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Enzo Martins

— Bora logo, porra. - Apressei o Felipe — Tu reclamou tanto no grupo mas tá pior que as meninas.

— Tenho que estar bonitão, pô. - Respondeu passando perfume e eu olhei pra ele querendo rir.

— Só nascendo de novo. - Falei baixo e ele virou rápido na minha direção.

— Eu só não falo nada contigo porque estamos atrasados. - Ele resmungou e eu forcei um sorriso irônico.

— Tu combinou com todo mundo 18h e ainda nem saímos daqui, cara. - Neguei com a cabeça, me jogando na cama dele — Depois reclama das duas encherem seu saco.

— Vai dar tempo, caralho. - Falou arrumando a barba — Confia.

    Não falei nada, deixei ele enrolando e comecei a mexer no celular.

    Depois de uns quinze minutos, ele finalmente ficou pronto e fomos pra festa encontrar as meninas.

Quando eu achei uma vaga, nossos celulares começaram a notificar ao mesmo tempo.

— Deve ser as duas chatas. - O Felipe murmurou desbloqueando o dele.

WhatsApp

Só os puros 🍻
       Cecília: Caramba Felipe 18h06
       Cecília: Vc deu quase um ultimato pra todo mundo chegar 18h em ponto
       Cecília: E nem sinal de vc
       Amanda: Juro, que raiva 18h08
       Amanda: Deu tempo nem de fazer cachos pq o bonito não deixou ninguém se atrasar
       Cecília: E ele mesmo atrasou kkkkk 🤣
       Felipe viado 🦌: Calma bebês 18h10
       Felipe viado 🦌: Enzolas acabou de estacionar, tamo chegando já
       Cecília: Enzolas kkkkkkkk
       Cecilia: Deixa ele ver vc chamando ele assim
       Felipe viado 🦌: Não tenho medo do teu homem
       Cecilia: Não tem medo mas faz tudo que ele manda né 🤔
       Felipe viado 🦌: Tchau, Cecília
       Felipe viado 🦌: Loira chata da porra
       Amanda: Kkkkkkkkkkk

Fomos até as meninas e o Guilherme tava com elas, parecendo segurança.

— Até que enfim os dois alecrins dourados resolveram aparecer. - Amanda resmungou.

— Oi pra tu também, chata. - Falei deixando um beijo na cabeça dela — E aí?

    Cumprimentei o Guilherme.

— Bom? - Respondeu apertando a minha mão e eu assenti.

— Tá linda, em. - Falei me aproximando da Cecília e ela deixou um beijo na minha boca.

— Que bom que gostou. Alvo acertado com sucesso. - Piscou pra mim e eu ri abraçando a sua cintura.

— Bora, casal? - Felipe encheu o saco — Se quiser a gente espera, pô. Ninguém tá com pressa mesmo.

— Deixa de ser chato, cara. - A Amanda brigou com ele.

— Respeita a tua mulh... - Fui responder, mas a Cecília me interrompeu falando por cima de mim.

— Gente, alguém viu a Jade? - Cecília berrou e eu olhei pra ela sem entender.

Quando olhei pro Felipe e pra Amanda, os dois tavam com os olhos arregalados.

Olhei pro Guilherme, que nos olhava sem entender e saquei o porquê da Cecília interromper a minha fala.

— Não, amiga. - A Amanda respondeu disfarçando — Não vi a Jade. Você viu ela, Guilherme?

— Eu não. - Respondeu dando de ombros — Vocês são estranhos.

— Esse é o nosso normal. - Felipe respondeu fazendo graça.

— Bora lá. - Falei apontando pra fila que tinha andado e peguei na mão da Cecília.

Entramos e o Felipe nos levou até a área vip que ele tanto comentou desde cedo.

— Porra, isso daqui é outro nível. - O Guilherme falou analisando o lugar — Tem até garçom servindo champanhe, parceiro.

