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Enzo Martins

To muito puto, na moral. Detesto ficar com ciúmes, mas é inevitável.

A Cecília sabe que eu não curto ela muito próxima do Guilherme e parece que usa isso pra fazer pirraça, não é possível.

— Porra, cara. Calma, que foi? - O Felipe me parou no corredor, quando eu tava voltando pra sala.

— Cecília e Guilherme. - Respondi coçando a barba agoniado.

— O que foi dessa vez? - Ele perguntou.

— Porra, tu viu que eu tava esperando a Cecília na lanchonete e ela não aparecia. Aí eu vi a Jade, fui perguntar se ela sabia onde a Cecília tava e adivinha o que ela me respondeu? - Perguntei irônico.

— Que a Cecília tava com o Guilherme. - Ele respondeu como se fosse óbvio.

— Sim. - Revirei os olhos — Ela me disse que a Cecília tava no campus do Guilherme e eu não acreditei. Tive que ir lá ver. - Expliquei.

— E ela tava lá mesmo? - Felipe perguntou.

— Sim, pô. Abraçada com o Guilherme, cara. - Respondi voltando a ficar puto só de lembrar — Agora tu me diz, eu to errado?

— Não. - Felipe respondeu rápido — Tem a questão da Cecília já ter ficado com o Guilherme, no seu lugar eu também teria ciúmes. - Felipe foi sincero.

— Porra, pelo menos tem alguém do meu lado. - Falei negando com a cabeça — Mas vamos pra aula, não quero ouvir professor reclamando no nosso ouvido.

— É... melhor. Porque do jeito que tu tá puto, vai pra cima do cara. - Felipe debochou e eu dei um soco no braço dele.

    Fomos pra aula e vestimos nosso jaleco, indo pro laboratório em seguida.

O professor pediu pra que formássemos dupla, não preciso nem dizer quem foi minha dupla.

— Por que tu não vai fazer dupla com o Fábio? - Felipe perguntou irônico e eu olhei com raiva — Brincadeira, pô. Só pra descontrair.

— Vai descontrair na casa do caralho. - Respondi voltando minha atenção pro professor.

Cada dupla tinha um boneco, tínhamos que dar o diagnóstico do que cada boneco tinha.

Pedi pro Felipe segurar o boneco pra eu examinar e esse maluco ficava dando pitaco.

— Porra, caralho. Toma aqui. - Dei o espelho e a pinça pra ele — Examina você, eu seguro.

— Melhor. - Ele falou convencido, trocando nossas posições.

O professor parou do nosso lado pra ver se estávamos avaliando bem e o Felipe deixou o boneco engolir a porra do próprio dente.


— Perderam meio ponto. - O professor falou anotando na prancheta e eu segurei a minha respiração — Podem voltar pra sala. A Atividade era eliminatória.

Felipe me olhou com medo de levar um murro e eu apenas respirei, tirando minhas luvas com força.

Peguei minhas coisas pra sair da sala e ele fez o mesmo. Saímos em silêncio.

Olhei pro meu relógio e era quase o horário de ir embora, graças a Deus.

Fomos até a sala e pegamos nossas mochilas, prontos pra irmos embora.

Quando estávamos atravessando o campus pra ir pro estacionamento, vejo a Cecília e a Jade com a turma delas indo pra algum lugar.

A Cecília falou alguma coisa pra Jade e veio na minha direção, mas eu continuei andando com o Felipe.

— Vai me ignorar mesmo? - A Cecília falou me alcançando, puxando meu braço.

— Sim, você sabe que eu to bravo contigo. - Falei parando, me virando pra ela.

— To fora da DR de vocês, tchau. - Felipe falou se mandando e eu xinguei ele na minha cabeça.

— Vai ficar sem falar comigo por causa de um ciúmes bobo? - Ela perguntou sem acreditar.

— Vou. - Afirmei — Porra, Cecília. Tu sabe as coisas que me incomodam e continua fazendo, cara. - Falei chateado.

— Eu não faço de propósito, Enzo. Por que eu iria querer ficar te chateando? - Ela perguntou olhando no meu olho, pegando na minha mão — Eu já te disse, ele precisava de mim. Não posso te contar o motivo agora, porque envolve outras pessoas. Mas assim que eu puder contar, você vai ser o primeiro a saber.

— Tá... tanto faz. Não to com cabeça pra brigar, preciso ir pra casa. Tenho que falar com meu pai. - Falei cansado.

— Ok, vai lá. - Ela respondeu calma, soltando minha mão.

Fiquei encarando ela por uns cinco segundos e me virei pra ir até o meu carro.

— Não vai me dar nem um beijo? - Ela perguntou receosa e eu não precisava nem olhar pra ela pra saber que tinha um biquinho na boca dela.


Voltei respirando fundo e dei um beijo demorado nela, que passou os braços em volta do meu pescoço.

Fui até o meu carro e parti pra minha casa, sabendo que teria uma conversa séria com meu pai.

    Cheguei lá e agradeci mentalmente por ver o carro dele na garagem. Confesso que tava com medo dele ter viajado só pra evitar a nossa conversa.

— Oi, pai. Precisamos conversar. - Falei assim que vi ele na mesa almoçando.

— Pode ser depois? To ocupado. - Ele tentou desviar da conversa.

— Não. Tem que ser agora. - Afirmei — Que história maluca foi essa da minha mãe aparecer aqui depois de cinco anos?

— Também não sei o motivo. - Ele respondeu sincero, parando de almoçar — A sua mãe começou a me mandar e-mail há um mês, falando que queria ver os filhos dela. Tentei ignorar o máximo possível, até o advogado dela entrar em contato comigo.

— Essa história não me comprou, tá incompleta. - Falei pensando — Tá faltando alguma coisa...

— Também acho. Por isso viajei com a Lara. Não queria dar o braço a torcer e deixar aquela mulher ver vocês. - Ele explicou.

— E me avisar sobre isso que é bom nada, né? - Falei rindo nervoso — Não me avisou que ela entrou em contato com você, não me avisou que ela queria voltar, não me avisou que ia viajar com a Lara... não me avisou nada.

— Olha, Enzo. Desculpa, tá? Não foi minha intenção te deixar no escuro. Eu só queria saber a verdadeira intenção dela por trás disso tudo antes de encher a sua cabeça. Eu queria ter respostas. - Ele foi honesto e eu concordei com a cabeça.

    
    Uma coisa é fato: essa mulher, vulgo minha mãe, tá querendo alguma coisa. E eu vou fazer de tudo pra ela não ter êxito.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora