Enzo Martins
— A gente vai perder o voo. - Falei olhando o horário no meu relógio.
— Calma, pô. O nosso voo é só 9h. - Felipe falou terminando de fechar a mala.
— Não se esqueçam da fila enorme do check in. - Amanda avisou.
— Nossa, verdade. Eu já tinha esquecido disso. - Cecília respondeu arrastando a mala.
— Então vamos? - Perguntei e todo mundo assentiu.
Desci a minha mala e depois subi pra pegar as duas malas da Cecília.
Puta que pariu, por que mulher traz mil coisas sendo que não usa nem metade?
Tomamos café rápido, pra não atrasar e ter risco de perder o horário.
— Você veio. - A Cecília falou sorrindo, indo abraçar o Matheus.
— Claro que eu vim, pô. - Matheus cumprimentou cada um — Vou levar vocês no aeroporto.
— Todo mundo comeu direitinho? - Minha sogra perguntou preocupada.
— Eles não são mais crianças, querida. - Meu sogro respondeu.
Nos despedimos dos pais da Cecília e eu percebi que ela ficou triste depois que saímos da casa deles.
— Tá bem? - Perguntei pra ela antes de entrarmos no carro do Matheus.
Ela assentiu e eu dei um selinho nela, que me abraçou rápido
Entramos no carro e o Matheus dirigiu rapidão pra não nos atrasarmos.
Nos despedimos dele e fomos até a fila enorme do check in.
— Confesso que eu tava com esperança dessa fila tá menor. - Amanda admitiu.
— Pô, eu também. - Concordei.
A Cecília me abraçou de lado e eu beijei a cabeça dela, sentindo as mil borrifadas de perfumes que ela passa.
Ficamos nós três conversando, já que a Cecília só ouvia.
Passamos pelas revistas e fomos liberados pra entrar no avião.
Todos sentamos no mesmo lugar, da mesma maneira que viemos.
A Cecília abraçou meu braço e deitou a cabeça no meu ombro.
A Amanda olhou pra Cecília e depois pra mim, assenti sabendo que ela tinha percebido que a Cecília tava triste.
— Amor, não gosto de te ver triste. - Falei baixo, só pra ela ouvir.
— Eu não to triste. - Ela respondeu sem se mover.
— Além de estar triste, ainda tá mentindo. - Fui sincero e ela soltou um riso fraco.
— Eu to bem, amor. Só fico meio balançada toda vez que me despeço dos meus pais e volto pra São Paulo. - Ela admitiu, tirando a cabeça do meu ombro pra me olhar.
— Então beleza. - Falei encarando ela por alguns segundos, que deu um sorrisinho.
Dei alguns selinhos nela, puxando ela pra perto de mim.
— Alguém aí quer chiclete pro ouvido não doer? - Felipe perguntou nos mostrando um potinho de chicletes e aceitamos.
— Tomara que eu não passe mal, porque não resisti e tomei o café que sua mãe fez. - Amanda falou pra Cecília.
— Se for vomitar, vomita em cima do teu namorado. - Falei pra Amanda e a Cecília gargalhou da reação do Felipe.
— Eu to quietinho aqui e tu me mete nas paradas. - Ele me respondeu negando com a cabeça — E outra coisa, vida. Isso não tava no nosso contrato de namoro não.
— Tava sim, você que não leu a cláusula. - Amanda respondeu o Felipe.
— Agora calem a boca porque eu quero dormir. - Falei pros pombinhos e o Felipe me beliscou — Esse diabo não me deixa em paz, porra.
— Meu papel aqui na terra é te infernizar. - Felipe retrucou.
— Tá cumprindo bem, parabéns. - Falei ignorando ele e fechando o olho.
Passei o voo todo dormindo, já que tenho a impressão que a minha ressaca de ontem não passou.
Assim que pousamos em São Paulo, acordamos com a cara toda amassada.
— Eu dormiria fácil por mais umas 4 horas. - Felipe falou bocejando.
— Admito que eu também. - Concordei — Preguiça da porra de voltar pra casa.
— Eu que diga. - Amanda falou — Só de pensar que vou voltar pra aquele clima horrível da minha casa me causa crise de ansiedade.
— Ainda bem que tua melhor amiga é Psicóloga. - Felipe se referiu à Cecília — Nossa Psicóloga tá calada, to estranhando.
— Deixa ela. - Amanda falou.
— Tá bem, loira? - Felipe perguntou preocupado e a Cecília assentiu forçando um sorriso.
Saímos do aeroporto e cada um pediu seu uber.
— Dorme lá em casa? - Perguntei pra Cecília, não querendo deixar ela sozinha.
— Durmo. - Respondeu sorrindo, encostando a cabeça no meu peito.
Ficamos esperando o uber chegar e nos despedimos do Felipe e da Amanda.
— Vish, esqueci que preciso deixar minhas malas em casa. - Cecília falou olhando pras malas.
— Amanhã você leva, amor. - Sugeri e ela concordou com a cabeça.
Terminei de colocar nossas malas no porta malas do uber e entrei no carro.
O caminho até a minha casa foi rápido. Descemos e tiramos as malas do carro.
Entramos e eu fiz três viagens pra subir com as três malas.
— Ceciiiii. - A Lara foi correndo até a Cecília.
— Oi, minha princesa. - Cecília respondeu ficando da altura da Lara — Tava com saudade de você.
— Eu também. - A Lara falou toda feliz e eu sorri vendo as duas no mundo delas.
— Por que eu não tive essa recepção, Lara? - Perguntei cruzando os braços e a Cecília gargalhou — Fiquei com ciúmes.
— Oi, irmão. - Ela falou de qualquer jeito, voltando a abraçar a Cecília.
— Pô, bacana. Perdi a irmã. - Falei negando com a cabeça, me jogando no sofá.
— Quero assistir um filme com vocês. - A Lara pediu e a gente aceitou — Vou pedir pra tia Flávia fazer pipoca, já volto.
— Eu amo minha cunhadinha. - A Cecília falou sentando do meu lado.
— Porra, fiquei pra trás mesmo. Ela nem me abraçou. - Falei contrariado e a Cecília riu, beijando meu rosto.
— Irmão, coloca Matilda? - A Lara voltou, me entregando o controle.
— Nossa, faz tempo que eu não assisto Matilda. - A Cecília falou com a Lara.
— Vamos assistir juntinhas. - A Lara falou sorrindo, sentando no colo da Cecília.
Ficamos assistindo o filme com a Lara e até que foi maneirinho.
A Lara dormiu com o cafuné que a Cecília fez nela.
Peguei a Lara no colo e subi as escadas com cuidado, levando ela pro quarto dela.
A Cecília entrou no meu quarto e começou a pegar umas coisas na mala.
— Por que você não coloca suas coisas aqui? - Perguntei mostrando uma parte do meu guarda roupa que eu tirei algumas coisas pra Cecília ter o canto dela.
— Seria perfeito. - Ela aprovou a ideia — Vou aproveitar e colocar aí as roupas que eu trouxe pra cá aquele dia.
— Tão na terceira gaveta. - Apontei pra onde ela tinha guardado as roupas em um dia que dormiu aqui.
Depois da Cecília ajeitar as coisas no guarda roupa, deitou comigo pra descansarmos da viagem.
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Aquela Pessoa
Ficção AdolescenteEm um dia comum no estacionamento da faculdade, um acidente inusitado une os caminhos de duas pessoas que, até então, eram completos estranhos. O impacto do encontro vai muito além dos carros amassados: suas vidas começam a se entrelaçar de maneira...
