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Enzo Martins

     Pedi um almoço no Ifood enquanto não dava a hora de ir atrás do professor e o Felipe fez o mesmo.

Assim que o motoboy chegou em frente à faculdade, fui pegar o meu almoço e passar o código pra ele.

Voltei pra onde a gente tava sentado e o Felipe não tava mais lá, me fazendo pensar que ele tinha ido atrás do lanche dele.

Minutos depois o Felipe chegou e sentou perto de mim com um saco do Mc donald's.

— Hoje pode. - Ele se referiu ao hambúrguer dele.

— Pode nada, tô aqui comendo almoço de verdade. - Discordei por mania.

— Beleza então, pô. Pedi batata pra você, mas já que é o senhor certinho... vai ficar sem. - Falou colocando a batata de volta no saco.

— Dá aqui. - Tomei da mão dele — Me comprar uma batata é o mínimo depois da confusão que tu me enfiou.

— Eu só não vou te responder porque estou errado. - Falou de um jeito engraçado — Errei, fui mlk.

— Moleque é pouco pra descrever você, arrombado. - Falei empurrando a cabeça dele pro lado.

Terminamos de comer e fomos até a sala do professor, já que tinha dado o horário que ele estabeleceu.

— Achei que seria só a gente e ele. - Felipe falou baixo quando viu que o professor ia enfiar a gente no meio da turma da tarde.

— Tava pensando que era um date com o sugar daddy, filho da puta? - Murmurei irônico e ele revirou os olhos, dando um soco disfarçadamente em mim.

O professor mandou a gente sentar bem nas primeiras cadeiras, me fazendo morrer de vergonha porque eu e o Felipe sempre sentamos no fundo, e nos deu o bendito novo questionário.

Ele iniciou a aula da turma da tarde e mandou a gente se virar pra conseguir se concentrar nos questionários.

Felipe me olhou com uma cara muito engraçada... todo desesperado, provavelmente o maluco não fez questão de revisar a matéria ontem e se fudeu.

Olhei pro questionário e achei bem tranquilo, até porque meu pai tinha me ajudado a responder o primeiro e eu ainda fiz uma revisão pra esse segundo.

Eu dei um chutão no Felipe porque ele não parava de balançar a porra das pernas e o professor nos deu uma encarada feia.

Depois de responder tudo, entreguei pro professor, que me liberou.

— Caralho, maluco. Que desgraça era aquela em forma de papel? - Felipe me perguntou assim que saiu da sala — Tava pior do que as provas.

— Achei tranquilo, pô. - Falei sincero e ele revirou os olhos enquanto fomos andando — Só achei pesado o conteúdo pra um questionário de 2,0 pontos.

Assim que eu falei isso, o Felipe parou de andar e me encarou sério.

— Qual foi, doido? - Perguntei franzindo a testa sem entender o porquê dele ter empacado igual mula.

— Deixa eu ver se entendi direito essa porra. - Falou tentando recapitular o que eu tinha falado — Eu passei todo esse nervoso por causa de míseros 2,0 pontos?

— Sim. - Respondi calmo e voltei a andar, escutando ele pisando alto atrás de mim.

— Maluco, eu vou voltar lá e tacar um asteroide naquele dinossauro fudido, papo reto. - Disse muito puto e eu segurei a risada — Ele arranjou toda essa situação por causa de DOIS PONTOS? Dois pontos, moleque? - Falou mais alto e eu empurrei ele porque tinha gente olhando pra nós dois.

— Depois tu faz o que achar melhor. - Falei atento ao celular — Olha aí o grupo, as meninas tão falando alguma coisa de show.

— Opa, falou em rolê e eu até esqueci que tava puto. - Falou puxando o celular pra olhar também, mudando de humor em segundos.

    Esse moleque é engraçado.

— Não tô muito a fim de ir não. - Falei fazendo careta, bloqueando o celular — Muito cansativo estudar o dia todo.

— Então fica em casa chupando dedo enquanto a Cecília fica sendo babada por outros caras. – Olhei atento pra ele assim que insinuou algo — Eu já não tô muito bem com a Amanda, imagina se eu não for pra marcar território, pô. Perco na hora.

— Perde o que, porra? A mina nem tem nada contigo. - Dei um choque de realidade nele.

— Exatamente, vou perder o que nem é meu. - Argumentou — Ainda.

    Falou esperançoso e eu discordei com a cabeça.

— Tá. - Me dei por vencido — Então eu vou também.

— Ué, não era você que ia ficar em casa por estar cansado? - Ironizou— Não se garante não?

— Claro que me garanto, pô. Só vou pra não te deixar sozinho. - Falei dando de ombros, chegando perto do meu carro.

— Não mete essa pra cima de mim não, moleque. Tu não dá a mínima pra mim que eu sei, tá é com medinho da Cecília encontrar outro por lá.

— Felipe, responde a merda do grupo falando que nós vamos e some da minha frente pra eu não tentar te atropelar de novo, caralho. - Falei puto e ele começou a rir levantando as mãos.

Aquela PessoaOnde histórias criam vida. Descubra agora