo com que nos encaixássemos perfeitamente.
Parecia que a gente não se beijava há anos, eu poderia facilmente parar o tempo agora.
— Cecília. - A Amanda gritou com voz de choro e a gente se desgrudou rápido.
— Que foi? - A Cecília perguntou assustada.
— O que aconteceu, Amanda? - Perguntei olhando preocupado.
— O idiota do seu amigo. - Ela falou deixando as lágrimas escaparem — Pedi pro Guilherme vir, vou embora.
Eu e a Cecília nos olhamos sem entender o que tinha acontecido e abri a boca surpreso quando vi o Felipe ficando com uma menina.
Apontei com a cabeça na direção do Felipe e a Cecília teve a mesma reação que eu.
— Eu vou com você, amiga. - Falou indo atrás da Amanda, sem nem falar nada comigo.
Olhei pra direção do Felipe negando com a cabeça, com vontade de deitar esse maluco na porrada.
Fui até ele e interrompi, puxando ele pelo braço pra um canto.
— Ficou louco, porra? - Perguntou bravo se soltando com força.
— Eu que te pergunto, caralho. - Devolvi — Ficou maluco de pegar uma mina na frente da Amanda?
— Eu não namoro mais a Amanda, posso fazer a porra que eu bem entender. - Esbravejou.
— Ótimo, então faz suas merdas sozinho. - Respondi — Eu to caindo fora.
Fui embora do show e deixei ele pra trás. Se ele quer fazer merda, que faça sozinho.
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Aquela Pessoa
JugendliteraturEm um dia comum no estacionamento da faculdade, um acidente inusitado une os caminhos de duas pessoas que, até então, eram completos estranhos. O impacto do encontro vai muito além dos carros amassados: suas vidas começam a se entrelaçar de maneira...