— Tô falando, caralho. Eu sei o que é bom, pô. - Felipe se gabou pro Guilherme — E esses três ingratos ainda reclamam quando arrasto eles pra algum lugar.

— Não cai nesse papinho dele não, Guilherme. - A Cecília disse abraçada no meu corpo — Teve um feriado que ele arrastou a gente pro meio do mato, onde nem pegava internet.

— Se fosse só meio do mato tava bom. - A Amanda completou — Aquilo era um buraco, localizado na puta que pariu.

— Não era lugar de gente não. - Também falei — Era coisa de maluco.

Chega, né? Ainda tá cedo pra vocês começarem a me detonar publicamente. - O Felipe reclamou olhando feio pra gente — Vou começar a procurar amigos que me valorizam, vocês são fracos que só a porra.

— Meu ovo, tu não larga a gente por nada. - Falei revirando os olhos pelo drama dele e todo mundo riu.

— Como se você largasse ele, Enzo. - A Amanda debochou e o Felipe sorriu irônico.

— Manda sua amiga calar a boca? - Perguntei pra Cecília e a Amanda meteu um tapa em mim — Garota louca do caralho. Como tu aguenta, Guilherme?

— Simplesmente não aguento, nem tento lidar com isso aí. - Ele respondeu fazendo pouco caso.

— Você me respeita, seu otário. - A Amanda ameaçou bater no Guilherme e ele desviou rindo.

— Vou no banheiro antes que essa louca surte pra cima de mim. - Ele avisou, colocando o celular no bolso.

— Vai só no banheiro mesmo ou vai sumir igual aquele dia? - A Cecília perguntou e todo mundo gargalhou da cara dele.

— Qualquer coisa é só a gente procurar a Jade, que acha ele. - Felipe brincou e o Guilherme saiu dando dedo pra gente.

— Cadê a Jade? - A Amanda perguntou pra Cecília, que desbloqueou o celular provavelmente pra ver se tinha mensagens da Jade.

— Teu irmão acabou de sair daqui e tu já tá surtando? - Felipe perguntou pra Amanda.

— Não tô surtando, gente. - Ela se defendeu — Só quero saber cadê a menina, ué.

— Ela disse que ainda nem saiu de casa. - A Cecília respondeu concentrada no celular.

— Bora pegar uma mesa então. - Felipe falou indo atrás de uma mesa e seguimos ele.

    Sentei na ponta da mesa e puxei a Cecília pra sentar do meu lado.

   A Amanda sentou ao lado do Felipe, que sussurrou algo no ouvido dela, fazendo a garota abrir um sorriso largo.

— O que vamos pedir? - A Cecília perguntou olhando o cardápio.

— Já tá querendo fazer as honras? - Felipe perturbou a Ceci e ela forçou um sorriso debochado.

— Pior que não, quero comidinha. - Ela respondeu olhando os petiscos e eu ri.

— Pede uma batata. - Falei alisando a coxa dela, que olhou as batatas no cardápio e concordou com a cabeça.

— Pede duas, amiga. Tô com fome também. - A Amanda falou e a Cecília assentiu.

    Chamei um garçom que passava próximo à mesa e a Cecília pediu as duas batatas.

— Vou matar o que tá me matando. - A Amanda comemorou — Amiga, esqueci meus anéis. Me empresta esse aqui? - Ela pediu apontando pra um anel que a Cecília usava no dedo anelar.

— Claro, amiga. - Cecília disse tirando o anel do dedo e entregando pra Amanda.

— Obrigada, cheirosa. - A Amanda agradeceu colocando no dedo, me olhando em seguida por alguns segundos.

Segurei um sorriso e neguei a cabeça disfarçadamente, entendendo o que ela tinha acabado de fazer.

    Olhei pra Cecília, que encarava um ponto qualquer, agradecendo por ela não fazer ideia do que acabou de rolar aqui.

Aquela PessoaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora