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Cecília Albuquerque

— Sim, amiga. Foi só isso que aconteceu. - Falei pra Amanda pela segunda vez.

— Eu não acredito, cara. Ele te chama pra conversar e não fala nada? - Perguntou incrédula e eu concordei com a cabeça — Como normalmente quem fica de mal sou eu e o Felipe, não sei como te aconselhar. Até porque a quase psicóloga aqui é você.

Eu ri do que a Amanda disse, porque é a verdade pura.

— Amiga, relaxa, tô de boa. Quando ele quiser resolver essa situação, vai me procurar. - Falei calma e ela revirou os olhos.

— Sua paz tira a minha. - Ela disse manhosa e eu gargalhei me desmanchando.

— Vou indo lá amiga, preciso fazer as malas porque amanhã, uma hora dessa, nem aqui eu vou estar. - Me despedi da Amandinha.

— Beijos, cheirosa. Já tô indo também, tô só esperando o meu irmão. - Se despediu de mim.

Fui pegar o meu carro no estacionamento  e parti pra casa.

Essa semana combinei de ir ver meus pais, a saudade chega tá apertando. Vou ter que faltar aula amanhã, felizmente.

     Como essa semana não tá muito bacana mesmo, tudo certo.

Cheguei em casa e esquentei uma das últimas marmitinhas que sobraram da semana. Tudo milimetricamente calculado.

     Fiz uma faxina braba no apê e borrifei o cheirinho que eu tanto amo por ele inteiro.

    Nada melhor que voltar de viagem e se deparar com uma casa limpinha.

     Não consegui descansar sabendo que tinha uma mala toda pra arrumar, sendo que meu embarque é às 9h da manhã.

Fui começar a missão difícil que é separar as roupas. Vou ficar lá por menos de três dias, então separei dois conjuntos de pijamas, dois croppeds e dois shorts.

      Como não sou doida de apostar 100% no calor, separei uma blusinha e uma calça também.

    Quando eu ia fechando meu guarda-roupa, olhei pra minha sapateira e peguei uma rasteirinha.

     Obviamente, coloquei um biquínizinho porque não tem chances de eu ir pro Rio sem passar na praia, não sou nem maluca ainda.

Separei as maquiagens e produtos que eu mais uso em uma necessaire e coloquei meus produtos de cabelo em outra.

Olhei pra minha bandeja de perfumes e fiz bico sabendo que não poderia levar todos e sentiria falta dos que ficariam.

    Então, separei os menores frascos que eu tinha, pra não ser barrada por burocracia chata de bagagem.

    Coloquei também junto com os perfumes um body splash da VS com o creme da mesma fragrância.

Organizei bonitinho na mala tudo que separei. Uma curiosidade nada a ver sobre mim é que eu amo isso, arrumar mala. Só não gosto da indecisão sobre as roupas, mas acho muito satisfatório tudo arrumadinho nos compartimentos.

Depois disso tudo, me joguei no sofá pra dar uma descansadinha. Olhei as horas no celular e vi que beirava 17h.

     Fiquei me questionando se teria coragem de ir treinar ainda hoje ou não. Por via das dúvidas, fui.

     Não preciso nem falar que cheguei em casa morta, né. Fui pro banho, comi uma omelete qualquer e capotei.



Enzo Martins

    Moleque, passei o dia todo me remoendo sobre o quão frouxo eu fui na hora de conversar com a Cecília.

Me senti um bebezão, na moral. Parecia que o mundo ia acabar se eu admitisse que era ciúmes o que tanto me deixava esquisitão.

Fui pra casa do Felipe depois da faculdade pra me distrair um pouco.

É óbvio que ele fez o almoço, porque se dependesse de mim, só teria ovos cozidos.

Resolvemos ir pra piscina depois de 1 hora jogados no sofá, em dia de semana mesmo porque a vida tá dura demais pra ser enfrentada.

— Ou. - Felipe jogou água na minha cara, me fazendo despertar dos pensamentos.

— Qual foi? - Perguntei tirando a água do rosto.

— Se resolve logo com a Cecília, parceiro. Tô falando há meia hora contigo e tu nem se quer ouviu uma palavra, tá doidão das ideias já. - Resmungou.

— Pô, mano. Eu até que tentei hoje mas travei, não consegui admitir que eu tava louco de ciúmes. - Admiti pra ele.

— Por algo besta ainda. - Felipe reclamou e eu joguei água nele — Só fui sincero, filho da puta. - Levantou as mãos em forma de rendição.

— Amanhã eu falo com ela na faculdade. - Falei com firmeza.

— Vai falar mesmo ou arregar? - Perguntou sugestivo e eu afoguei ele na piscina, começando uma quase guerra em alto mar.

Depois de um tempo, subimos pro quarto dele e ficamos conversando sobre vários papos aleatórios.

Felipe tava fazendo o cavanhaque e eu pedi a maquininha emprestada pra tentar mudar alguma coisa no meu rosto.

— Não tô acreditando que tirei a barba e deixei só o bigode, moleque. - Olhei desacreditado no espelho e o Felipe se mijou de rir.

— Cara, vou demorar pra acostumar. Tá muito estranho, na moral. - Falou tentando se conter e eu dei dedo.

— Não tá tão ruim, pô. - Falei na tentativa de me convencer.

— Tá parecendo aqueles bigodinhos de nescau, não fode. - Voltou a rir de novo e eu ignorei.

    Só ando fazendo merda ultimamente.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora