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Cecília Albuquerque

    Depois da palestra sobre Ética da Psicanálise, fui curtir a piscininha do prédio porque o calor tava de matar.

Mandei mensagem pra Amanda chamando ela pra vir e óbvio que ela aceitou, não recusa um convite essa menina.

A gente ficou um pouco na piscina e depois subimos no meu apê pra comer alguma coisa.

— Amiga, bem que você podia fazer aquela sua panqueca de frango, né? - Ela jogou verde me olhando com cara de cachorrinho pidão... Típico da Amanda — Não tem igual, juro.

Faço, chata. - Respondi já me dando por vencida logo de início e ela comemorou batendo palmas igual criança, me fazendo rir.

Enquanto a panqueca tava no forno, sentamos no sofá e colocamos um filme.

Óbvio que a gente não assistiu e ficamos fofocando sobre as coisas enquanto o filme passava.

— Mas você gosta dele? - Perguntei sobre o Felipe, já que estávamos falando do desentendimento dos dois — Tipo, de verdade mesmo?

— Amiga, não sei. Faz pouco tempo e foi tudo muito rápido. - Suspirou — A única coisa que eu tenho certeza é que não vou deitar pra ele. Não vou deixar de ficar com quem eu quiser e fazer minhas coisas por algo incerto, ainda mais pelo Felipe que não vale o chão que pisa.

    Ela tava sendo bem sincera.

— Você tá certa, amiga. É isso mesmo... O Felipe que resolva essa situação. - Falei toda empolgada, orgulhosa do quanto a minha amiga é bem resolvida.

— Que psicóloga responderia uma coisa dessas, cara? - Ela perguntou gargalhando da minha reação.

— Eu vou ser uma psicóloga diferenciada, bebê. - Respondi piscando pra ela.

O forno apitou e eu fui tirar as panquecas. A Amanda já foi arrumando a mesa, até porque ela já sabia onde ficava tudo aqui em casa.

Depois de almoçar, ela teve que ir pra um aniversário de algum tio dela.

[...]

Aproveitei que já tava no embalo e dei uma boa organizada aqui em casa, pra me aliviar na hora de arrumar as coisas depois.

     Recebi uma mensagem do Enzo perguntando se eu tava em casa e eu disse que sim, mesmo sem entender.

    Minutos depois o interfone toca e o porteiro pergunta se o Enzo podia subir.

    Obviamente autorizei e fui dar aquela conferidinha no espelho, passar mais um perfuminho...

    Perfume nunca é demais pra mim. E eu acho que o Enzo pensa o mesmo porque ele tá sempre muito cheiroso.

    Uns minutinhos depois a campainha toca e eu vou abrir, me deparando com ele de braços cruzados, todo posturado igual sempre.

— E aí. - Ele disse passando por mim, deixando um sorriso minúsculo aparecer.

    Quase imperceptível.

— Como você sabe o número do meu apartamento? - Perguntei trancando a porta.

— Ué, a Amanda me disse. - Ele respondeu dando de ombros e sentando no sofá.

— Hum... - Olhei desconfiada pra ele, que riu, e sentei ao seu lado — O que devo a honra da sua ilustre presença esse horário?

— Ah, nada... Tava passando por aqui e vim ver como tu tá. - Respondeu rápido.

     Muito estranho esse papo.

    Nos vimos de manhã...

— Eu tô bem, você que parece não estar. Tá aparentando estar bravo. - Falei analisando a expressão dele, que deu uma relaxada no rosto depois de eu falar isso.

— Tô não, pô. Tudo certo. - Ele disse querendo desviar o rumo da conversa e eu concordei pra não contrariar e respeitar os limites dele — Esse cheiro bom é do quê?

— Meu perfume. - Respondi zuando.

Fala sério. - Ele pediu rindo.

— É a panqueca que a Amanda me obrigou a fazer pra ela. Quer? - Ofereci e ele assentiu.

    Levantei pra arrumar a mesa e ele continuou sentado no sofá prestando atenção em cada passo que eu dava, o que me fez segurar um sorrisinho de canto.

    Assim que eu servi, ele levantou e sentou pra comer. Ficamos conversando e rindo de vários assuntos.

[...]

— Até que tu sabe cozinhar. - Ele disse depois de terminar, enquanto eu andava de um lado pro outro tirando as coisas da mesa.

Babaca. - Respondi dando um tapinha no braço dele — Tá falando isso mas e você? Sabe fazer o quê?

— Isso aqui. - Respondeu me puxando pra um beijo, me colocando no colo dele.

Ele abraçou firme a minha cintura enquanto eu segurava seu pescoço com uma mão e acariciava a nuca com a outra.

Ele levantou comigo no colo, sem interromper o beijo, e me deitou no sofá... ficando por cima de mim.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora